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sexta-feira, 3 de março de 2017

Grandes batalhas forjam grandes homens - BRAVUS



Por Rodrigo Nascimento

Se caio a cada instante, na fé confiante farei com que Ele me levante” (Santa Elizabete da Trindade)

Para aqueles que lutam arduamente para se manterem longe do pecado, cada situação de queda traz à tona a impotência e frustração. É um misto de falta de esperança em nós mesmos e questionamento acerca da ação de Deus.

No que diz respeito a nós, nos enganamos em achar que, com nossas próprias forças, temos capacidade de permanecer puros. E a frustração está precisamente em nos depararmos com nossa limitação. A respeito de Deus, passamos a questionar se Ele, de fato, está realmente intervindo, com Sua graça, para que não mais pequemos ou se está nos deixando à nossa própria sorte.

Esses dois aspectos têm sua fonte na soberba, enraizada em nós como consequência do pecado original. No nosso íntimo, travamos uma batalha entre sermos totalmente dependentes de Deus e bastarmos a nós mesmos. Esse é o ponto central de nossa conversão, principalmente a nós, homens, que tendemos à independência e à autossuficiência.

Todavia, há situações que se nos apresentam que tiram completamente o controle das nossas mãos e nos violentam profundamente, colocando em xeque a nossa percepção de si e de nossa capacidade de intervir e solucionar.

São grandes batalhas. Podem se apresentar como pecados com os quais lutamos ao longo de anos — e frequentemente caímos, apesar do esforço —; enfermidades que implodem o frágil edifício da nossa inconsciência de que somos transitórios; situações adversas que nos “tiram o chão”. Nesses casos, porque Deus permite que isso ocorra?

"E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, em verdade, muito bom” (São Thomas More).

Justamente, temos de contemplar as batalhas como providência de Deus para a nossa conversão e salvação.

Os metais preciosos são forjados no fogo, a altas temperaturas, e são completamente desfigurados e, depois, inseridos num molde e reconstruídos para uma finalidade específica. Esse calor intenso, não altera somente a forma, mas, sobretudo, as propriedades do metal, aumentando sua rigidez e durabilidade.

Tais batalhas podem, na graça, se tornar essa grande forja em que almas santas são remodeladas com uma única finalidade: romper-se em caridade ardente e completa, fundindo-se, para todo o sempre, com Deus. Isso desde que tenhamos nosso coração ancorado no céu; a pátria celeste deve ser sempre o horizonte.

Os tempos de luta permitem que nossa alma se fortaleça, aumentando a nossa esperança em Deus e descobrindo a nossa limitação. O esforço para ser melhor, tendo-se reconhecido os limites humanos e, por outro lado, abandonando-se à graça, é a grande fornalha que forma os guerreiros mais nobres, almas santas e virtuosas.

Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros” (I Cor 9,25-27).

A vida de oração é a porta de entrada através da qual nosso esforço encontra a graça. É um antídoto para a soberba e um alento para as quedas. É a arma essencial nessa batalha que perdura ao longo da vida. Batalha esta que nós, homens, devemos assumir com urgência.

Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo a virilidade necessária.

Fonte: Bravus, pela hombridade.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Da página BRAVUS: Uma Cruzada Interior com São José – Brava Quaresma 2017


Por Daniel P. Volpatp · 1 DE MARÇO DE 2017 - Texto retirado do site Brav.us
Brava Quaresma 2017 Cruzada Interior Com São José
No ano passado, oferecemos alguns propósitos quaresmais diários, aos quais denominamos Brava Quaresma, e que obtiveram bons frutos, como muitos de nossos leitores testemunharam pelas redes sociais. Para este ano, a Providência coincidiu o início da Quaresma com o primeiro dia de março, o mês josefino. Propomos a nossos leitores, portanto, “Uma Cruzada Interior com São José” durante esse tempo.

A Quaresma é o tempo litúrgico penitencial de 40 dias (excluindo-se os domingos) que nos preparam para a Páscoa de Nosso Senhor. É inspirada nos 40 dias e 40 noites de jejum que Cristo passou no deserto (Mt 4), onde foi tentado pelo demônio, antes de começar seu ministério.

O número 40 possui forte significado nas Sagradas Escrituras. Representa um período de intensa preparação que antecede acontecimentos marcantes na História da Salvação: 
* Foram 40 os dias do dilúvio, preparação a uma nova humanidade, purificada (Gn 7, 4ss); 
* Foram 40 os dias de jejum de Moisés para enfim receber as Tábuas da Lei (Ex 34, 28); 
* Foram 40 os anos de caminhada do povo hebreu, rumo à Terra Prometida. 
* Foram 40 os dias de jejum do Profeta Elias, antes de encontrar a Deus no monte Horeb (I Rs 19,8); 
* Foram 40 os dias de penitência dos ninivitas, que assim obtiveram o perdão de Deus (Jn 3, 4ss).
cruzada interior luta batalha liberdade
A Quaresma sempre é tempo forte e abundante de graças, propício à conversão e à mudança de vida. Se bem vivida, proporciona muitos frutos de santificação e crescimento em virtudes. É o que almejamos com a Brava Quaresma: dar uma pequena contribuição neste processo.

É parte do tornar-se homem deixar o papel de protegido e assumir o ofício de protetor. Esse chamado é para todo homem, seja casado ou celibatário, pai biológico ou espiritual, sacerdote ou leigo. E é por isso que cada homem possui dentro de si um espírito de soldado, que protege os seus próximos com a própria vida, se preciso for.

