Mostrando postagens com marcador Problema da Masturbação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Problema da Masturbação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Como o Facebook pode ser uma armadilha para a castidade?


Neste vídeo, Padre Paulo Ricardo explica de que maneira as redes sociais podem se tornar uma armadilha para a castidade e o pudor das pessoas.



Escondendo grandes perigos por trás de coisas aparentemente pequenas e sem importância, o demônio, como quem semeia joio no meio do trigo (cf. Mt 13, 25), sabe servir-se das realidades humanas para fazer perecer o próprio homem. É assim que o Facebook, uma das redes sociais mais bem sucedidas da história, tem-se tornado uma verdadeira armadilha para a castidade de muita gente. O problema reside, de modo geral, nas chamadas "fotos de perfil". Moças em poses provocativas, rapazes sem camisa, figuras sensuais e excitantes, tudo isso, além de poluir ainda mais o mundo virtual — saturado de pornografia —, é gatilho certo para pecarmos contra a santa pureza. Não é preciso ser lá muito sábio nem profundo conhecedor da natureza humana; todos sabemos, pois todos partilhamos da mesma inclinação para o mal, que toda imagem ou representação que de alguma forma aluda à sexualidade tem um forte impacto sobre a nossa sensibilidade, facilmente impressionável e educada somente a duras penas.
Procuramos explicar as razões deste fenômeno no nosso curso " O Mal da Pornografia e da Masturbação". Não custa lembrar, em todo caso, que o nosso cérebro, diante de um estímulo de ordem sexual, está programado para descarregar altas doses de dopamina, um neurotransmissor intimamente relacionado com a sensação de prazer e bem-estar. A dopamina, além disso, está associada ao chamado "circuito de recompensa", que reforça e cristaliza aqueles atos ou hábitos que mais satisfazem os desejos naturais do organismo. Ao deparar-se, pois, com uma foto provocativa (por mais "ingênua" que a queiramos julgar), o nosso cérebro está mais do que pronto para dar início a um processo estimulante que nos levará a estados de excitação sexual cada vez mais intensos e, portanto, mais difíceis de serem controlados.
Por isso, a melhor estratégia para guardarmos a castidade é evitar, com simplicidade e discrição, qualquer situação que nos coloque em ocasião de pecar contra essa virtude, inclusive as mais "leves" e "corriqueiras", como as que nos oferecem as fotos de perfil no Facebook. Devemos resistir, sim, aos primeiros assaltos da carne tão logo os percebemos, antes que cresçam e se agigantem. Quando entrarmos na internet ou em qualquer rede social, devemos nos perguntar sinceramente: o que minha esposa, o que minha noiva ou namorada pensaria se visse o que eu costumo ver ao navegar na rede? Em que tipo de coisas, afinal, gosto de descansar ou estimular a vista? Ao olhar com mais demora para aquela moça ou aquele rapaz já não estou, segundo as palavras do Salvador (cf. Mt 5, 28), cometendo adultério em meu coração, sendo infiel com meus desejos, deixando-me arrastar mar adentro, onde serei tragado, ao fim e ao cabo, pelas vagas de sensualidade que circulam pela web?
Lembremo-nos sempre de que o olhar de Deus, puro e sem malícia, penetra nossos rins e corações (cf. Rm 8, 27). Peçamos-lhe com confiança a graça de, sendo fiéis a Ele e a quem nos foi dado por esposa ou esposo, evitarmos — com o heroísmo de quem deseja amar e entregar-se de todo — as pequenas armadilhas, a fim de escaparmos por fim às grandes quedas. 

Fonte: padrepauloricardo.org

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Questionário sobre a luta pela castidade - Pe. Francisco Faus



─ Encaro a castidade que Deus nos pede, como uma virtude pela qual vale a pena esforçar-se – com fortaleza e otimismo – , e procurar que cresça e ganhe cada vez mais pureza e delicadeza?

─ Compreendo que dizer que “é quase impossível superar esse tipo de pecados”, enquanto nos colocamos na boca do lobo e fazemos equilíbrios na corda bamba da tentação, é uma justificativa que não justifica nada?

─ “Fujo” das ocasiões, ou brinco com fogo, dando razão ao provérbio que diz que “o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra”, simplesmente porque não a evita?

─ Será que me convenço a mim mesmo, quando digo que não acontece nada por assistir a filmes pornográficos na televisão, ou por vasculhar por curiosidade tudo quanto é material do mesmo tipo na Internet e nas outras redes?

─ Peço a Deus que me ajude a me livrar de hábitos contrários à castidade, vícios que, quanto mais alimentados, mais podem descambar para formas deturpadas e até aberrantes de sexualidade?

─ Faço “novelas” inconvenientes com a minha imaginação? Não luto para desligar esses “filmes” íntimos, rezando e desviando a imaginação para outras coisas positivas que não ofendam a Deus?

