Mostrando postagens com marcador Pecado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pecado. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de março de 2017

Grandes batalhas forjam grandes homens - BRAVUS



Por Rodrigo Nascimento

Se caio a cada instante, na fé confiante farei com que Ele me levante” (Santa Elizabete da Trindade)

Para aqueles que lutam arduamente para se manterem longe do pecado, cada situação de queda traz à tona a impotência e frustração. É um misto de falta de esperança em nós mesmos e questionamento acerca da ação de Deus.

No que diz respeito a nós, nos enganamos em achar que, com nossas próprias forças, temos capacidade de permanecer puros. E a frustração está precisamente em nos depararmos com nossa limitação. A respeito de Deus, passamos a questionar se Ele, de fato, está realmente intervindo, com Sua graça, para que não mais pequemos ou se está nos deixando à nossa própria sorte.

Esses dois aspectos têm sua fonte na soberba, enraizada em nós como consequência do pecado original. No nosso íntimo, travamos uma batalha entre sermos totalmente dependentes de Deus e bastarmos a nós mesmos. Esse é o ponto central de nossa conversão, principalmente a nós, homens, que tendemos à independência e à autossuficiência.

Todavia, há situações que se nos apresentam que tiram completamente o controle das nossas mãos e nos violentam profundamente, colocando em xeque a nossa percepção de si e de nossa capacidade de intervir e solucionar.

São grandes batalhas. Podem se apresentar como pecados com os quais lutamos ao longo de anos — e frequentemente caímos, apesar do esforço —; enfermidades que implodem o frágil edifício da nossa inconsciência de que somos transitórios; situações adversas que nos “tiram o chão”. Nesses casos, porque Deus permite que isso ocorra?

"E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, em verdade, muito bom” (São Thomas More).

Justamente, temos de contemplar as batalhas como providência de Deus para a nossa conversão e salvação.

Os metais preciosos são forjados no fogo, a altas temperaturas, e são completamente desfigurados e, depois, inseridos num molde e reconstruídos para uma finalidade específica. Esse calor intenso, não altera somente a forma, mas, sobretudo, as propriedades do metal, aumentando sua rigidez e durabilidade.

Tais batalhas podem, na graça, se tornar essa grande forja em que almas santas são remodeladas com uma única finalidade: romper-se em caridade ardente e completa, fundindo-se, para todo o sempre, com Deus. Isso desde que tenhamos nosso coração ancorado no céu; a pátria celeste deve ser sempre o horizonte.

Os tempos de luta permitem que nossa alma se fortaleça, aumentando a nossa esperança em Deus e descobrindo a nossa limitação. O esforço para ser melhor, tendo-se reconhecido os limites humanos e, por outro lado, abandonando-se à graça, é a grande fornalha que forma os guerreiros mais nobres, almas santas e virtuosas.

Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros” (I Cor 9,25-27).

A vida de oração é a porta de entrada através da qual nosso esforço encontra a graça. É um antídoto para a soberba e um alento para as quedas. É a arma essencial nessa batalha que perdura ao longo da vida. Batalha esta que nós, homens, devemos assumir com urgência.

Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo a virilidade necessária.

Fonte: Bravus, pela hombridade.

O que é um pecado mortal? - Padre Paulo Ricardo

103. O que é um pecado mortal?



Todo pecado é uma ação contrária ao amor de Deus, mas existem faltas mais graves do que outras, às quais a Igreja costuma dar o nome de "pecado mortal".

Em que consiste esse tipo de pecado e o que ele faz com a pessoa que o comete? E quanto aos pecados mais leves, seriam eles por acaso desprezíveis?

É o que Padre Paulo Ricardo esclarece neste episódio de "A Resposta Católica".

O Catecismo da Igreja Católica define o pecado como "uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como uma palavra, um ato ou um desejo contrário à lei eterna" (CIC 1849). Resumidamente, o pecado é uma ação contrária ao amor de Deus. Do mesmo modo que o homem é livre para amar e praticar a caridade, também é livre para desobedecer.

É sabido também que existe uma grande variedade de pecados e, apesar de todos serem uma ofensa a Deus, estão separados em diferentes graus. A Sagrada Escritura traz várias listas e descrições. Por exemplo, São Paulo na Carta aos Gálatas diz que: "as obras da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos previno, como já vos preveni, os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus" (5,1 9-21)

O pecado, conforme sua gravidade, pode ser dividido em pecado mortal ou pecado venial. Por pecado venial entende-se aquele ato que não separa o homem totalmente de Deus, mas que fere essa comunhão. Já o pecado mortal, por sua vez, atenta gravemente contra o amor de Deus, desviando o ser humano de sua finalidade última e da bem-aventurança. Ensina o Catecismo:
"O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Envolve também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal. A ignorância afetada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado." (CIC 1859)

Isso significa que o pecado mortal só acontece quando o indivíduo comete um delito contra Deus, consciente desses três requisitos citados acima, não somente pela matéria grave. Por exemplo, se uma pessoa - sem formação moral e intelectual adequada e sem condições de adquirí-la - pratica uma ação pecaminosa, ela pode ser isenta de culpa, pois se enquadra no caso da ignorância invencível. Por outro lado, existe também a ignorância afetada, que é quando a pessoa tinha condições de conhecer a verdade, mas preferiu não conhecê-la. Neste caso, o indivíduo peca gravemente.

Na prática, o que um pecado mortal pode fazer com a pessoa que o comete? O mesmo Catecismo ensina que:

"O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. No entanto, mesmo podendo julgar que um ato é em si falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus." (CIC 1861)

"O pecado cria uma propensão ao pecado; gera o vício pela repetição dos mesmos atos. Disso resultam inclinações perversas que obscurecem a consciência e corrompem a avaliação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não consegue destruir o senso moral até a raiz." (CIC 1865)

Mas o que dizer, então, dos pecados veniais? Eles são desprezíveis? Não, pois um pecado mortal é gerado por uma multidão de pecados veniais que foram cometidos antes. O pecado venial, embora pareça sem importância, é um passo que conduz ao abismo. Um após o outro, leva a pessoa para o buraco, que é o rompimento da amizade com Deus. O Catecismo cita Santo Agostinho para explicar melhor como se dá a ação dos pecados veniais:

"O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideres insignificantes, se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão..." (CIC 1863)

Portanto, para evitar o rompimento da amizade com Deus, ou seja, cometer um pecado grave, é preciso combater os chamados pecados veniais, os quais são passos que se dão em direção ao abismo. Nesse sentido, o sacramento da confissão é o remédio eficaz que pode refrear essa triste caminhada.