O que se percebe, porém, é que este espírito combativo está dormente. Para acordá-lo, o homem precisa realizar esta cruzada interior contra si mesmo, vencendo seus medos e fraquezas, adquirindo domínio de si e crescendo em virtudes para, enfim, ser livre e amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. É a verdadeira liberdade, o bem agir conforme a vontade de Deus, o fim último desta cruzada interior.

Que companheiro melhor nesta cruzada do que São José, o homem justo? Nele encontramos a perfeição no trabalho, como excelente carpinteiro; a perfeita autoridade e solicitude como chefe familiar; o perfeito amor de pai a Cristo; e o perfeito amor de esposo à Virgem Maria.

Convidamos você, caro leitor, a juntar-se a nós nesta cruzada interior de 40 dias, no exército de São José, acompanhando as seguintes atividades:
  1. Os propósitos que publicaremos diariamente em nossas redes sociais, abarcando os três pilares da Quaresma católica, o jejum, a oração e a esmola;
  2. Uma oração diária e jaculatórias à São José;
  3. A participação no grupo de Facebook (aqui) que criamos, para estabelecer uma fraternidade entre aqueles que desejam viver a Brava Quaresma.
O primeiro propósito você já pode conferir:
Brava Quaresma 2017 Dia 01
Referências

Plinio Maria Solimeo. “Ide a José!”: Vida, privilégios e virtudes de São José, segundo os Evangelhos, a tradição e outros documentos. Art Press, 2007.
Thurston, H. “Lent”. In The Catholic Encyclopedia. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/09152a.htm.

A ira de um santo - Pier Giorgio Frassati, um jovem IRADO


Enganam-se os que pensam que os santos têm “sangue de barata”.

Pier Giorgio sabia ser um cara cheio de grandes gentilezas. Quando ia às montanhas, trazia flores para enfeitar os oratórios de Nossa Senhora. Se viajava, mandava cartões postais para a família. Nas escaladas, ao perceber que algum amigo estava cansado, fingia que tinha de parar para amarrar os sapatos e obrigava todo mundo a parar. Nunca se esquecia de escrever cartas para os amigos nos seus aniversários.

Mas AI se mexessem com a Verdade do Evangelho... Ah, daí o “bicho pegava”.

Em um carnaval, o grupo de Pier Giorgio fez um cartaz chamando todos os católicos da universidade para rezarem em reparação dos pecados cometidos naqueles dias. Frassati pôs o cartaz no mural da universidade, no meio de um monte de convites cheios de cores berrantes que convidavam os jovens para as baladas. A galera da universidade ficou furiosa e quiseram rasgar o convite. Pier Giorgio pôs-se, então, com muita tranquilidade, entre a multidão de mais ou menos cem rapazes e o cartaz.

Começaram a insultá-lo e ameaça-lo, mas nada o fez recuar. Foram para cima do nosso amigo bem-aventurado, que deu vários murros e pontapés. Mas evidentemente o número venceu Frassati: destroçaram o cartaz católico. Pier Giorgio levantou-se, recolheu com muita calma os pedaços do cartaz e se retirou. O amigo que estava com ele testemunha: “Frassati não disse uma única palavra enquanto voltávamos para casa, mas aquele silêncio valia por um sermão”.

Nosso Pier Giorgio Frassati irado também cacetou sozinho um grupo de fascistas quando, em um almoço, invadiram sua casa. Botou-os pra correr! Lutou com um policial porque ele queria lhe retirar uma bandeira católica que segurava durante uma manifestação, brigou muitas vezes com católicos que tinham postura política contrária à Caridade.

Ser cristão não é ter aquela ideia maconheira de “paz e amor” nem o conceito de religião light de madame “comer, rezar e amar”. Com a mesma ira com que Nosso Senhor Jesus Cristo pegou no chicote, os santos souberam defender a Verdade.

Que Pier Giorgio Frassati nos ajude a combater pela Fé e que tenhamos uma boa dose dessa santa ira, dessa ira buona.

*texto de 20 de agosto de 2015.
Fonte: Página Pier Giorgio Frassati

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Michael Voris - Virilidade Roubada


A vocação ao celibato, a masculinidade transcendente

Texto retirado do excelente site http://www.brav.us/

Por Diego Amaya Vasquez, Chile.
Texto original em espanhol, tradução nossa (Brav.us)

Se uma pessoa qualquer escutar a palavra “celibato”, em sua mente virá, imediatamente, a vida sacerdotal ou consagrada, mas, jamais ousaria relacioná-la à vida laica, o que, na vida da Igreja, sempre foi uma realidade presente. Atualmente a palavra celibato é motivo de riso e chacota. Muitos outros erram ao confundir o celibato com a continência (ou abstinência). Por esse motivo, é necessário seguir um processo definido para tratar corretamente esse tema: começaremos definindo, distinguindo, para, então, aplicar este tema na prática. Tentaremos, ao longo deste texto, responder às seguintes questões:

a) O que é o celibato?
b) Para que o celibato?
c) Por que o celibato?
d) A quem o celibato é destinado?

Além disso, buscaremos demonstrar algumas conclusões práticas para o nosso tempo, durante o simples e superficial desenvolvimento deste tema, de acordo com os limites deste artigo.