─ Confesso-me com frequência – por exemplo, uma vez por mês – para fortalecer a minha alma (a inteligência e a vontade) com a graça desse Sacramento? Venço o “demônio mudo”, que me impele a calar, dominado pela vergonha, quando as faltas contra a castidade se repetem por longo tempo? Não percebo que a confissão frequente é uma arma poderosa para desarraigar esses hábitos sensuais?

─ Entendo que a castidade é uma virtude que valoriza o grande dom de Deus que é o sexo? Entendo que o sexo foi dado ao ser humano – filho de Deus – como um modo de participar do Amor de Deus e do seu poder Criador?

─ Vejo, por isso, que o sexo vivido como Deus quer, no matrimônio, é um meio de crescer na união e no amor dos esposos – santo, ardente e fecundo –, e de colaborar com o Criador na vinda de filhos de Deus, que receberão dEle uma alma imortal e um destino eterno?

─ Agradeço a Deus que me faça compreender que a luta pela castidade não é repressão negativa, nem ódio ou desprezo pelo corpo, mas – pelo contrário – a maior valorização da dignidade do corpo, exercendo o sexo dentro do plano sábio e amoroso de Deus?


Conclusões (Procure tirar as suas conclusões e anotá-las)

Fonte: http://www.padrefaus.org/archives/1641

terça-feira, 9 de abril de 2013

É possível viver a castidade apesar de sentir atração pelo mesmo sexo?

Batalha


SIM, É POSSÍVEL! Para explicar melhor isso, precisamos compreender que a castidade é dispor da sexualidade, subordinando os desejos sexuais ao espírito, afim de que esses desejos não escravizem a pessoa, nem a levem a tratar os outros como objetos de sua satisfação egoísta, mas que eles se realizem sob o amor caritativo (que se dispõe a renunciar-se a si mesmo pelo bem e salvação do outro) e em vista de alcançar os bens do amor esponsal e da procriação. Aquele que sente atração pelo mesmo sexo pode viver esta virtude, pois seus desejos sexuais - por mais intensos que sejam - não impedem a liberdade de a pessoa decidir por não os realizar e agir segundo essa decisão. Pela fuga das ocasiões de pecado, pelo jejum e pela vida de oração, qualquer pessoa pode viver a castidade. Para vivê-la com mais segurança, deve aplicar-se com mais devoção a recorrer à Eucaristia e à Santíssima Virgem. E não se deve alegar que é tarefa impossível ao homem viver a castidade, visto que mesmo os que não creem conseguem viver essa virtude (por exemplo, os monges budistas), porém, no caso deles, sem a dimensão e os auxílios da fé cristã.  

Porém, é verdade que, devido um longo período de práticas homossexuais, de masturbação, de pornografia, ou de pensamentos impuros, muitos dos que sentem atrações pelo mesmo sexo ficam condicionados a pecar contra a castidade. Eles querem abandonar essas práticas, arrependem-se e se confessam, porém, depois de certo tempo, sentem-se tão intensamente constrangidos a pecar que acabam pecando de novo. Daí sentem grande tristeza, pois pecaram, mesmo tendo feito o propósito de não fazê-lo. Contudo, mesmo partindo dessa condição, é possível alcançar a castidade. Pois, nestes casos, é comum duas situações que não são autoexcludentes: a primeira, em que a vontade está enfraquecida, de modo que, apesar de ter decidido não pecar, ela vacila e cede às paixões da carne; e a segunda, em que a carência está mal trabalhada a ponto de a pessoa ter um apego afetivo às suas práticas - nesta situação, as práticas sexuais são vias de escapar de uma realidade insatisfatória e, às vezes, também solitária. Trabalhando ambos, o fortalecimento da vontade e a carência, é possível superar gradativamente essas práticas e alcançar a castidade. Para que seja mais efetivo, sugerimos que a pessoa, nestas condições, procure um sacerdote ou alguém que tenha vida ascética, para que seja acompanhado por ele. Também, caso a pessoa ou o diretor espiritual considere oportuno, pode considerar a busca de apoio psicológico, para lidar com o enfraquecimento da vontade e com a carência.

Muitos afirmam que não, mas a verdade não é essa. O homem criado como um ser racional, é chamado a dominar as suas paixões e não a deixar-se dominar por elas. Portanto, é possivel SIM viver a castidade a pesar de sentir atração pelo mesmo sexo. E o nosso apostolado nos EUA há mais de 30 anos apresenta testemunhos contundentes dessa verdade.
Fonte: Juventude Coragem

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O teólogo responde: o que é LUXÚRIA?


O que é a LUXÚRIA?



Royo Marín: No nosso livro no CAPITULO II: Respeitar seu corpo; Ao abordar esta matéria tão áspera e suja, acreditam oportuno recolher a muito prudente advertência com que São Alfonso do Ligório começa a explicação da mesma:
«Agora vamos tratar, com desgosto, daquela matéria cujo só o nome infecciona a mente dos homens... !Oxalá mais breve e mais obscuramente pudesse me explicar! Mas, como esta seja a mais freqüente e mais abundante matéria das confissões e pela que maior número de almas caem no inferno—mais ainda: não vacilo em afirmar que por este só vício ou, ao menos, não sem ele se condenam todos os que se condenam—, daí que seja necessário, para instrução dos que desejam aprender a ciência moral, me explicar com clareza (embora da maneira mais casta possível) e discutir algumas coisas particulares».