Fonte: padrepauloricardo.org

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Reparação pelos pecados do Carnaval: A Santa Missa é a melhor reparação - Padre Daniel Pinheiro (Sermão)

Em nome do Pai…
Ave Maria…

Caros católicos, lá está Nosso Senhor abandonado no Jardim das Oliveiras, sem ninguém para vigiar com Ele, sem ninguém que o acompanhe na oração. Aqueles que Ele veio salvar, o traem, se entregando, sem hesitação ao pecado. E nós, que dizemos ser discípulos dEle, dormiremos ou acompanharemos Jesus em sua agonia pelos pecados abomináveis cometidos durante o carnaval? Se um só pecado ofende a Deus, o que dizer do carnaval em que tantos e tão torpes pecados se concentram em tão pouco tempo? É bem verdade que em nossa sociedade vivemos praticamente um carnaval constante. Sem dúvida, porém, nesse tempo em que a razão é deixada de lado, em que a lei divina é deixada de lado pelos homens, as ofensas chegam ao extremo.

Pelos pecados impuros, o homem se assemelha aos animais brutos, que buscam uma satisfação sem causa, sem motivo, irracional. Por um momento de satisfação se perde o céu e se merece o inferno, por tão pouca coisa. Se não vale perder a alma pelo mundo inteiro, quanto mais por um pecado torpe, caros católicos. Nossa razão nos mostra e a Revelação nos confirma que esses atos devem estar voltados para a procriação, e para a procriação dentro do matrimônio indissolúvel, entre um homem e uma mulher, para que se eduquem bem os filhos.

Pelos pecados em geral e pelos pecados do carnaval, em particular, se ofende a Deus criador, se ofende a Deus legislador, a Deus que se fez homem para nos salvar. Deus detesta tanto o pecado e ama tanto a santidade, que, para destruí-lo, não recusou morrer na Cruz, sofrendo imensamente. Deus amou tanto o mundo que Ele enviou seu próprio Filho. E Cristo, Filho de Deus, nos amou tanto que morreu na Cruz para nos tirar do pecado… O próprio Deus que entrega sua vida por nós… E nós recusamos essa salvação por nossos crimes, por nossos pecados, por nossos caprichos… E como nós somos rápidos para pecar e ofender a Deus e como somos lentos para nos arrepender e reparar pelos nossos pecados.

Prezados católicos, precisamos reparar pelos nossos pecados e pelos pecados do nosso próximo. Precisamos desagravar o Sagrado Coração de Cristo do peso dos pecados. Como fazer para reparar pelos pecados do carnaval, para desagravar o Coração de Cristo? Reparar nada mais é do que oferecer à pessoa ofendida o que lhe agrada mais do que a ofensa lhe desagradou. Como reparar pelo pecado mortal, incessantemente cometido durante o carnaval? O pecado mortal é uma ofensa infinita a Deus? Como podemos nós, pobres seres humanos e, portanto, finitos, limitados, reparar por tantas ofensas infinitas? Existe uma só solução. Devemos nos unir a Cristo, pois Cristo, sendo homem e Deus, agrada infinitamente a Deus. Assim, caros católicos, em união com Cristo, quer dizer, em estado de graça, e com desejo de agir por amor a Deus, poderemos imitar Santa Maria Madalena de Pazzi, que passava as noites inteiras do carnaval diante do Santíssimo oferecendo a Deus o sangue de Cristo pelos pobres pecadores – espero que possamos fazer isso no ano que vem, com a tradicional devoção das 40 horas de adoração ao Santíssimo durante o carnaval. Unidos a Cristo, poderemos imitar o Bem-aventurado Henrique Suso, que durante o carnaval guardava um jejum rigoroso, a fim de expiar as intemperanças cometidas. Unidos a Cristo, poderemos imitar São Carlos Borromeu, que durante o carnaval, castigava seu corpo com penitências. Unidos a Cristo poderemos imitar São Felipe Neri, que visitava o santuário e fazia exercícios espirituais. Unidos a Cristo, poderemos imitar os santos, procurando santificar ao máximo esse tempo em que se cometem tantas e tantas abominações.

Todavia, caros católicos, a melhor reparação está aqui, diante de nós: a Santa Missa. Aqui é o próprio Cristo que repara pelos pecados, é o próprio Cristo que é oferecido em expiação pelos pecados. Sem a Santa Missa, já teríamos merecido há muito tempo o castigo de um dilúvio ou de uma destruição equivalente à de Sodoma e Gomorra. É a Santa Missa, o sacrifício de Cristo renovado no altar, que impede castigo semelhante.

Essa reparação pela Santa Missa, porém, será plena, de nossa parte, se nos oferecermos juntamente com Cristo durante a Missa. Nos oferecermos não somente com palavras, da boca para a fora, mas nos oferecermos realmente, com tudo o que somos e temos, oferecendo-nos sem reservas, para que Cristo faça conosco segundo a sua vontade, para que possamos reparar pelos pecados, nossos e do nosso próximo. Ofereçamo-nos, então, junto com Cristo durante a Santa Missa, em reparação pelos pecados do carnaval.

E peçamos muitas vezes nesses dias: Meu Jesus, misericórdia.

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Blog São Pio V.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

A Paixão de Jesus Cristo e os divertimentos do carnaval.


Consummabuntur omnia, quae scripta sunt per prophetas de filio hominis — “Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas, tocante ao Filho do homem” (Luc. 18, 31).

Sumário. Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. A nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para compadecermos do seu divino Esposo, e o consolarmos com os nossos obséquios, ao passo que os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Não temos por ventura bastantes motivos para isso?

I. Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Tradetur gentibus — “Ele vai ser entregue aos gentios”. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!

Illudetur, flagellabitur et conspuetur — “Ele será mortejado, flagelado e coberto de escarros”. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra Santo Nome de Deus! — Et postquam flagellaverint, occident eum — “Depois de o terem açoitado, o farão morrer”. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, ah! Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.

É exatamente isto que Jesus Cristo quis dizer a Santa Gertrudes aparecendo-lhe num domingo de Qüinquagésima, todo coberto de sangue, com as carnes rasgadas, na atitude do Ecce Homo, e com dois algozes ao lado, os quais lhe apertavam a coroa de espinhos e o batiam sem piedade. Ah! Meu pobre Senhor!

II. Refere o Evangelho em seguida, que, aproximando-se Jesus de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada e pedia esmolas. Ouvindo passar a multidão, perguntou o que era. Sabendo que passava Jesus de Nazaré, apesar de a gente o ralhar, a fim de que se calasse, não cessava de gritar: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim (1). Por isso mereceu que, em recompensa de sua fé, o Senhor lhe restituísse a vista: Fides tua te salvum fecit — “A tua fé te valeu”.