O que é o celibato?

a) Em primeiro lugar, o celibato, no sentido cristão, não é simplesmente “não estar casado”, e não é um desprezo do matrimônio. Não é um vilipêndio da carnalidade, nem significa reprimir aquilo que no homem é tão veemente e que Deus inseriu na natureza humana como um meio de santificação com exercício no interior do matrimônio. São João Paulo II afirmava “Quando a sexualidade humana não é considerada um grande valor dado pelo Criador, perde-se o significado da renúncia pelo Reino dos Céus”1. Por muitos anos temos presenciado como o mundo se encarrega de “deificar” o corpo e depreciar a alma. Bento XVI nos motiva afirmando que a dignidade e grandeza humana está em ambas as realidades que formam uma só substância: “Se o homem pretender ser só espírito e quiser desprezar a carne como se fosse uma herança meramente animal, espírito e corpo perderiam sua dignidade. Se, ao contrário, repudia o espírito e leva em consideração somente a matéria, o corpo, como uma realidade exclusiva, reduz igualmente sua grandeza”2.

O celibato não é uma negação, senão uma escolha livre, ativa e frutífera. É um grande “SIM”. Por isso, não se deve confundi-lo com a continência, visto que não se trata de um simples “conter”, mas, sim, uma opção livre por um bem maior. A continência, vista objetivamente, pode ser praticada por qualquer pessoa, inclusive por um não crente. Todavia, o celibato, na perspectiva cristã, é um meio de santificação, que só é possível ser assumido com uma ajuda sobrenatural da graça, e que sempre se opta livremente por um bem maior e transcendente: o Reino dos Céus.

Na antiguidade havia homens (eunucos) que se dedicavam completamente ao serviço de seus senhores e a estes, Nosso Senhor Jesus Cristo fazia referência quando dizia “e há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens”3. Nosso Senhor, no entanto, inaugura um novo celibato, repleto de esplendor e liberdade, livre de toda escravidão anterior e em vistas da glória futura, dizendo “também há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus”4, manifestando que se trata de um meio que se escolhe livremente e que tem um fim sobrenatural. Jesus estava totalmente consciente da rigidez desse convite e que essa realidade de vida não é fácil se o sujeito confia em suas próprias forças, e traduzindo ao nosso tempo, nos adverte o Divino Salvador “Quem puder entender, que entenda!”5.

A doutrina da Igreja, no Concílio Vaticano II, canta um verdadeiro louvor ao celibato, denominando-o de “dom precioso da graça divina dado a alguns pelo Pai”6, “sinal e estímulo do amor”7 e “símbolo especial dos benefícios celestiais”. Isto é sinal de que a Igreja sempre tem tido grande estima acerca do dom do celibato, exigindo-o explicitamente aos sacerdotes de rito latino desde o século IV, e no oriente é exigido aos monges e os candidatos ao episcopado. E é essencial deixar claro que o celibato não tem somente um fim prático, como muitos poderiam crer.
Para que o celibato?

b) O celibato permite entregar-se e servir a Deus com um coração indiviso. Este dom celestial permite, àquele que o vivencia como um dom precioso, ser um sinal da vida futura, uma presença escatológica já em nosso tempo. O celibato é viver como estivéssemos já no céu. É trazer o céu ao nosso tempo, vivido em nossa natureza completa, em corpo e alma.

Esse convite de Cristo a uma vida celibatária é um desafio para elevar o amor humano e a descobrir novas maneiras de demostrar e encarnar esse amor escatológico. Não podemos reduzir o amor verdadeiro à relação sexual somente, pois o amor é muito mais que a união corporal. De fato, atualmente, somos testemunhas de como o amor e o ato sexual tem sido absolutamente dissociados um do outro, rebaixando a dignidade deste ato sublime e procriador a um entretenimento banal e superficial. Inclusive, dentro da mesma Igreja, podemos encontrar alguns membros que reduzem o celibato à castidade e à negação das relações sexuais, quando, na verdade, a castidade e o celibato envolvem e são envólucros da pessoa em sua totalidade, em cada um de seus atos.

Hoje em dia a Igreja se encontra “em débito” sobre o tema do celibato laical. No documento Lumen Gentium, do Concílio Vaticano, ele é colocado na mesma categoria da viuvez. No entanto, a cada dia, a Igreja toma mais consciência de que a vida celibatária é uma vocação particular e não imposta por circunstâncias distintas. Não são todos os homens que são chamados à vida matrimonial e à vida consagrada e, não por isso, estes permanecem numa lacuna vocacional. Na atualidade, há muitas pessoas que decidem viver uma vida de celibato no meio do mundo, cooperando com as tarefas da Santa Mãe Igreja e vivendo uma vida de santidade plena inseridos em seus afazeres diários. Sinal dessa realidade é que em alguns novos movimentos da Igreja estão abertos à possibilidade de que leigos optem pela vida celibatária sem deixar de ser leigos. Esses leigos celibatários desejam santificar-se sem outra consagração além do Batismo, que já é, por si, uma grande responsabilidade.

Por que o celibato?