Fiéis a esta ordem do grande santo e eminente moralista, vamos estudar esta matéria na forma mais breve e discreta possível, sem renunciar, não obstante, a informar ao leitor secular de tudo que precisa saber para formar sua própria consciência em torno destas questões.

Dividimos a matéria em dois artigos fundamentais: I.°, da luxúria em geral, e 2. °, das espécies de luxúria.

Noção de luxúria em geral: Em sentido amplo ou metafórico, a palavra luxúria designa qualquer luxo, excesso ou exuberância; e assim, por exemplo, de um campo muito fértil se diz que tem uma luxuriante vegetação. Mas no sentido próprio e estrito que aqui nos interessa se define: o apetite ou o uso desordenado do venéreo. Consiste principalmente no uso da faculdade generativa fora do matrimônio ou dentro dele contra suas leis.

A luxúria é um dos sete pecados capitais. Dela derivam outros muitos pecados, principalmente a cegueira da mente, precipitação, desconsideração, inconstância, amor desordenado de si mesmo, ódio a Deus, apego às coisas desta vida e horror à futura. Santo Tomás dedica um muito belo artigo a esta questão.

A divisão fundamental é a que distingue entre luxúria consumada, completa ou perfeita, e a não consumada, incompleta ou imperfeita, conforme chegue ou não até o orgasmo completo, com sua correspondente efusão seminal no varão ou de humores vaginais na mulher.
  • Consumada-a se subdivide em segundo a natureza, se dela pode segui-la geração de um novo ser, e contra a natureza, se de sua não é apta para a geração. refere-se sempre a atos externos e não pode dar-se nos meramente internos.
  • A não consumada pode ser interna e externa, conforme se refira tão somente a atos meramente internos ou a atos externos imperfeitos.
É preciso, acima de tudo, ter sempre à vista dois grandes princípios que informam toda esta questão, e que, bem compreendidos, resolvem sem mais toda a abundante e complicada casuística que pode expor-se em torno à luxúria, ei-los aqui com toda claridade e precisão:

Primeiro princípio:
A luxúria ou deleite venéreo, tanto a consumada ou perfeita como a não consumada ou imperfeita, DIRETAMENTE PROCURADA fora do legítimo matrimônio, é sempre pecado mortal e não admite diminuição de matéria.

Expliquemos, acima de tudo, os termos do princípio:

A LUXÚRIA ou DELEITE VENÉREO, ou seja, a própria e específica da geração humana, diferencia-se:

A. Do deleite puramente sensível, que é o produzido por um ato ou objeto prazeroso em si mesmo, mas não apto em si para excitar o prazer venéreo (v.gr., o aroma de uma rosa, a suavidade do veludo, o aprimoramento de um manjar, etc.).

B. Do deleite sensual, que é o produzido por um ato ou objeto que, embora não é propriamente venéreo em si mesmo, é apto, entretanto, para excitar a concupiscência da carne (v.gr., um beijo, um abraço, etc.). Nestes últimos terá pecado ou não segundo a intenção ou finalidade com que se façam.

TANTO A CONSUMADA ou PERFEITA, ou seja, a que chega a seu término natural pelo orgasmo e efusão seminal no varão ou de humores vaginais na mulher.

COMO A NÃO CONSUMADA ou IMPERFEITA, que se reduz a pensamentos, olhares, toques, etc., com intenção ou finalidade desonesta.

DIRETAMENTE PROCURADA, já seja por ter tentado voluntariamente obter o prazer venéreo completo ou incompleto, ou por ter mimado nele quando se produziu sem buscá-lo.

FORA DO LEGÍTIMO MATRIMÔNIO, ou seja, fora dos atos ordenados de sua à geração humana dentro do legítimo matrimônio.

É SEMPRE PECADO MORTAL, não só por estar grave e expressamente proibida Por Deus, mas sim por ser uma coisa de sua natureza intrinsecamente má.

E NÃO ADMITE DIMINUIÇÃO DE MATÉRIA, ou seja, que, por insignificante que seja o ato desordenado (v.gr., um simples movimento carnal), é sempre pecado mortal quando através dele se busca diretamente o prazer venéreo. Só pode dar o pecado venial por imperfeição do ato humano, ou seja, por falta da suficiente advertência ou de pleno consentimento.

Vejamos agora a prova teológica do princípio:
a) PELA SAGRADA ESCRITURA. São inumeráveis os textos. Eis aqui alguns dos mais conhecidos:

«Não adulterará» (Ex. 20,14).

«Todo aquele que olha a uma mulher desejando-a, já adulterou com ela em seu coração» (MT. 5,28).