Se quisermos agradar ao Senhor, eis aí o que também nós devemos fazer. Imitemos a fé daquele pobre cego, e neste tempo de desenfreada licença, enquanto os outros só pensam em se divertir com prazeres mundanos, procuremos estar, mais que de ordinário, diante do Santíssimo Sacramento. Não nos importemos com os escárnios do mundo, lembrando-nos do que diz São Pedro Crisólogo. Qui iocari voluerit cum diabolo, non poterit gaudere cum Christo — “Quem quiser brincar com o demônio, não poderá gozar com Cristo”. Quando nos acharmos em presença de Jesus no tabernáculo, peçamos-lhe luz para detestarmos as ofensas que o magoam tão profundamente. Peçamos-lhe não somente para nós mesmos, senão também para tantos irmãos nossos desviados: Domine, ut videam — “Senhor, fazei-me ver”.

Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o vosso pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo Espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição. Ah! Pelos merecimentos de vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam, Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se. — Protegei-me sempre com a vossa poderosa mão, a fim de que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente. Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo. “Atendei, Senhor, benigno às minhas preces, e soltando-me das cadeias do pecado, preservai-me de toda a adversidade.”(2) † Doce Coração de Maria, sêde minha salvação.


---------------
1. Luc. 18, 38.
2. Or. Dom. curr.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 279 - 282.)
Créditos: Blog São Pio V

Para os dias de Carnaval: O pecador não quer obedecer a Deus - Santo Afonso


A saeculo confregisti iugum meum, rupisti vincula mea, et dixisti: non serviam — “Quebraste desde o princípio o meu jugo, rompeste os meus laços, e disseste: não servirei” (Ier. 2, 20).

Sumário. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus, como a seu supremo Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não quer obedecer-lhe, e cada vez que peca, diz por suas obras com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir — Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam. Irmão meu, é isso o que tu também fizeste, se jamais tiveste a desgraça de pecar.

I. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus como ao seu soberano Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-Lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não Lhe quer obedecer, e cada vez que peca, diz, por suas obras, com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir. Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam — “Quebraste o meu jugo e disseste: não servirei”.

O Senhor lhe diz: não te vingues, e o homem responde: quero vingar-me; — não te aposses dos bens alheios: quero apossar-me deles; — abstém-te desse prazer desonesto: não quero abster-me. O pecador fala a Deus do mesmo modo que o Faraó, quando Moisés lhe levou da parte de Deus a ordem de restituir o seu povo à liberdade. Aquele temerário respondeu: quem é esse Senhor, para que eu ouça a sua voz? Não conheço o Senhor (1). O pecador diz a mesma coisa: Senhor, não Vos conheço, quero fazer o que me agrada. Numa palavra, ultraja-O face a face, e volta-Lhe as costas. No dizer de Santo Tomás, é isso exatamente o pecado mortal: o voltar às costas a Deus, o Bem incomutável. É disso também de que o Senhor se queixa: Tu religuisti me, dicit Dominus; retrorsum abiisti (2). Foste ingrato, assim fala Deus, porque me abandonaste, ao passo que eu nunca te teria abandonado: retrorsum abiisti, voltaste-me as costas.

Deus declarou que odeia o pecado; portanto não pode deixar de odiar igualmente a quem o comete. E o homem, quando peca, ousa declarar-se inimigo de Deus e resiste-lhe na face: Contra Omnipotentem roboratus est — “ele se fez forte contra o Todo-poderoso”, diz Jó (3). O mesmo santo varão acrescenta que levanta o colo: isto é, o orgulho, e corre para insultar a Deus: arma-se com uma testa dura, isto é, com ignorância, e diz: Quid feci? Que é que fiz? Onde está o grande mal que fiz pecando? Deus é misericordioso; perdoa aos pecadores. Que injúria! Que temeridade! Que insensatez!

II. Irmão meu, se nós também no passado quebramos o jugo suave do Senhor, e recusando-Lhe a obediência tornamo-nos escravos do demônio, peçamos agora, humilhados e contritos, perdão de nossos pecados; esforcemo-nos, com o nosso arrependimento, e com os nossos obséquios, em reparar um pouco as muitas ofensas que, particularmente nestes dias de carnaval, são feitas a nosso Pai celestial.

Eis aqui a vossos pés, meu Deus, o rebelde, o temerário que tantas vezes teve a audácia de Vos injuriar no rosto e de Vos voltar às costas, mas que agora Vos pede misericórdia. Vós dissestes: Clama ad me, et exaudiam te (4) — “Clama a mim e eu te atenderei”. Um inferno ainda é pouco para mim: confesso-o; mas sabeis que tenho mais dor por Vos haver ofendido, ó Bondade infinita, do que se houvesse perdido todos os meus bens e a vida. Ah! Meu Senhor; perdoai-me e não permitais que Vos torne a ofender. Vós por mim esperastes, a fim de que bendiga para sempre a vossa misericórdia, e Vos ame. Sim, bendigo-Vos, amo-Vos e espero pelos merecimentos de Jesus Cristo, nunca mais separar-me do vosso amor. Foi o vosso amor que me livrou do inferno, esse mesmo amor deve livrar-me do pecado no futuro.

Agradeço-Vos, meu Senhor, estas luzes e o desejo que me inspirais de sempre Vos amar. Peço-Vos que tomeis plena posse de mim, de minha alma, de meu corpo, das minhas faculdades, dos meus sentidos, de minha vontade e da minha liberdade: Tuus sum ego, salvum me fac (5) — “Eu sou vosso; salvai-me”. Vós que sois o único bem, o único amável, sêde também o meu único amor. Dai-me fervor em Vos amar. Já Vos ofendi muito; portanto não me posso contentar com amar-Vos simplesmente; quero amar-Vos muito para compensar as injúrias que Vos fiz. De Vós espero esta graça porque sois todo-poderoso; espero-a também, ó Maria, das vossas orações, que são todo-poderosas para com Deus. (*II 68.)
----------
1. Ex. 5, 2.
2. 3 Reg. 12, 28.
3. Iob. 15, 25.
4. Ier. 33, 3.
5. Ps. 118, 94.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 252 - 254.)
Créditos: Blog São Pio V

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O que Chesterton diria sobre o “casamento gay”?

Por Dale Ahlquist | Tradução: Equipe CNP — Um dos temas prementes na época de Chesterton era o "controle de natalidade". Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o "casamento gay". Não só a ideia, como também o nome está errado: o "casamento gay" não é gay, no sentido original do termo [1], nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o "amor livre" (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista (Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, "esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam" [2].