Cristo, ao ser celibatário, nunca renuncia seu ser masculino, a ser um homem verdadeiro e completo em todos os sentidos. 

c) Poderíamos nos perguntar, por que o celibato? A resposta pode ser somente uma: Porque Jesus Cristo, nosso modelo de santidade e único mediador, foi celibatário. Obviamente, nem todos são chamados a seguir a Cristo nesse estilo de vida. Logo, se nem todos são chamados à vida de celibato, é porque é um chamado particular. E se é particular, então recebe graças especiais para ser vivido, as quais se chamam graças de estado. Tudo isso indica que o celibato é uma verdadeira vocação particular. Alguns poderiam dizer que “Nosso Senhor Jesus Cristo era Deus e, por isso, conseguia viver o celibato”, mas aqueles que fazem essa afirmação esquecem que Ele assumiu a natureza humana em sua totalidade, uma masculinidade íntegra e totalmente ordenada segundo a graça. Por esse motivo que Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem8, já que é igual a nós em tudo, menos no pecado. Nesse sentido, a virgindade e o celibato de maneira alguma rebaixam a natureza humana, da qual Cristo é o modelo pleno, mas, em contrapartida, elevam-na a um nível muito mais profundo e transcendente. É muito importante destacar que a vida de celibato não significa a renúncia da masculinidade (ou da feminilidade), pelo contrário, significa torná-la sobrenatural, do mesmo modo que o fez o filho de Deus. Cristo, ao ser celibatário, nunca renuncia seu ser masculino, a ser um homem verdadeiro e completo em todos os sentidos. É necessário reafirmar essa verdade sobre a masculinidade de Cristo contra todas aquelas falsas teologias que se dedicam a diminuir a importância dessa realidade. Cristo não é um ser etéreo e assexuado, mas um Deus que se fez HOMEM9.

A quem o celibato é destinado?

d) Definitivamente o celibato não é somente para os sacerdotes consagrados. Inclusive, nem sequer é exigido para todos os clérigos do rito oriental. E, além disso, existe o testemunho de tantos consagrados que se santificam por meio dos conselhos evangélicos e que não são sacerdotes. Mas, a questão que se aplica é: pode um leigo viver o celibato e receber a graça para isso? A resposta é SIM, mesmo que para aos olhos do mundo seja impossível e o celibato pareça uma doutrina medieval. Um leigo também pode ser chamado a servir a Deus com um coração indiviso; ele também pode ser chamado a ser um sinal escatológico e, mais ainda, todos os leigos são chamados a imitar Jesus Cristo, mas alguns de uma maneira especial, vivendo sua dimensão celibatária.

Desde o início dos tempos da Igreja já existia o celibato leigo, não é uma “novidade” do Concílio Vaticano II. São Paulo já revelava isso na Primeira Carta aos coríntios, quando afirmava: “Portanto, o que se casa com sua noiva, o faz bem. E o que não se casa, faz melhor. A mulher está ligada a seu marido enquanto vive; mas, uma vez que o marido morre, fica livre para casar-se com quem desejar, mas só no Senhor. Será feliz se permanece assim segundo o meu conselho; que também eu creio ter o Espírito de Deus”10.

O celibato leigo era praticado na igreja primitiva, tanto no caso de homens quanto no de mulheres. Os homens eram chamados de “continentes” e “ascetas”, as mulheres que viviam esse conselho evangélico eram conhecidas por “virgens”.

São Paulo diz “Aquele que não é casado se preocupa com as coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado se preocupa com as coisas do mundo, em como agradar sua mulher; está, portanto, dividido. A mulher não casada, o mesmo que a donzela, se preocupa com as coisas do Senhor, de ser santa no corpo e no espírito. Mas a casada se preocupa com as coisas do mundo, em como agradar seu marido”11.

Nesses textos não se pretende pronunciar uma condenação contra o estado conjugal, longe disso. Devemos recordar que no mesmo texto, São Paulo compara o matrimônio ao amor de Cristo pela Igreja e ressalta, desse modo, a indissolubilidade do matrimônio.

Em todos os tempos o celibato tem sido causa de crítica, escândalo e incompreensões. E, diante disso, a Igreja tem sido obrigada a armar-se e a defender excelência desse estado de vida eleito tanto por consagrados como por leigos12. De maneira alguma se deseja aqui obscurecer e tirar o valor do matrimônio, somente pretendemos transmitir o ensinamento bimilenar e plurissecular da Igreja, mãe e mestra, que nos recorda no Catecismo: “Essas duas realidades, o sacramento do matrimônio e a virgindade pelo reino de Deus, provém do próprio Senhor, é Ele quem lhes dá sentido e lhes concede a graça indispensável para que os viva de acordo com a Sua vontade. O apreço da virgindade pelo reino e o sentido cristão do matrimônio são inseparáveis e se apoiam mutuamente”.

O celibatário não é um “solteirão”, nem é alguém incapaz para uma relação matrimonial ou para o sexo. Exatamente o oposto, é alguém que alcançou um nível de maturidade emocional, psicológica e espiritual que o levou a discernir que não é chamado à vida matrimonial e, em alguns casos, tampouco, à vida consagrada. É alguém chamado a viver o amor e a fecundidade de uma maneira sobrenaturalmente diferente do matrimônio, sem negar sua própria sexualidade, elevando seus afetos ao mandato evangélico que exorta a “Ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus”.

***
Em nosso tempo, devemos ser rebeldes. A melhor maneira de viver essa rebeldia é por meio de uma vida virtuosa. 

Créditos: http://www.brav.us/2016/08/a-vocacao-ao-celibato-a-masculinidade-transcendente/

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

7 práticas para todo homem de Deus alimentar a sua vida de fé

Em uma ousada tática para trazer os homens de volta à Igreja, o bispo da diocese de Phoenix, nos Estados Unidos, escreveu uma exortação apostólica intitulada Into the Breach ("Na Brecha", lit.). A iniciativa surgiu como uma resposta à desafiante crise que enfrentam a masculinidade e a paternidade em nossos tempos — crise que também já foi objeto de reflexão neste site.
Em um trecho dessa carta, o bispo Thomas Olmsted enumera sete importantes práticas que todo homem de Deus deve cultivar para tomar a sua cruz e seguir o seu Senhor. As cinco primeiras são propostas diariamente; as duas últimas podem ser feitas em um ritmo semanal ou mesmo mensal. O importante é não cruzar os braços, pois "quem não se prepara e não se fortalece para o combate espiritual é incapaz de permanecer 'firme na brecha' por Cristo".
Se os hábitos a seguir ainda não fazem parte da sua vida, comece a pô-los em prática hoje mesmo!