«Não lhes enganem: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas... possuirão o reino de Deus» (1 Cor. 6,9-1o).

«Agora bem: as obras da carne são manifestas, ou seja: fornicação, impureza, lascívia... e outras como estas, das quais lhes previno, como antes o fiz, que quem tais coisas fazem não herdarão o reino de Deus» (Gal. 5,19-21).

«Pois têm que saber que nenhum fornicador ou impuro... terá parte na herdade do reino de Cristo e de Deus» (Eph. 5,5).

Como se vê, os textos não podem ser mais claros e categóricos. trata-se da exclusão do reino dos céus, que corresponde ao pecado grave ou mortal; e afeta não só aos atos consumados ou perfeitos (fornicação, adultério), mas sim inclusive aos não consumados ou imperfeitos: basta um simples olhar mal ntencionado, como declara o mesmo Cristo no Evangelho (MT. 5,z8).

b) PELO MAGISTÉRIO DA IGREJA. A Igreja (Aelxandre VII) condenou, ao menos como escandalosa, a seguinte proposição:

«É opinião provável a que diz ser somente pecado venial o beijo que se dá pelo deleite carnal e sensível que do beijo se origina, excluído o perigo de ulterior consentimento e poluição» (D I140).

Agora bem: se um simples beijo dado com intenção carnal (luxúria imperfeita ou não consumada) é pecado grave, serão-o também outros atos de luxúria imperfeita, e a fortiori os de luxúria consumada ou perfeita.

c) PELA RAZÃO TEOLÓGICA. Todos os teólogos católicos estão de acordo em proclamar que a luxúria perfeita ou imperfeita é em si intrinsecamente má e não só porque está proibida Por Deus. A razão fundamental é porque o prazer venéreo o pôs Deus no ato da geração como estímulo para ela, dada sua necessidade imprescindível para a propagação do gênero humano. É, pois, um prazer cuja única e exclusiva razão de ser é o bem da espécie, não do indivíduo particular. Agora bem: utilizar esse agradar em proveito e utilidade própria fora de sua ordenação natural à geração em legítimo matrimônio é subverter a ordem natural das coisas, o qual é sempre intrinsecamente mal, porque se opõe ao que dispôs Deus, não só por uma lei positiva, mas também na natureza mesma das coisas; e como se trata de uma desordem grave, que afeta ao bem de toda a sociedade humana, sua infração voluntária e direta tem que constituir forçosamente um pecado mortal.

A esta razão fundamental podem acrescentar-se outras várias, principalmente para pôr de manifesto a ilegitimidade incluso dos atos imperfeitos. Porque:

1.° Tratando-se de matéria tão escorregadia, é quase impossível realizar o ato imperfeito sem expor-se a grave perigo de chegar até o perfeito; e, como é sabido, é pecado grave expor-se sem causa justificada—não o é nunca o desejo de satisfazer a própria sensualidade—a perigo próximo de pecado grave.

2º. É virtualmente impossível procurar o deleite venéreo incompleto sem que implicitamente se busque e queira o completo; porque, como adverte com fundamento Santo Tomás, a incógnita de uma coisa se ordena sempre a sua consumação»; de onde, que quer a incógnita, pelo mesmo quer implícita e necessariamente a consumação, da mesma maneira que o que quer um bem imperfeito o quer assim que tende de seu ao bem perfeito.

3º. O prazer venéreo que se obtém com a luxúria imperfeita se ordena também, por si, ao bem da espécie, já que é um aspecto parcial do estímulo natural para a geração posto no organismo humano pelo mesmo Autor da natureza. Logo utilizá-lo em proveito próprio fora daquela muito alta finalidade é subverter a ordem natural das coisas, e, pelo mesmo, é em si intrinsecamente mau.

Segundo princípio: A luxúria perfeita ou imperfeita, involuntária em si mesmo, mas INDIRETAMENTE PERMITIDA ao realizar uma ação em si indiferente, pode ser pecado grave, leve ou nenhum pecado, segundo as razões que se tiveram para realizar aquela ação e o comportamento observado ao produzir o prazer venéreo não procurado.

Expliquemos, acima de tudo, os termos do princípio:

A LUXÚRIA PERFEITA ou IMPERFEITA, no sentido já explicado.

INVOLUNTÁRIA em si mesmo, ou seja, não procurada nem tentada direta nem indiretamente em si mesmo.

MAS INDIRETAMENTE PERMITIDA. Não é o mesmo querer uma coisa que permiti-la indiretamente quando há justa causa para isso, de acordo com as leis do voluntário indireto. Tornaremos em seguida sobre isto.

AO REALIZAR UMA AÇÃO DE EM SI BOA ou INDIFERENTE; por exemplo, ao reconhecer a uma doente, ao estudar certas matérias necessárias de medicina ou moral, ao tomar um banho quente, etc. Se a ação excitante fora já de sua má (v.gr., a assistência a um espetáculo imoral), não poderia invocar-se ao voluntário indireto, já que uma de suas regras fundamentais é que se realize e tente exclusivamente uma ação boa, ainda que dela se siga indiretamente um efeito mau.