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido "ou com ataques ou com o silêncio" — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: "A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual" [3]. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a "simples mitologia" produziram uma perversão entre os gregos. "Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem". Qualquer jovem, ele diz, "que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples" sente um repúdio natural pela homossexualidade porque "ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum". Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É "a ilusão da familiaridade" quando "uma perversão se torna uma convenção" [4].

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra "gay". Ele escreve sobre a "poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde", "a religião do carpe diem". Carpe diem significa "aproveite o dia", faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. "No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes" [5]. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis,"no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano" [6]. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando "perverter o futuro e desfazer o passado". Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de "o chefe dos decadentes" [7], Chesterton diz que ele cometeu um "erro monstruoso", mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. "A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição" [8].

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado "altamente civilizado", por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: "Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível".

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: "Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo" [9].

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal [10]. Legalizar o "casamento" homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
Notas e referências
Antes de significar "homossexual", a palavra inglesa gay remetia simplesmente à ideia de alegria e despreocupação.
CHESTERTON, G. K. The Superstition of Divorce. London: Chatto & Windus, 1920, p. 63.
______. The Next Heresy. In: The Chesterton Review 26 (3), p. 295-298 (2000).
______. O Homem Eterno (trad. de Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 164-165.
______. Hereges (trad. de Antônio Emílio Angueth de Araújo). 3. ed. Campinas: Ecclesiae, 2012, p. 119.
______. Saint Francis of Assisi. London: Hodder and Stoughton, 1923, p. 30.
______. The Victorian Age in Literature. London: Williams and Norgate, 1913, p. 226.
______. Oscar Wilde. In: On Lying in Bed and Other Essays. Calgary: Bayeux Arts, 2000, p. 248.
______. The Flying Stars. In: A Inocência do Padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2011.
Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado desde a famosa decisão Roe vs. Wade, de 1973.

Créditos: Site Padre Paulo Ricardo

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Padre Daniel Pinheiro IBP - O combate pela virtude da castidade [Sermão]


“Tudo o que fizerdes, em palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando por Ele graças a Deus Pai.”

Na parábola de hoje, NS diz que, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo e semeou cizânia no meio do trigo e foi-se. Entre a cizânia semeada, podemos destacar o pecado da impureza, que tão grande mal faz às almas e à sociedade e que abunda na sociedade, em todos os meios. Diz o Santo Cura d’Ars que nenhum pecado destrói tão rapidamente a alma quanto esse pecado vergonhoso que nos tira da mão de Deus e nos joga na lama. São Tomás de Aquino diz algo semelhante: pela luxúria ou impureza somos afastados ao máximo de Deus. Os santos não estão dizendo aqui que o pecado da impureza é, em si mesmo, o pecado mais grave. O pecado de ódio a Deus ou um pecado contra a fé são em si mais graves, por exemplo. Todavia, os santos dizem que a impureza afasta mais de Deus que outros pecados em virtude da dificuldade em emendar-se quando se contrai o mau hábito de cair nesses pecados vergonhosos. Levado pela ferida do pecado original, o ser humano se deixa escravizar facilmente por esse pecado. E daí vêm consequências gravíssimas. Sobre as consequências drásticas desse pecado para uma alma e para a sociedade, sobre as filhas da luxúria ou impureza, falamos em um importante sermão nos dias do carnaval. Não custa enumerar essas consequências novamente. O vício da impureza gera: cegueira de espírito, precipitação, inconsideração, inconstância, amor desordenado de si mesmo, ódio a Deus, apego à vida presente, desespero com relação à salvação. A luxúria, por tudo isso, leva também a pessoa a perder a fé, a desprezar as verdades reveladas e a se obstinar no pecado, esquecida do juízo e do inferno. Para fazer uma alma perder a fé, é muitas vezes mais eficaz fazê-la se afundar na luxúria do que combater a fé diretamente. As músicas sensuais pelas letras e ritmos, filmes, roupas indecentes, etc., contribuem muitíssimo para a perda da fé sem atacá-la diretamente. Os que combatem a Igreja sabem muito bem disso. Podemos citar ainda, entre as filhas da luxúria, o aborto, que é assassinato, e a eutanásia, que é suicídio ou assassinato. A luxúria leva ao aborto porque as pessoas querem satisfazer suas paixões desordenadas sem responsabilidade. Leva à eutanásia porque se a pessoa já não pode aproveitar a vida, melhor que morra. Quantos males gravíssimos e quantas calamidades espirituais são causados pela busca de um prazer desordenado instantâneo, passageiro. Se de nada vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se ele vier a perder a sua alma, o quanto vale ao homem cometer tão vergonhoso e torpe pecado, que lhe faz perder o céu e merecer o inferno? Diz Santo Afonso que, entre os adultos, poucos se salvam por causa desse pecado. Ele dizia isso no século XVIII. Podemos imaginar a situação em nossos dias… Por tão pouca e vergonhosa coisa.

Tendo, então, uma breve ideia das consequências desse pecado, procuremos os meios para adquirir ou avançar na virtude oposta a esse vício, quer dizer, na virtude da castidade. A virtude da castidade é a virtude derivada da virtude de temperança que nos faz ordenar o apetite venéreo conforme a razão iluminada pela fé, que reconhece que isso se reserva aos cônjuges no bom uso do matrimônio, isto é, sem que a procriação seja impedida, podendo, nesse caso, ser verdadeiramente um ato meritório diante Deus. Nossa razão reconhece que esse ato é ordenado à procriação e subsequente educação dos filhos, que se deve fazer dentro de um matrimônio indissolúvel.

Para que possa haver castidade, é preciso que haja primeiro, nos diz São Tomás, a vergonha e a honestidade. A vergonha é o sentimento louvável de temer a desonra e a confusão que são consequência de um pecado torpe. A honestidade é o amor à beleza que provém da prática da virtude. Devemos ter essa vergonha e essa honestidade. Outra raiz da pureza é a modéstia no nosso exterior, no falar, nos modos, no vestir, etc. Sem a modéstia, a pureza será impossível para nós e seremos também causa da queda dos outros.