1. Rezar todos os dias

Todo homem católico deve começar o seu dia com oração. Há um ditado que diz: "Até que você se dê conta de que a oração é a coisa mais importante na vida, você nunca terá tempo para rezar". Sem oração, um homem é como um soldado sem comida, sem água e sem munição!
Por isso, reserve algum tempo para falar com Deus como a primeira coisa do seu dia, todas as manhãs. Reze as três orações essenciais da fé católica: o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.
Reze também em toda refeição. Antes que a comida ou a bebida toque os seus lábios, faça o sinal da cruz, reze a oração do "Abençoai-nos, Senhor" e termine com o sinal da cruz. Faça isso, não importando onde, com quem ou o quanto você esteja comendo. Nunca fique tímido ou com vergonha de rezar durante as refeições. Jamais negue a Cristo a gratidão que Lhe é devida. Rezar como um homem católico antes de cada refeição é uma maneira simples, mas poderosa de manter-se firme na brecha (cf. Ez 22, 30).

2. Fazer um exame de consciência antes de dormir

Reserve alguns minutos para repassar o seu dia, incluindo tanto as graças que você recebeu quanto os pecados que cometeu. Agradeça a Deus pelas bênçãos e peça perdão pelos seus pecados. Depois, faça um ato de contrição.

3. Não deixar de ir à Missa

Ainda que assistir à Missa semanalmente seja um preceito da Igreja, apenas um em cada três homens católicos assistem à Missa todos os domingos. Para um grande número de homens católicos, a sua negligência em assistir à Missa é um pecado grave, um pecado que os coloca em perigo mortal.
A Missa é um refúgio na batalha espiritual, onde os homens católicos encontram o seu Rei, ouvem os Seus comandos e são fortalecidos com o Pão da Vida. Toda Missa é um milagre onde Jesus Cristo está integralmente presente, um milagre que é o ápice não apenas da semana, mas de todas as nossas vidas sobre a terra. Na Missa, um homem agradece a Deus por Suas inúmeras graças e ouve Cristo enviá-lo de volta ao mundo para construir o Reino de Deus. Pais que levam os seus filhos à Missa estão ajudando de uma maneira muito real a assegurar a sua salvação eterna.

4. Ler a Bíblia

Como São Jerônimo mui claramente nos diz: "Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo". Quando lemos a palavra de Deus, Jesus está presente. Homens casados, leiam a Bíblia com suas esposas e com seus filhos. Se os filhos de um homem o vêem lendo as Escrituras, mais eles tendem a permanecer na fé. Meus irmãos em Cristo, isto eu posso assegurar a você: homens que lêem a Bíblia crescem em graça, sabedoria e paz.

5. Guardar o repouso dominical

Desde a criação de Adão e Eva, Deus Pai estabeleceu um ciclo semanal terminando com o repouso sabático. Ele nos deu o "sábado" para assegurar que em um dos sete dias nós Lhe rendêssemos graças, descansássemos e refizéssemos as nossas forças. Nos dez mandamentos, Deus reafirma a importância de guardar o "sábado".
Com o constante bombardeio comercial e barulho dos meios de comunicação hoje em dia, o "sábado" é a trégua de Deus em meio à tempestade. Como homens católicos, vocês devem começar (ou aprofundar) a santificação do "sábado" (que para nós, cristãos, é o dia do Senhor, o Domingo). Se são casados, devem conduzir suas esposas e filhos a fazer o mesmo. Dediquem o dia para o descanso e para uma verdadeira recreação, e evitem todo trabalho desnecessário. Passem o tempo em família, assistam à Missa e aproveitem o presente desse dia.

6. Procurar a Confissão

Bem no início do ministério público de Cristo, Jesus chama todos os homens ao arrependimento. Sem arrependimento dos pecados, não pode haver nenhuma cura ou perdão, e não haverá nada de Céu. Um grande número de homens católicos está em grave risco de morte, devido particularmente aos níveis epidêmicos de consumo de pornografia e do pecado da masturbação.
Meus irmãos, vão se confessar agora mesmo! Nosso Senhor Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará aqueles que humildemente confessarem os seus pecados, mas Ele não perdoará aqueles que se negam. Abram as suas almas ao dom da misericórdia do Senhor!

7. Construir fraternidade com outros homens católicos

A amizade católica entre os homens tem um grande impacto em suas vidas de fé. Homens que possuem laços de fraternidade com outros homens católicos rezam mais, vão à Missa e à Confissão mais frequentemente, lêem as Escrituras com mais regularidade e são mais ativos na fé.
O livro dos Provérbios nos diz que "o ferro com o ferro se aguça, e o homem aguça o homem" ( Pr27, 17). Conclamo a cada um de nossos padres e diáconos a reunir os homens em suas paróquias e começar a reconstruir uma fraternidade católica vibrante e transformadora. Conclamo os leigos a formarem pequenos grupos de amizade para apoio mútuo e crescimento na fé. Nenhuma amizade pode ser comparada a um amigo em Cristo.
Fonte: Into the Breach | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
Créditos: padrepauloricardo.org

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O que Chesterton diria sobre o “casamento gay”?