PODE SER PECADO GRAVE, LEVE ou NENHUM PECADO, na forma que explicaremos em seguida.

SEGUNDO AS RAZÕES QUE SE TIVERAM PARA REALIZAR AQUELA AÇÃO. É o aspecto mais importante do princípio, que explicaremos em seguida detalhadamente.

E O COMPORTAMENTO OBSERVADO AO PRODUZIR O PRAZER VENÉREO NÃO PROCURADO. É outro aspecto fundamental. Se, ao produzir o prazer não procurado, consente-se voluntária e perfeitamente nele, comete-se sempre pecado mortal, embora a causa excitante se tenha posto por graves razões e sem intenção alguma pecaminosa. Se o consentimento for imperfeito, comete-se pecado venial por imperfeição do ato humano. E se se rechaça totalmente o prazer, não se comete pecado algum, contanto que a causa excitante se pôs por razões gravemente proporcionadas segundo as leis do voluntário indireto.

Expliquemos agora com detalhe os dois pontos que ficaram sem explicar, ou seja, os relativos à classe do pecado que se comete segundo as razões que tenha havido para permitir o efeito desordenado que se segue ou pode seguir-se de uma causa em si boa ou indiferente. A questão não é tão fácil como a primeira vista pudesse parecer, e é preciso, para resolvê-la com acerto, estabelecer com toda claridade e precisão umas quantas distinções muito importantes.

1.a. Há ações que de dele (per se) são aptas para excitar a deleite venérea (v.gr., um olhar ou toque francamente obscenos); e outras que em si nada têm que ver com o prazer venéreo, mas poderiam lhe excitar indiretamente (per accidens); por exemplo, comer ou beber em demasia, montar a cavalo, tomar um banho quente, etc.

2.a Entre as primeiras—ou seja, as que operaram per se — terá as que atuam próxima e notavelmente no efeito desordenado, de sorte que sempre ou quase sempre se produz de fato (v.gr., a vista prolongada das partes desonestas de uma pessoa de diferente sexo, uma leitura muito obscena, etc.); e outras que só influem remota e levemente (v.gr., a vista ou conversação com uma pessoa de aparência agradável, estreitá-las mãos ao cumprimentar-se, etc.).

3.a Há ações que excitam próxima e notavelmente a certas pessoas (v.gr., aos jovens, aos de temperamento muito ardente e passional, etc.) que não causam impressão alguma, ou só muito leve, a outras pessoas (v.gr., de temperamento frio ou de idade muito avançada, etc.).

4.a Ao realizar uma ação em si boa ou indiferente que produz ou pode produzir um efeito mau, poderiam existir razões gravemente proporcionadas para realizá-la, ou razões insuficientes, ou nenhuma razão absolutamente.

Tendo em conta estes princípios, eis aqui as conclusões a que se deve chegar:

1.a. É PECADO MORTAL realizar sem grave razão uma ação boa ou indiferente que influa próxima e gravemente no prazer venéreo (já seja por si mesmo ou pela especial psicologia de uma pessoa determinada), embora em algum caso concreto não se seguisse de fato aquele prazer. A razão é porque não é lícito a ninguém, sem grave causa, expor-se a perigo próximo de pecar gravemente (cf. n.256).

Grave causa a tem, v.gr., o médico. que deve reconhecer ao doente, o estudante de medicina que deve aprender anatomia ou obstetria, o sacerdote que tem obrigação de estudar a moral ou de ouvir confissões acidentadas, etc. Nenhum destes pecaria se ao realizar esses estudos ou desempenhar suas funções profissionais experimentassem algum prazer desordenado, com tal, naturalmente, que rechaçassem absolutamente o voluntário consentimento do mesmo.

Tampouco pecaria por este capítulo o que por uma larga experiência soubesse com toda certeza que não lhe excita carnalmente alguma ação de si boa ou indiferente que para outros resulta gravemente provocadora. Mas, como é natural, esta frieza subjetiva não poderia invocar-se para legitimar uma ação de si mesma má (v.gr., a assistência a um espetáculo imoral), porque se pecaria, ao menos, por razão do escândalo e da cooperação ao mal.

2.a É PECADO VENIAL realizar sem justa causa uma ação que influi tão somente per accidens, ou de maneira leve e remota, no prazer venéreo não procurado nem tentado direta nem indiretamente (v.gr., algum excesso na comida ou bebida, a vista e conversação com uma pessoa muito bela, etc.). A razão é porque, embora estas ações influem tão somente e remotamente no prazer venéreo, que, além disso, não se busca nem se tenta, pôr essas causas sem razão alguma e por puro capricho não deixa de envolver certa desordem, ao menos de imprudência e temeridade. Entretanto, como esta desordem não afeta diretamente à luxúria (já que neste caso seria grave, porque, como já havemos dito, não se dá DIMINUIÇÃO de matéria na luxúria diretamente intencionada), constitui tão somente um pecado venial, com tal, naturalmente, de rechaçar o consentimento ao prazer desordenado que possa produzir-se inesperadamente.