Colocadas essas bases, para alcançar a castidade, é preciso também rezar muitíssimo, pedindo essa graça. Rezar, sobretudo, para Nossa Senhora, Mãe Castíssima, que sabe ensinar a seus filhos a castidade. A devoção das três Ave-Marias quando se acorda e antes de dormir, pedindo a graça da pureza é muito eficaz para se adquirir a pureza ou para perseverar nela. Também a devoção a São José é muito eficaz no combate pela pureza, pela castidade, sobretudo para os homens. São José ensina aos homens a verdadeira virilidade, que consiste em ter o domínio sobre suas paixões. O homem que se deixa levar pelas paixões, pela impureza é considerado em nossa sociedade decadente como viril. Ora, esse homem é, ao contrário, efeminado, pois efeminado, tecnicamente, é aquele que se deixa levar pelas paixões, pelas más inclinações, que não tem força para combatê-las e vencê-las, em virtude da tristeza e das dificuldades que existem na prática da virtude. Portanto, a devoção a São José vai nos ensinar a verdadeira virilidade, que consiste na castidade. Como diz o Salmo (30, 25): Agi com virilidade e fortalecei o vosso coração, vós que esperais no Senhor. Viriliter agite et confortetur cor vestrum qui speratis in Domino. Invocar o nome de Jesus, Maria e José é de uma eficácia particular para se obter a pureza.

Para sermos castos, é preciso também mortificar os sentidos, sobretudo os olhos. Jó fez um pacto com seus olhos para não olhar para as moças e, assim, se manteve casto. Evitar a vã curiosidade, não parar os olhos em algo que possa suscitar maus pensamentos ou imaginações. E, justamente, é preciso mortificar nossa imaginação, controlando-a, ordenando-a.

É preciso evitar também as ocasiões de pecado, isto é, os ambientes, as pessoas, as coisas, as circunstâncias que podem levar a pecados contra a pureza. Muito cuidado é necessário no namoro ou no noivado. Namorados e noivos devem estar sempre em locais públicos que lhes impeçam de cometer pecados contra a pureza. Devem evitar andar de carro sozinhos, por exemplo. Namoro e noivado devem durar entre um e dois anos, tempo suficiente para conhecer a alma do outro, e que impede o surgimento de familiaridades indevidas. Bastaria um beijo apaixonado para haver um pecado grave entre namorados e noivos (conforme decreto do Santo Ofício de 1666, sob o Papa Alexandre VII). Os pecados contra a pureza aqui prejudicam também o correto juízo que se deve fazer da alma do outro, de suas qualidades e defeitos, a fim de saber se é possível ou não viver uma vida inteira com a pessoa… Levada pelos sentimentos e paixões, o julgamento será falseado.

Outra ocasião de pecado muito séria hoje é o computador, a internet. Deve-se usar a internet com um objetivo preciso, definido, fazendo uma oração antes ou depois. Quem navega à toa na internet dificilmente se preserva de pecado nessa matéria. Redes sociais também são grande fonte de perigo. Se uma pessoa já caiu várias vezes por meio de internet, reze antes de usá-la, coloque uma imagem de Nosso Senhor ou Nossa Senhora perto, para lembrar a presença de Deus, utilize o computador em local público, a que outras pessoas têm acesso. Se nada disso adianta, a solução é simples: renunciar à internet, ao menos temporariamente: mais vale entrar no céu sem internet do que com a internet ser condenado eternamente. O mesmo vale para TV, filmes e coisas do gênero. É preciso lembrar-se sempre de que o mais oculto dos pecados são conhecidos por Deus e serão conhecidos por todos no dia do juízo. É preciso fugir das ocasiões de pecado. Como diz São Felipe Neri, na guerra contra esse vício, os vitoriosos são os covardes, quer dizer, aqueles que fogem das ocasiões de pecado.

Além da oração, da mortificação dos sentidos e da fuga das ocasiões, é preciso evitar a ociosidade. A ociosidade é mãe de inúmeros pecados, a começar pela impureza. O Rei Davi pecou cometendo adultério e homicídio porque em um momento de ociosidade olhou para a mulher do próximo.

É preciso também mortificar-se, fazendo penitências, jejuns, abstinência de carne. Devemos começar observando a penitência da sexta-feira imposta pela Igreja, procurando fazê-la do modo tradicional, quer dizer, nos abstendo de carne. As mortificações facilitam o domínio da razão e da vontade sobre as paixões. É preciso mortificar-se em coisas lícitas para aprender a vencer a si mesmo na hora da tentação. É preciso, de modo particular, ter muita sobriedade no beber álcool.

No combate pela castidade, é preciso se aproximar dos sacramentos com assiduidade. É preciso se confessar com frequência não só depois da queda, mas também para evitá-la. Aqueles que têm o vício da luxúria ou impureza devem procurar a confissão uma vez por semana, ou pelo menos uma vez a cada duas semanas. É preciso comungar com frequência, estando em estado de graça, para evitar quedas futuras. Com o método preventivo e não só curativo, se impede que o pecado lance raízes mais profundas.

É preciso também pensar no inferno, na condenação eterna que se merece por tão pouca coisa, por algo tão passageiro e instantâneo. Perde-se o céu, se merece o inferno, se crucifica NS novamente por pecado tão torpe. Usar dessa faculdade fora do matrimônio, nos assemelha aos animais brutos, irracionais. Como diz São Tomás, o impuro não vive segundo a razão. Portanto, é preciso pensar no inferno e na nossa morte, da qual não sabemos o dia nem a hora. Não devemos adiar nossa conversão. Pode ser que Deus não nos dê a graça da conversão depois. É preciso aproveitá-la agora.

Na hora da tentação propriamente dita, é preciso rezar, em particular invocando o nome de Jesus, Maria e José e pensar em outra coisa, distrair o pensamento com algo bom, lícito, ainda que sem importância, como enumerar as capitais dos estados, por exemplo. O importante é que ocupemos a imaginação e o pensamento com outra coisa. É preciso cortar a tentação imediatamente. Se cair, procurar levantar-se imediatamente, buscando a confissão com verdadeiro arrependimento e propósito de emenda. Existe uma tendência em desmoronar depois da primeira queda, cometendo outros pecados. Isso agrava muitíssimo as coisas, multiplicando os pecados, as penas, solidificando o mau hábito, dificultando tremendamente a conversão.

Quem tem o vício da impureza não deve desesperar, mas deve se apoiar em Deus, em Nossa Senhora, nos anjos e santos e aplicar os meios que mencionamos com muita determinação. Não basta um eu quisera, um eu gostaria. Não, tem que ser um eu quero firme, disposto a empregar os meios necessários para atingir o fim buscado, que é a pureza. Ao ser humano pode parecer impossível livrar-se de tal pecado uma vez que se contraiu o vício e, de fato, não é fácil. Mas com Deus é perfeitamente possível. Quem realmente quer se livrar desse vício e se apoia em Deus, consegue ter uma vida pura. Aqueles que não têm o vício devem continuar vigiando e orando, desconfiando de si, pois se acharem que estão imunes a tais pecados, cairão.

Combater pela pureza é necessário. Devemos fazê-lo com determinação e rezando muito. Diz Santo Agostinho que nessa espécie de pecado a batalha é onipresente, mas que a vitória é rara. Mas bem determinados, vigiando, rezando, empregando os meios que citamos, é plenamente possível. E que grande liberdade nos dá a castidade, que grande alegria viver segundo a razão e a fé.