Por Dale Ahlquist | Tradução: Equipe CNP — Um dos temas prementes na época de Chesterton era o "controle de natalidade". Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o "casamento gay". Não só a ideia, como também o nome está errado: o "casamento gay" não é gay, no sentido original do termo [1], nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o "amor livre" (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista (Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, "esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam" [2].

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido "ou com ataques ou com o silêncio" — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: "A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual" [3]. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a "simples mitologia" produziram uma perversão entre os gregos. "Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem". Qualquer jovem, ele diz, "que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples" sente um repúdio natural pela homossexualidade porque "ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum". Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É "a ilusão da familiaridade" quando "uma perversão se torna uma convenção" [4].

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra "gay". Ele escreve sobre a "poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde", "a religião do carpe diem". Carpe diem significa "aproveite o dia", faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. "No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes" [5]. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis,"no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano" [6]. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando "perverter o futuro e desfazer o passado". Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de "o chefe dos decadentes" [7], Chesterton diz que ele cometeu um "erro monstruoso", mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. "A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição" [8].

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado "altamente civilizado", por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: "Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível".

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: "Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo" [9].

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal [10]. Legalizar o "casamento" homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
Notas e referências
Antes de significar "homossexual", a palavra inglesa gay remetia simplesmente à ideia de alegria e despreocupação.
CHESTERTON, G. K. The Superstition of Divorce. London: Chatto & Windus, 1920, p. 63.
______. The Next Heresy. In: The Chesterton Review 26 (3), p. 295-298 (2000).
______. O Homem Eterno (trad. de Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 164-165.
______. Hereges (trad. de Antônio Emílio Angueth de Araújo). 3. ed. Campinas: Ecclesiae, 2012, p. 119.
______. Saint Francis of Assisi. London: Hodder and Stoughton, 1923, p. 30.
______. The Victorian Age in Literature. London: Williams and Norgate, 1913, p. 226.
______. Oscar Wilde. In: On Lying in Bed and Other Essays. Calgary: Bayeux Arts, 2000, p. 248.
______. The Flying Stars. In: A Inocência do Padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2011.
Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado desde a famosa decisão Roe vs. Wade, de 1973.

Créditos: Site Padre Paulo Ricardo

Cardeal Sarah: Ideologia de gênero é mortal e demoníaca


Cardeal Robert Sarah. Crédito: Sabrina Fusco (ACI Prensa)

WASHINGTON DC, 19 Mai. 16 / 06:00 pm (ACI).- O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Robert Sarah, afirmou que a ideologia de gênero é “demoníaca” e um “impulso mortal” que ataca as famílias.
Assim o indicou o Cardeal africano em sua intervenção no tradicional ‘National Catholic Prayer Breakfast’, em Washington (Estados Unidos), no qual se reuniram diversos líderes do país para tratar diversos temas de grande importância.
Em sua exposição, o Cardeal disse que em nenhum lugar a perseguição religiosa é “mais clara que na ameaça das sociedades contra as famílias através da uma demoníaca ideologia de gênero, um impulso mortal que se experimenta em um mundo no qual extirpa cada vez mais Deus através da colonização ideológica” denunciada em distintas ocasiões pelo Papa Francisco.
O Prefeito disse ainda que defender a família é uma tarefa fundamental na sociedade atual: “Não é uma guerra ideológica. Trata-se na verdade de defender-nos a nós mesmos, os nossos filhos e as gerações futuras ante uma ideologia demoníaca (a ideologia de gênero), a qual afirma que as crianças não necessitam mães e pais. Ela nega a natureza humana e quer extirpar Deus de gerações inteiras”.
“A ruptura das relações fundamentais na vida da pessoa – por meio da separação, do divórcio ou das imposições distorcidas da família como a convivência e as uniões do mesmo sexo – é uma ferida profunda que fecha o coração ao amor que se entrega até a morte e que leva ao cinismo e à desesperança”.
Estas situações, continuou o Cardeal, “prejudicam as crianças pequenas ao deixá-las com uma dúvida existencial profunda sobre o amor. São um escândalo e um obstáculo, que faz com que os mais vulneráveis não acreditem em tal amor, e um peso, que esmaga e que pode impedir que se abram ao poder de cura do Evangelho”.
Em meio a tudo isto, disse o Cardeal africano, a Igreja e o Papa Francisco tentam combater a globalização da indiferença.
“Por esta razão o Santo Padre, aberta e vigorosamente, defende o ensinamento da Igreja sobre a anticoncepção, o aborto, a homossexualidade, as tecnologias reprodutivas, a educação das crianças e muitos outros”, indicou o Cardeal.
Atualmente, continuou o Cardeal Sarah, “a violência contra os cristãos não é somente física” como a que sofrem os fiéis do Oriente Médio nas mãos do Estado Islâmico, “mas também política, ideológica e cultural”.
“Esta forma de perseguição religiosa é tão ou mais prejudicial, mas é mais escondida. Não destrói fisicamente, mas espiritualmente”, precisou.
Por isso, o Cardeal disse que atualmente e “em nome da ‘tolerância’ os ensinamentos da Igreja sobre o matrimônio, a sexualidade e a pessoa humana estão sendo desmanteladas” e criticou a legalização das uniões de mesmo sexo, o mandato abortista da administração Obama e as leis que permitem o acesso aos banheiros de acordo com a chamada “identidade de gênero”.
Em seguida, o Cardeal se dirigiu aos participantes do ‘National Catholic Prayer Breakfast’ ressaltando que chegou aos Estados Unidos para “encorajá-los a ser proféticos, fiéis e sobretudo a fim de que rezem”.
“Estas três sugestões – prosseguiu – demonstram que a batalha pela alma da América e a alma do mundo é basicamente espiritual. Mostram que a batalha briga primeiro com nossa própria conversão a Deus a cada dia”.
É importante para esta missão, continuou, um grande discernimento a respeito de como “em suas vidas, em seus lares, em seus locais de trabalho, em sua nação, Deus está sendo reduzido, eclipsado e liquidado”.
Recordando o título do seu livro, o Cardeal concluiu: “ao final, é Deus ou nada”.
“Dieu ou rien” (Deus ou nada) é o nome do livro no qual aparece a extensa entrevista realizada pelo jornalista francês Nicolas Diat ao Cardeal Sarah. Este homem de imprensa também escreveu um livro sobre Bento XVI.
Os temas do livro são variados e não excluem alguns polêmicos como os abusos sexuais de alguns membros do clero e a enérgica e decisiva reação de João Paulo II, Bento XVI e Francisco com sua política de tolerância zero; além das grandes perguntas do mundo pós-moderno que vive longe de Deus.
O Cardeal Sarah foi ordenado sacerdote em 1969 e foi consagrado bispo em 1979, tornando-se o bispo mais jovem do mundo.
Em 2001, foi convocado a Roma pelo Papa João Paulo II para servir como Secretário da Evangelização dos Povos.