3ª. Não É PECADO ALGUM realizar com justa causa (v.gr., por necessidade, educação, utilidade ou conveniência) as ações que acabamos de indicar no parágrafo anterior (ou seja, as que influem só per accidens ou leve e remotamente). E com grave causa (v.gr., o exercício profissional de médicos, enfermeiros, etc.) inclusive as do primeiro parágrafo (ou seja, as que influem próxima e gravemente), com tal de tomar toda espécie de precauções de rechaçar no ato o prazer se se produzir. Entretanto, se a causa fora de tal maneira excitante e a própria debilidade tão grande que se tivesse certeza moral de que se produzirá o prazer e de que não se terá a suficiente energia para rechaçar o consentimento, seria absolutamente ilícito pôr aquela causa, embora para isso tivesse o interessado que abandonar sua própria profissão ou emprego, já que nem sequer para salvar a própria vida ou a do próximo é lícito jamais expor-se a perigo certo ou virtualmente inevitável de pecado.

Com estes dois princípios que acabamos de expor, bem compreendidos e assimilados, pode resolver com acerto toda a muito abundante casuística que expõe a luxúria em todas suas manifestações completas ou incompletas. Tudo gira em torno destes dois pontos fundamentais:
I.°, a luxúria diretamente tentada fora do legítimo matrimônio é sempre pecado mortal, sem que admita DIMINUIÇÃO de matéria (um simples movimento carnal, um simples olhar ao corpo de uma pessoa, basta para pecar mortalmente se com isso se tenta diretamente e experimentar um prazer ou deleite venéreo);

e 2.°, a luxúria involuntária, mas prevista, será pecado grave, leve ou nenhum pecado, conforme tenha havido ou não raciocínio proporcionadas para permiti-la e se rechaçou ou não o consentimento ao prazer desordenado no momento de produzir-se.
---

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Luxúria e a Burrice


Hoje ocorreu-me que a Luxúria e a Burrice são irmãs próximas e amigas. Posso estar dizendo algo que outros já disseram. E isto não desmerece o raciocínio; pelo contrário, tranqüilizar-me-ia saber que caminho na esteira do pensamento de outros - desde que estes outros nada mais quisessem que a Verdade.
Mas acompanhe-me, caro leitor, o raciocínio:
1) a Luxúria prende o homem ao seu corpo, torna-o um dependente do prazer estéril e efêmero que ele lhe pode dar; e com isso, preso ao corpo e à carne, que transcendência desejará o homem, que dedicação ao espírito e a inteligência poderá querer?
2) a Luxúria torna o homem um paspalhão; pouco a pouco vai perdendo o domínio de si mesmo, torna-se semelhante a uma égua no cio, que nada mais vê que não uma genitália, nada mais ouve que não um gemido; e com isso, como terá domínio de seu pensamento? Das cadeias de sua inteligência? Seu pensamento será tão livre e solto quanto a égua no cio - e o pensamento livre, sem a âncora da Verdade, é um passaporte para o erro...
3) a Luxúria torna o homem um depressivo; um prazer vazio de sentido é somente um prazer efêmero, passageiro, sem significado, morto; uma situação de tal maneira lastimável retira do prazer a felicidade que ele poderia proporcionar em outras circunstâncias - o matrimônio, o amor dos esposos - resultando numa depressão suicida; e se há este apego ao prazer vazio de sentido, onde poderá este homem encontrar prazer ao descobrir o sentido das coisas pelo uso de sua razão? E, tendo por prazer uma coisa efêmera e depressiva, como procurará este homem a Verdade eterna que torna os homens livres e felizes (cf. João 8,32)? Não impressiona que estejamos num tempo de relativistas e suicidas - estes últimos são os que relativizam a própria vida...
A Luxúria, a devassidão, gera a preguiça de pensar, a lassidão em estudar, a fadiga de usar a razão. A Luxúria, caro leitor, é irmã da Burrice.
Nós vivemos num tempo de burros.
"Invejo a burrice, porque é eterna", dizia Nelson Rodrigues.

Fonte: En Garde!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Jason Evert fala do que há de errado com a masturbação


 

Por Jason Evert

Para entender o que tem de errado com a masturbação, temos que compreender o objetivo e o sentido do sexo. Deus criou o sexo com o propósito da procriação e também da ligação amorosa. A masturbação não chega perto nem de uma coisa nem de outra. Ela apenas reforça o mito de que os homens “precisam” de gratificação e atividade sexual sempre que “desejam”. Se você parar para pensar, a masturbação é um tipo de “controle de natalidade” para pessoas que não têm “parceiro” sexual. Você quer o prazer, mas não quer seus efeitos: a criação de uma nova vida.