Dirijo-me agora aos pais e aos que ajudam na educação das crianças. Os pais devem vigiar e favorecer a pureza dos filhos desde a mais tenra idade, para que adquiram a vergonha e a honestidade, para que sejam modestos no falar, nos modos, nas vestes… Cabe aos pais evitar que os filhos adquiram maus hábitos nesse campo, ainda que os filhos não entendam a malícia do que estão fazendo, pois depois não conseguirão se livrar do vício. Cuidado pais, cuidado com as crianças. Vejamos o que diz Pio XII: “Por desgraça, diz o Papa, às vezes acontece que pais cristãos com tantos cuidados na educação de um filho ou de uma filha, que são mantidos sempre longe dos perigosos prazeres e das más companhias, de repente vêem os filhos, com a idade de 18 ou 20 anos, vítimas de miseráveis e escandalosas quedas: o bom grão que semearam foi arruinado pela cizânia. Quem foi o inimigo do homem que fez tanto mal? O que ocorreu, continua o Papa, foi que no próprio lar, nesse pequeno paraíso, se introduziu furtivamente o tentador, o inimigo astuto, e encontrou ali o fruto corruptor para oferecer a mãos inocentes. Um livro deixado por acaso na mesa do pai foi o que destruiu no filho a fé de seu batismo, um romance abandonado no sofá ou no quarto pela mãe foi o que ofuscou na filha a pureza de sua primeira comunhão.” Até aqui o Papa. A cizânia pode entrar ao se folhearem revistas de notícias ou jornais largados na casa. A cizânia pode entrar pela televisão por um trecho do jornal televiso a que a criança assistiu por acaso. Vigiem, pais, vigiem pela alma dos filhos. Por favor, mantenham-nos longe da internet e de tablets e ipads, em que podem acessar verdadeiramente qualquer coisa. Eles já vêem tanta coisa ruim fora de casa. Que ao menos dentro dela eles possam encontrar a pureza e a virtude, a começar pelo exemplo dos pais.

De que vale ganhar o mundo inteiro se viermos a perder a nossa alma? De que vale uma satisfação instantânea, fugaz, e que nos faz perder o céu, merecer o inferno e que crucifica novamente NS? Confiando em Deus, desconfiando de nós mesmos, com uma determinação muito determinada, sejamos castos e puros conforme o nosso estado de vida.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo Amém.

Fonte: Missa Tridentina em Brasília

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Consequência nefasta do Pecado



"Os homens, com as suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros!»

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Domínio de si mesmo (Humanae Vitae, Papa Paulo VI)



“Uma prática honesta da regulação da natalidade exige, acima de tudo, que os esposos adquiram sólidas convicções acerca dos valores da vida e da família e que tendam a alcançar um perfeito domínio de si mesmos. O domínio do instinto, mediante a razão e a vontade livre, impõe, indubitavelmente, uma ascese, para que as manifestações afetivas da vida conjugal sejam conformes com a ordem reta e, em particular, concretiza-se essa ascese na observância da continência periódica. Mas, esta disciplina, própria da pureza dos esposos, longe de ser nociva ao amor conjugal, confere-lhe pelo contrário um valor humano bem mais elevado. Requer um esforço contínuo, mas, graças ao seu benéfico influxo, os cônjuges desenvolvem integralmente a sua personalidade, enriquecendo-se de valores espirituais: ela acarreta à vida familiar frutos de serenidade e de paz e facilita a solução de outros problemas; favorece as atenções dos cônjuges, um para com o outro, ajuda-os a extirpar o egoísmo, inimigo do verdadeiro amor e enraíza-os no seu sentido de responsabilidade no cumprimento de seus deveres. Além disso, os pais adquirem com ela a capacidade de uma influência mais profunda e eficaz para educarem os filhos; as crianças e a juventude crescem numa estima exata dos valores humanos e num desenvolvimento sereno e harmônico das suas faculdades espirituais e sensitivas.”

(Papa Paulo VI, “Humanae Vitae”, 25 de julho de 1968)

Créditos: O Camponês

terça-feira, 14 de maio de 2013

Os “beijos íntimos” no namoro são pecado?


"Quero formar uma família verdadeiramente cristã; um pequeno cenáculo onde o Senhor reine nos nossos corações, ilumine as nossas decisões, guie os nossos programas". Santa Gianna Molla [1]

“Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provaçãoeles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade” diz o Catecismo da Igreja Católica [2] e neste contexto – ao falar dos noivos – também se incluem os namorados, e como foi dito, certas manifestações de ternura são específicas do amor conjugal, ou seja, dos que já estão casados, e dessas a principal manifestação é a relação sexual.
Graças a Deus vemos crescer o número de pessoas que tem a intenção de viver um relacionamento casto, e nesse contexto vemos surgir também muitas dúvidas e questionamentos a respeito, uma delas – e provavelmente a mais polêmica – é a discussão sobre se é lícito que um casal de namorados dêem “beijos íntimos”, os chamados“beijos de língua”, - não gosto deste termo por ser um tanto vulgar, mas o uso para exemplificar, pois  já  vi pessoas fugirem do assunto dizendo que existem “níveis de beijos íntimos”, por isso vou logo direto ao assunto para não haver margem para interpretações, - e o motivo deste assunto ser polêmico e fazer com que muitos não o abordem é que ele é sempre um divisor de águas no real entendimento do que é um namoro casto, muitas vezes tem se a falsa ideia de que só é preciso que não haja relação sexual para que o relacionamento seja casto e  o casal não precise se preocupar com mais nada, mas há outras manifestações de carinho que são próprias dos casados pois são uma preparação para a relação sexual, conseqüentemente são ilícitas para namorados e noivos.
É sobre isto que trataremos nesta postagem, apresentaremos alguns apontamentos de autoridades nestes assuntos sobre castidade e também alguns pontos de bom senso sobre o assunto, nossa intenção é que sirva de um estopim para sua reflexão e estímulo para aqueles que já pensam a respeito, por isso é imprescindível que você leia os complementos dos textos indicados (no final da postagem há o link que direciona ao texto completo de cada autor indicado) e também que você leia esta postagem com boa vontade, com o espírito de aprendizagem e aberto a verdade, por mais que a verdade seja incômoda, pois uma pessoa que quer viver a castidade não se pergunta primeiro se deve agradar o namorado ou a namorada, antes ela se pergunta se seus atos estão agradando a Nosso Senhor Jesus, este é o verdadeiro comportamento de um filho de Deus, agindo de forma contrária caímos no pecado, ofendendo a Deus, destruindo a nossa vida e a de quem amamos:
“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”. [3]
Então, vamos aos apontamentos, que o Divino Espírito Santo esclareça nossa inteligência:

Pe. Thomas Morrow: 
[4] “Uma pergunta clássica entre os solteiros diz respeito ao french kiss ou beijo de língua. É aceitável? Redondamente, não. Houve mulheres que me disseram serem capazes de fazê-lo sem se sentirem excitadas, e acredito nelas. Mas, é difícil encontrar um homem normal que não se excite com um beijo de língua. As mulheres são responsáveis pelo que provocam no homem, assim como pelo que provocam e si mesmas.
Um estudante disse-me: - "Padre, eu consigo dar um beijo de língua sem excitar-me". Repliquei-lhe: - "Talvez seja porque o faz mal". Também pode ser porque, pela prática constante, um homem se torne insensível, mas esse processe de insensibilização esconde já muitos pecados graves [...]
O propósito do namoro é chegar a conhecer a outra pessoa para ver se seria conveniente casar-se com ela. Os beijos prolongados não ajudam a alcançar esse objetivo. Geralmente, faz-se isso por ser agradável, não para se chegar a uma descoberta interpessoal. De modo que, ainda que os beijos prolongados não provoquem excitação (o que poderia ser caso para uma consulta médica), são contraproducentes para o namoro. São pelo menos um pecado contra a virtude da prudência [...] Pôr-se voluntariamente em perigo de pecar já é um pecado.”

Jason Evert[5] Quando se fala de pecados de impureza, muitas pessoas pensam: “Se é um pecado mortal, então eu não quero. Mas se for só pecado venial, então não quero perder!”. Precisamos deixar de lado essa idéia minimalista que se foca em “até onde podemos ir sem ofender a Deus”. Mesmo o menor pecado divide, enquanto a pureza faz nascer o verdadeiro amor. Elizabeth Elliot escreveu em seu livro Passion and Purity“Como posso falar de alguns beijos imprudentes para uma geração que cresceu sendo ensinada que quase todo mundo vai pra cama com todo mundo? Daqueles que vagueiam no mar da permissividade e dos excessos, será que existe alguém que ainda olhe para o céu em busca do farol da pureza? Se eu não acreditasse que existe alguém assim, sequer me importaria em escrever.

Portanto, o beijo de língua provoca o corpo com desejos que não podem ser moralmente satisfeitos fora do casamento. Para o casal que está guardando o sexo para o casamento, o beijo de língua é como um garoto de quinze anos sentado no carro, na saída da garagem, só acelerando o carro estacionado, porque sabe que não tem carteira de motorista.
Eu acredito que o problema moral com beijo de língua é mais difícil de ser entendido pelas garotas, porque elas tendem a se excitar sexualmente de uma maneira mais gradual do que os rapazes. Se a excitação de uma mulher pode ser comparada com um ferro de passar esquentando pouco a pouco, a de um rapaz poderia ser comparada com o acender quase instantâneo de uma lâmpada elétrica. As reações sensuais em um rapaz tendem a ser mais imediatas, e quando a chama da excitação sexual se acende, um homem geralmente quer ir além [...]
Pense em guardar a paixão ardente para seu esposo ou esposa. Não apenas sua pureza será um dom e presente para seu cônjuge, ela vai fazer a afeição dele ou dela mais única para você também. No longo prazo isso vai unir os dois muito mais do que todas as “experiências” que o mundo recomenda que você tenha antes de se casar.

Pe. Luiz Carlos Lodi: [6] Alguns jovens, ridículos, dizem: “padre isso aqui é bom, mas está muito difícil, eu acho que não dá para fazer exatamente como está aqui, não, namorar desse jeito, ninguém agüenta…” Então, eles propõem um jeitinho, ao invés de não beijar a gente vai beijar rapidinho, ou então a gente vai beijar encostando só os lábios, mas não a língua, mas qual a distância entre os lábios e a língua? Um milímetro? Ou então “nós vamos beijar poucas vezes”. Tudo isso é ridículo. Se vocês já foram a um posto de combustível, seja ele de gasolina ou álcool, vocês não viram e eu também nunca vi, algum tipo de placa escrito assim: “fume pouco, acenda faíscas em outro lugar, produza poucas centelhas”, ridículo, ou você não fuma ou você já joga logo fogo em cima da gasolina, ou você não produz nenhuma centelha ou então você causa logo a explosão! Com o fogo não se brinca! Com o instinto que Deus colocou em nós, mas que é explosivo como o fogo e que é incendiário como a gasolina nós não podemos brincar. Namorados que querem fazer isso eu digo, sejam coerentes, se vocês querem fazer isso entreguem-se de uma vez à fornicação, se não querem fornicar, tratem de namorar de maneira correta! [...] O amor não se prova com abraço, não se prova com beijo, não se prova pela relação sexual, os animais também fazem isso e eles não se amam.
Como dito no início, é imprescindível a leitura do complemento destes textos, seus link’s estarão indicados no final da postagem. Passemos a mais alguns pontos que são de bom senso sobre o assunto, reflita sobre cada um, verá que fazem muito sentido.
Uma pessoa pediu ao Prof. Felipe Aquino [7] um conselho para se precaver e não cair no pecado da masturbação, entre outras coisas o professor respondeu que a pessoa não deve permanecer em situações que "mexam" com a sua imaginação, que não deve ficar observando situações que lhe provoquem a libido, dentre essas situações ele acentuou que as pessoas não devem ficar observando casais se beijando, principalmente em filmes, novelas e afins, pois isso é um estímulo a esses pensamentos.

Concordamos que o que ele disse faz muito sentido, qualquer um sabe que isso é uma realidade, disso deduzimos: Um casal sabe que olhar os outros se beijando é perigoso por causa do estímulo, agora imagine então o que acontece se o próprio casal se beijar? Se o olhar já os coloca em perigo de pecar, o que acontece se o próprio casal realizar um ato igual? Na sua consciência você já sabe a resposta.

Como foi dito, os beijos íntimos são uma preparação para a relação sexual, isso se liga a outro ponto que as pessoas não param para pensar, todo casal que caiu no pecado do sexo antes do matrimônio estava se beijando antes de ter a relação, é praticamente impossível imaginar que um casal que namore somente de mãos dadas de repente “pule” para uma relação sexual. Então, só o fato de serem praticamente nulas as chances de um casal que namore sem estes beijos íntimos cair no pecado da fornicação já faz que este tipo de namoro seja infinitamente mais agradável a Deus do que o namoro com beijo.