Bento XVI o escolheu como presidente do Pontifício Conselho Cor Unum em 2010 e em 2014 o Papa Francisco o nomeou Presidente do dicastério vaticano que é responsável pela liturgia.

Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A castidade de D. Sebastião, Rei de Portugal



Sua alma cada vez mais se esmaltava de intenções formosas, e seu corpo vestia-se de castidade. Não deixava que nenhuma dama lhe tocasse, e quando passeava a cavalo pela Rua Nova, ou pelas betesgas da velha e mourisca Lisboa, jamais levantava os olhos para as donzelas que chegavam às ventanas ou curiosamente espreitavam por detrás das verdes adufas árabes.

Era que seu espírito, vivendo exclusivamente para o catolicismo e para a guerra, queria servir estas ideias com alma pura e corpo casto.

Uma manhã, na igreja de São Roque, confessado e comungado, recolheu-se todo em si, cabeça inclinada para o peito, em profunda absorção. Esteve assim muito tempo. Depois, ergueu a fronte, pôs firme os olhos num crucifixo alto e, entre grossas lágrimas, rogou com a alma inteira:

– Senhor, Vós que a tantos príncipes haveis concedido impérios e monarquias, concedei-me ser vosso capitão!

Eram três as suas orações diárias: – Que Deus o inflamasse no zelo da fé, que ele queria propagar pelo mundo; – que Deus o tornasse um ardido guerreiro; – que Deus o conservasse casto.

Ser casto! Para ele a castidade era uma graça física que o tornava forte, uma fortaleza que o fazia ledo. A castidade dilatava-lhe a alma, amando a todos – ao reino, à grei. Era uma pureza que, vivendo em si, marcava conceito nobre em todos os seus propósitos, lhe punha frescor no olhar e lhe brunia as faces com sorrisos brancos. Ser casto era vestir um arnês de candura.''


Antero de Figueiredo in 'D. Sebastião, Rei de Portugal' (Livrarias Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1924)Créditos: Senza Pagare

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Religiosidade varonil - Tihamer Toth

 
Muitos jovens se afastam da vida religiosa ao verificarem o contraste entre a aparente religiosidade exterior de alguns companheiros e sua esterilidade espiritual. Outros, trazem a prática da religião demasiado sentimento e por seu sentimentalismo fazem com que a religiosidade seja mal interpretada pelas pessoas sérias. Religiosidade é o culto de Deus conjuntamente prestado pela razão, o coração e a vontade. O coração ou sentimento tem, pois, também seu papel, mas um elemento não deve demasiar-se em deferimento dos outros dois. Da religiosidade exageradamente sentimental pode-se dizer o que, infelizmente, alguns afirmam de toda a religiosidade: ela é própria só para o povo e as mulheres.

Como? A religião é boa somente para o povo e as mulheres? Para os cultos, inteligentes homens modernos não serve? — Certo que serve! A religiosidade bem compreendida, real, varonil, serve e sem contestação!

E quando será ela, real e varonil?

Podem alguns ter idéias de religião adulterada quanto o quiserem; não poderão negar que ela é um dos mais belos ornatos que constituem a verdadeira nobreza do homem.

Em nossos tempos, tentaram tirar à religião sua autenticidade, e substituí-la por diversas especulações científicas; em vão! Onde se atacou a religião, começou a decadência da virtude, da honestidade, do sentimento do dever, da consciência, do caráter, — numa palavra, dos mais belos ideais da humanidade. Podemos buscar exemplos na história dos antigos gregos, dos romanos e outros povos. Ali, a vida dos próprios sábios, que procuravam tudo o que era bom e nobre, não se isentava de falhas, porque eles não conheciam a verdadeira religiosidade.