E quanto ao sentido do sexo, veja o que Deus planejou. Quando homem e mulher se casam, prometem um ao outro no altar que seu amor será livre, total, fiel, e aberto à vida. Quando eles fazem sexo, estão “falando” um para o outro esses mesmos votos matrimoniais, só que com o próprio corpo. Seu amor é livre: não é forçado nem dirigido pela luxúria. Ele é total: até que a morte os separe; eles não prendem nada para si, nem mesmo a própria fertilidade. Seu amor é fiel: inclui a mente, olhos, e o coração, bem como o corpo. É aberto à vida: não é deliberadamente esterilizado. Considere tudo isso que o sexo deve ser; com tudo isso, pode-se ver que a masturbação não chega nem a ser uma sombra de amor.

A masturbação também prejudica sua habilidade de amar, porque você está se ligando a fantasias. Durante o prazer sexual, o cérebro libera epinefrina, que ajuda a “imprimir” as imagens sexuais na memória. Deus planejou você para uma só mulher, por isso Ele quis que suas imagens fossem “marcadas” em seu cérebro “a ferro e fogo”, mas somente a beleza de sua mulher. Quando fugimos desse planejamento, nos ferimos. É por isso que a Bíblia diz: “Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo” (1 Cor 6, 18).

Se um homem nunca supera o hábito da masturbação, o que vai acontecer quando ele se casar?   Ele vai usar sua mulher como um objeto para o que ele pensa ser suas “necessidades sexuais”. Antes do casamento, ele pode pensar: “Cara, vai ser legal quando eu me casar um dia, então vou poder experimentar tudo isso de verdade”. Mas se ele se casar mesmo, logo cai descobrir que o sexo conjugal não é a plenitude da pornografia nem da masturbação. Essas coisas são uma distorção do amor – são dominadas pela luxúria e pelo egoísmo, ao invés do amor e do altruísmo.

Se você olhar para as qualidades que uma mulher espera de um homem – coragem, altruísmo, força, honra, confiança – você vai descobrir que a masturbação é quase que o oposto disso tudo. Ao invés de crescer na confiança, a masturbação enfraquece a imagem que um homem tem de si mesmo. Ao invés de fazê-lo corajoso e forte, ele o rouba de sua coragem.

Deus não nos deu esse desejo sexual forte para gastarmos conosco mesmo e nos tornarmos escravos de nossas próprias fraquezas. João Paulo II, antes de se tornar Papa, disse: “Deus, que é Pai, que é Criador, plantou um reflexo de seu poder criador no homem... Devemos cantar hinos de louvor a Deus Criador por essa imagem dEle em nós – e não apenas em nossas almas, como também em nossos corpos.”(1)

Nosso mundo precisa desesperadamente da renovação da verdadeira paternidade, e não importa a que vocação somos chamados, devemos amadurecer nesse papel. A idéia de se tornar um pai pode parecer distante, mas as virtudes ou vícios que praticamos agora é que irão forjar quem seremos no futuro. Que possamos começar nossa batalha contra nossas tendências egoístas, e começar a aprender o auto-controle. Embora a masturbação possa ser um hábito muito tentador, ela pode – e deve – ser superada.
________________________
(1) Karol Wojtyla, “The way to Christ” (San Francisco: Harper, 1982), 55-56.

Trecho do livro: “Pure Manhood”, de Jason Evert, págs. 27-30. (San Diego: Catholic Answers, 2007).

Fonte: Vida e Castidade

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pornografia impede desenvolvimento de uma saudável identidade sexual nos meninos



Meninos que vêem pornografia regularmente têm mais probabilidade de ter relações sexuais e perturbar as meninas na escola.
Michael Flood, pesquisador do Centro Australiano de Pesquisa de Sexo, Saúde e Sociedade, da Universidade La Trobe, disse que a exposição de crianças à pornografia resulta numa “ampla variedade de efeitos importantes e muitas vezes preocupantes”.
“A exposição à pornografia”, escreveu Flood, “ajuda a sustentar a fidelidade dos mais jovens a noções sexistas e prejudiciais acerca do sexo”.Flood, um sociólogo australiano da Universidade de Wollongong, disse que isso se aplica principalmente a meninos e homens que usam pornografia freqüentemente.
Com materiais mais violentos, “o consumo intensifica atitudes que apóiam a coerção sexual e aumenta sua probabilidade de cometer agressões”.“Embora crianças e jovens sejam seres sexuais e mereçam materiais apropriados para suas idades acerca do sexo e sexualidade, a pornografia é um educador sexual medíocre e realmente perigoso”, disse ele.
Em outubro do ano passado, o Instituto de Criminologia do governo australiano publicou um estudo que diz que “é bem elevada” a probabilidade de que um jovem seja exposto à pornografia antes da idade legal.“Existem preocupações, entre pais e formuladores de políticas públicas, de que a exposição prematura e generalizada à pornografia está mudando a natureza das atitudes, condutas e relacionamentos sexuais íntimos e potencialmente contribuindo para a violência sexual na sociedade”, escreveu Judy Putt, a gerente geral de pesquisa do Instituto.
“A proliferação de materiais pornográficos e seu acesso fácil são tais que não é uma questão de se um jovem será exposto à pornografia, mas quando”. Jovens estão sendo “inundados” de “informações sexuais”, escreveu Putt, “antes de terem o desenvolvimento e capacidade de integrá-las numa saudável identidade sexual”.
Uma pesquisa de 2003 feita por telefone com 200 jovens australianos entre as idades de 16 e 17 revelou que 73 por cento dos rapazes foram expostos a vídeos pornográficos, com 5 por cento expostos semanalmente e 16 por cento expostos três a quatro vezes por semana. A pesquisa revelou que 84 por cento dos rapazes foram acidentalmente expostos à pornografia na internet, com 38 por cento usando a pornografia de internet deliberadamente. Isso foi comparado com dois por cento das mulheres que usam a internet para ver pornografia.
Fonte: Noticias Pró Família