Outro ponto, talvez o mais importante, nada melhor do que observarmos a vida dos santos, seus exemplos nos arrastam a Cristo e são neles que devemos nos espelhar. E tivemos uma santa de nossos tempos que viveu a vocação matrimonial, e obviamente passou pelo tempo de namoro antes de se casar, por isso podemos te-la como grande exemplo, é Santa Gianna Molla. Agora, reflitamos com seriedade, será que ela e seu namorado – e futuro esposo – o Sr. Pietro Molla tiveram um namoro com beijos íntimos? Você sabe que não tiveram, seja sincero consigo mesmo, você não imaginaria uma santa com este comportamento.
Santa Gianna e seu esposo Pietro
 Então, você quer mesmo viver um namoro santo? Está na hora de se perguntar se realmente você quer um namoro casto, que agrade a Deus, ou um namoro que somente satisfaça seus prazeres. Santa Gianna disse:"Se na realização de nossa vocação devêssemos morrer, seria esse o dia mais bonito da nossa vida!".[8] Se o sentido do namoro é a preparação para o matrimônio e sabendo que a vida matrimonial irá requerer inúmeros sacrifícios e grandes responsabilidades, só estará preparado para o casamento aqueles que estão abertos a sacrifícios deste o tempo de namoro, ainda mais quando é pro bem de si mesmo e do outro como é deixar de ter esses beijos íntimosQuem ama de verdade não faz algo que coloque o outro em perigo de pecar.

Dois outros questionamentos comumente vistosE se o outro não quiser um namoro assim? Não namore, o amor se prova com sacrifícios e pela fidelidade aos mandamentos de Deus em primeiro lugar, se você já percebeu que uma coisa é agradável a Deus mas o outro não quer viver aquilo não é bom sinal, é claro que todos podem se converter, mas é algo para ser muito bem refletido, pois relacionamentos são situações que mudam nossa vida por completo, e a pior conseqüência de um relacionamento ruim é nos afastar de Deus. Há uma situação inversa que mostra como este sacrifício é um bom sinal, se um casal está se conhecendo e um deles diz que se vierem a namorar quer que tenham um namoro sem beijos íntimos, se o outro aceita é um grande sinal de que este está interessado no outro como pessoa por completo e não somente em possíveis prazeres, isto é uma verdadeira prova de amor, este primeiro sacrifício pelo outro mostra que ele está aberto aos grandes sacrifícios que possam vir no futuro.

Mas é claro, as coisas não podem ficar só nas promessas ou no empenho em viver esses bons valores somente no início do namoro, as tentações são fortes e qualquer um pode cair, devemos antes contar com a graça de Deus, ter uma vida de oração e freqüência aos sacramentos, principalmente da Eucaristia e da Confissão, sem a graça de Deus de nada adianta nossa luta. Aos que já namoram e perceberam que devem mudar o comportamento essa é a hora ideal para isso, apresente ao seu namorado (a) estes textos dos autores indicados acima, será de grande ajuda para o entendimento.

Mas vão zombar de mim! Sim, vão, mas zombaram até de Nosso Senhor, sempre zombarão dos que buscam o bem, e quando vier aquela sensação de desistência por te criticarem, seja forte, lembre-se que você é um filho de Deus e não do mundo: "Se alguém zomba de você ser casto, saiba que é o fraco que está zombando do forte, que é o derrotado que está zombando do vencedor. É por que ele não consegue fazer o que você faz que ele está zombando de você. Mas você não tem que sentir vergonha de ser casto, por que Jesus foi casto, Maria Santíssima, São José, São João Batista, São João Evangelista, São Paulo, eles nos ensinaram a virtude da castidade por que ela é maravilhosa, estamos seguindo os passos deles." Pe. Luíz Carlos Lodi

Para terminar, respondendo a pergunta do título da postagem: Os “beijos íntimos” no namoro são pecado? Sim, são pecado. Creio que depois dessas reflexões acima você percebeu que este tipo de manifestação é própria dos casados, pois é uma preparação para a relação sexual, e quando é praticado pelos não casados torna-se uma ofensa a Deus, ao outro e consequentemente a si mesmo, como foi dito, o pecado é  “falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens.”, o pecado nos afasta de Deus e torna nossa vida triste e sem sentido, sempre houve pessoas que se arrependeram de viver uma vida impura mas nunca houve uma que se arrependeu de viver uma vida casta, pois uma vida assim tem sacrifícios, mas é feliz. Pense nisto,  de agora em diante todas as vezes em que você estiver em alguma situação em que surja este assunto lembre-se destas reflexões mostradas na postagem.

Esta citação a frente mostra o que é verdadeiramente um namoro cristão, e que é neste tipo de namoro que devemos nos espelhar, pois é somente  de um namoro casto que nasce um casamento forte, íntegro e feliz! “Dias antes do seu Matrimônio Santa Gianna escreveu ao futuro marido: "Você não acha interessante fazermos um tríduo para nos prepararmos espiritualmente antes do casamento? Nos dias 21, 22 e 23, Santa Missa e Comunhão, você em Ponte Nuovo, eu no Santuário de Nossa Senhora da Assunção. A Senhora acolherá as nossas preces e desejos e, porque a união faz a força, Jesus não poderá deixar de escutar-nos e ajudar-nos." [9]

Peçamos a Virgem Santíssima, Rainha da Pureza, e seu Castíssimo Esposo São José que roguem a Deus por nós para que vivamos uma vida casta e pura, nos caminhos que Ele designou para nós.

Grifos nossos


Referências:
[4] Pe. Thomas Morrow – Autor do conceituado livro “Namoro cristão em um mundo supersexualizado. O complemento de seu texto pode ser lido acessando este link: Sobre beijos no tempo de namoro”.

[5] Jason Evert - é um autor e palestrante sobre castidade, tem seus livros e artigos muito difundidos em vários site sobre o assunto, também fundou o Projeto Chastity, uma organização que dá suporte a adolescentes que querem viver a castidade. Ele é Mestre em Teologiapela Universidade Franciscana de Steubenville. Acesse complemento de seu texto através deste link: "E o beijo de língua? Está tudo bem? Todo mundo me diz uma coisa diferente."

[6] Pe. Luiz Carlos Lodi - é presidente do Movimento Pró-Vida de Anápolis-GO que tem a finalidade de promover a dignidade e a inviolabilidade da vida humana e da família e defender tais valores contra os atentados de particulares ou dos poderes públicos. Acesse complemento de seu texto através deste link: "Namoro Santo à luz da Consagração à Imaculada."

[7] Programa "Pergunte e Responderemos", TV Canção Nova - 07/12/12

Mais alguns textos sobre namoro cristão:

Fonte: Blog Mater Dei

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...