Mas, que é a verdadeira religiosidade?

Verdadeira religiosidade é a submissão da alma humana a Deus, nosso Criador e Supremo Fim. Esse “dobrar-se” nos dá forças contra nosso egoísmo, faz-nos independentes do mundo e de nossas inclinações desregradas. A religiosidade prodigaliza à alma tal ascendência sobre o mundo, que Kant a chamou com razão “Medicina universal”, pois nos torna capazes de suportar todas as penas.

Um grande general dizia: “Ser soldado é não comer quando se tem fome, não beber quando se tem sede, ajudar o companheiro ferido, quando a gente mesmo apenas consegue arrastar-se”.

Soldados de Cristo, no entanto, significa ser um jovem religioso; quer dizer, não cometer pecado, muito embora a tentação nos alicie; cumprir a todos os momentos o dever, por mais aborrecido que nos pareça; servir a Deus pelo heróico cumprimento de tôdas as obrigações da vida.

Se salvares alguém de um incêndio, ou retirares da água quem está a afogar-se, farás uma ação heróica. Contudo, em outras circunstâncias, terás o mesmo merecimento se recolheres um caco de vidro ou uma casca de laranja, para evitar que alguém corte o pé ou quebre uma perna. Ouvi contar que um jovem aventuroso sentara-se à margem do Danúbio, esperando que alguém caísse na água, para salvá-lo. Acho que ainda hoje lá está sentado e que envelheceu de tanto esperar. Entrementes ele perdeu mil ocasiões pequenas, que se teriam apresentado diariamente, para fazer algum bem. O valor duma boa ação não depende da dificuldade que apresentou, do tempo que durou, mas da prontidão, atenção, alegria e espírito de sacrifício com que foi realizada.

Meu ideal não é um jovem a quem errónea interpretação de religiosidade tira a alegria, o temperamento juvenil. Na realidade há desses “jovens piedosos”, que se retraem timidamente dos camaradas, não têm amizades e que consideram inconveniência e até pecado um bom humor tumultuoso, balbúrdia e chistes inocentes. São indubitavelmente jovens sinceros e dignos de respeito; mas julgam, ilusoriamente, que o sentimento religioso se restringe apenas a exterioridades.

O jovem deveras religioso nunca é excêntrico. Não fala muito de religião*, mas vive segundo ela; com isso não quero dizer que dela se envergonhe. Entre bons companheiros, não procura ser a todo custo o mais valente; em companhia, porém, de camaradas levianos, não cede nem um ponto sequer de suas convicções.

Infelizmente, na alma de muitos moços, o sentimento religioso murmura apenas como um fio de água! Há por aí, lá longe, acima das nuvens, um bom velhinho, Deus, a quem devemos rezar, de vez em quando, ou porque dele queremos alguma coisa, ou porque o tememos; nisso consiste toda a sua religiosidade…

Santo Deus! Que esqueleto de religiosidade é essa, que pão seco em vez de alimento vivificante! O moço de fé profunda não representa a Deus muito acima das nuvens, uma vez que é incomensurável e ocupa o mundo inteiro, “pois, nele vivemos, nos inovemos e somos”, e mesmo que o quiséssemos Dele não poderíamos fugir.

Nem por sombra deveríamos fugir de Deus: Ele é o amor infinito que nos obriga a dobrar os joelhos; é a bondade inesgotável que atrai o coração do homem com força magnética.

Para o jovem verdadeiramente religioso, Nosso Senhor não é uma idéia oca, uma vida que se aprende: onde nasceu, onde viveu, onde padeceu: Jesus é para ele uma realidade, cujo ser divino se grava em sua alma e nela se incorpora. Sem Ele a alma é uma gélida câmara frigorífica; no melhor dos casos, um jazigo mortuário, ornado de joias preciosas, sempre contudo um túmulo sem vida, sem calor, sem coração a pulsar.

Muitos jovens julgam religiosidade certo gosto de rezar e ir à igreja. São apenas formas exteriores de religião, aliás necessárias; mas se a religiosidade se resumir só nisso, corre o perigo de ser mera exterioridade.

Por verdadeira e varonil religiosidade, eu entendo muito mais. Entendo a idéia, que enche toda minha vida; o pensamento de que, em todo o meu ser cada pulsação do coração, a todo instante, com todos os meus pensamentos, sou humilde servo do Pai Onipotente, ao qual portanto gosto de rezar, cujas igrejas visito com alegria, mas a quem também quero servir a todas as horas, com todos os meus alentos. Para o jovem realmente religioso, rezar não é somente recitar o Padre Nosso, mas qualquer trabalho e o próprio recreio. Oração é sua refeição, seu estudo, o cumprimento de seus deveres, sua vida toda, porque quer com isso glorificar a Deus.

Vê, filho meu, isso é religiosidade varonil! Já refletiste desta maneira sobre o que quer dizer ser jovem religioso?

Que sabe de tudo isso o moço sem vibração de alma, para quem a religiosidade consiste em recitar sem atenção à noite, sua oração, e assistir à missa aos domingos porque está obrigado! Pobrezinho! Contenta-se com um fio de água, quando têm à mão torrentes copiosas de águas vivificantes. Verdadeira religiosidade é alegria e consolação, estímulo e vibração na vida do homem.

Religião e Juventude – Mons. Tihamer Toth

Modéstia Masculina

* Obs.: Ao contrário do autor do texto, não vejo problema algum em quem fala bastante de assuntos religiosos.
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