Fonte: Modéstia Masculina (Modéstia São José)

domingo, 29 de julho de 2012

Tentei, mas não era possível - Tihamer Toth


Por D. Tihamer Toth


O acabrunhamento e o desânimo vêm muitas vezes de não saberem os jovens distinguir entre esforço perseverante e simples desejo. Queixam-se facilmente, dizendo: “Quantas vezes tentei livrar-me desse defeito! Quantas vezes experimentei tornar-me melhor! Quantas vezes quis fazer isto ou aquilo!... Mas não era possível!”

Pois bem, esses jovens nem quiseram realmente, nem tentaram seriamente. Apenas pensaram que no futuro seriam melhores porque “queriam” sê-lo; e nada fizeram para atingir esse objetivo. Há uma diferença considerável entre “eu queria” e “eu quero”. O primeiro é um soldado de papelão que não intimidará a ninguém, e menos ainda aos próprios defeitos. O segundo, ao contrário, é uma potência capaz de vencer o mundo, e que saberá esmagar todos os seus defeitos.

Por uma radiosa tarde de maio, um jovem estudava junto à janela aberta. De repente, um besouro entrou no quarto e abateu-se sobre a mesa. O pobre inseto caíra de costas, e o estudante pôs-se a observá-lo. Que ia fazer? O besouro girou, golpeou o ar com as patas, mas sem conseguir reerguer-se. É o “eu queria” – “Se ficar assim, morrerei de fome, ou correrei o risco de ser esmagado”, pensaria, de certo. Mas, depois de muito trabalho, consegue estender as asas sobre as quais estava deitado, e abri-las. Zumbe furiosamente, debate-se com todas as forças... e se põe de lado. – “Não é o momento de descansar. Seu eu o fizesse, estaria perdido”, diz então a si mesmo. E torna a dar-se ao trabalho... torna a cair sobre as patas... retoma o vôo para nova meta no azul do céu. Isso é o “eu quero”... O besouro voou, mas ensinou-te a diferença entre o “eu queria” e o “eu quero” triunfante!

“Tentei, mas não era possível!” – Perdão, meu amigo, preciso lhe dizer francamente a minha opinião: Não é verdade, você não tentou. Apenas disse a si mesmo que seria bom tentar. Você é desses fracos, inconstantes – há tantos no mundo! – que não ousam agarrar as suas paixões pela garganta, com firmeza. Seria, contudo o único meio de se libertar do império que as paixões desordenadas exercem sobre você.

“Tentei” – Mas então por que voltou a tornar a ver o fruto que não queria mais tocar?... Sabia, por experiência própria, que o sabor desse fruto é bem amargo, e, entretanto, queria conhecê-lo de novo... Sim, por que é que você cedia um pouco todos os dias na boa resolução que tinha tomado com tamanho entusiasmo?

Acredita você que Cristóvão Colombo teria jamais descoberto a América, se se tivesse deixado desanimar pelos seus primeiros fracassos? Não teve ele até que solicitar ajuda em diferentes países para cobrir os gastos da sua viagem? Zombaram dele, chamaram-lhe de aventureiro, trataram-no como fanático. Mas ele se apegava apaixonadamente ao seu projeto. Não tinha ele todas as razões de crer que, além dos mares, como nem tudo podia ser oceano, devia haver um continente desconhecido?... E ele empreendeu a sua grande viagem de exploração, da qual os seus contemporâneos não acreditavam pudesse voltar.

Você faria bem em adotar o lema daquela ilha da Holanda chamada Seeland. A maior parte dessa ilha está situada abaixo do nível do mar, e só à custa de trabalhos contínuos é que ela pode defender-se contra a invasão das águas. Mais de uma vez, é verdade, fracassou nessa luta contra o mar, e o oceano invadiu-a... Porém ela traz, apesar disso, em seu brasão, a altiva e célebre frase: “Luctor et emergo!”. “Luto e consigo emergir!”.
______________________________________

Trecho do livro “O Moço de Caráter”, de D. Tihamer Toth. Taubaté: Editora SCJ, 1952.


Fonte: Vida e Castidade
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...