Ao publicar este texto, não quero afirmar que considero pecado o vestir-se uma vez ou outra com uma camisa rosa, ou utilizar pulseiras (sem exageros, é claro). Contudo, devemos tomar cuidado com um certo igualitarismo entre homem e mulher que vem se alastrando nas últimas décadas, e invadindo, quase imperceptivelmente, nosso guarda-roupa e nossa mentalidade. Há que se evitar, também e sobretudo, qualquer tipo de sensualidade na maneira de vestir, evitar roupas que marquem muito o corpo e que possam ser ocasião de pecado impuro para as outras pessoas.
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Príncipe William (Duque de Cambridge) |
Por Vladimir Lachance
Muito se tem discutido sobre a modéstia feminina, frisando, sobretudo,
que tipo de traje seria adequado ou não para uma mulher católica. A
resposta tem se tornado cada vez mais clara, pois surgem traduções
importantes de declarações papais, textos relevantes de grandes santos e
teólogos, que vão dando precisão aos argumentos em favor da moralização
das vestes femininas.
Vê-se, com grande entusiasmo e esperança cristã, reerguer-se a dignidade
da mulher católica. É nesse momento de robustecimento da fé católica,
com essa bela reação contra as roupas imorais para as mulheres, que nos
aparece nova questão: e para os homens, existe a virtude da modéstia no
vestir? E quais seriam as regras a se seguir?
Para responder a estas perguntas é preciso ter claro o fato da diferença
psicológica de homens e mulheres, e ter isto em mente significa
perceber que existem maneiras específicas de olhar o mundo e o que nele
existe que são muito próprias para cada sexo.
Disso decorre que a modéstia deve ser observada por ambos de maneira
condizente à sua própria natureza. O homem, assim como a mulher, deve
seguir as regras do pudor, da castidade e da higiene, e, além disso,
deve ter sempre presente qual é o seu papel e missão na Criação.
O homem é uma das “duas expressões diversas da natureza humana”1; e se
existem essas duas expressões, elas não podem ser iguais, pois se fosse
assim não seriam duas, portanto devem diferenciar-se em pelo menos
alguns aspectos, tendo características inerentes que as tornem únicas,
mas ao mesmo tempo complementares – já que formam uma mesma natureza
humana.
Para a mulher, podemos, olhando para o exemplo da mulher por excelência,
a Virgem Santíssima, recolher traços particulares do seu modo de ser,
que seria: humildade, meditação, silêncio, submissão, delicadeza; é,
acima de tudo, a força espiritual – como retratou a historiadora Gertud
Von Le Fort: a mulher representa a força invisível que move o mundo.
Já para o homem podemos tomar como exemplo o chefe da Sagrada Família, o
glorioso São José, que na ladainha composta em sua homenagem é saudado
como casto guarda da Virgem, sustentador do Filho de Deus, zeloso
defensor de Jesus Cristo, fortíssimo, modelo dos operários, sustentáculo
das famílias e protetor da Santa Igreja.
Notem que não se trata de dizer que essas virtudes são somente
masculinas ou femininas, pois se poderia objetar que determinadas
mulheres se sobressaíram na história exatamente pela firmeza, como foi o
caso de Santa Joana D’arc, ou que alguns homens se santificaram
exatamente pela submissão e certa docilidade. Quanto a isto não haja
dúvida: não se trata de dizer que existem vias exclusivas de
santificação para homens e mulheres, mas de fazer nota da existência de
atitudes peculiares, enquanto homens e mulheres em geral.
Antes que sejamos capazes de refletir mais sobre as roupas mais
adequadas para o homem vestir, temos que definir como se encontra a moda
masculina como um todo. Quanto à moda feminina não temos dúvida do seu
estado atual, Já para a moda masculina prevalece uma atual presença da
cultura relativista na forma como os homens, em geral, se vestem.
Talvez não seja tão claro para um homem ter noção disto – se ele não
prestar atenção no que foi sendo incorporado ao seu guarda-roupa:
camisetas, regatas (comumente de número abaixo ao que ele deveria estar
usando), cores femininas, estampas (anjos, dragões, mulheres, “tribais”,
números aleatórios, frases sem sentido…), florais, colares, pulseiras,
brincos, cintos estilizados (prateados, rebites, etc.), anéis, calças
justas ou de estampas duvidosas, e por aí adiante – se o leitor ainda
não se sentir capaz de visualizar o que estou tentando dizer, veja as
fotos no fim do artigo e compare como os homossexuais se vestiam décadas
atrás e como os homens costumam se vestir hoje. Como chegamos a este
ponto?
Dentre os vários pontos relevantes, destacamos:
1 – De acordo com certa ideologia corrente nos nossos dias, “ninguém
nasce homem ou mulher”, mas sua identidade é construída na vida em
sociedade, e essa identidade seria supostamente arbitrária. Estas
pessoas pretendem dizer que não existe diferença ontológica alguma entre
homens e mulheres, mas que tudo é construção;
2 – Esta mesma ideologia, por ser desconstrucionista – e por isso mesmo
destrutiva de toda ordem natural -, postula que estas mesmas identidades
não podem ser classificadas apenas como identidades de mulher ou de
homem: há uma multiplicidade de identidades de “gênero” – as quais
definem como: gay, lésbica, transexual, travesti, etc.; completam a
abominação dizendo que nenhuma destas identidades são fixas, mas que as
pessoas transitam, durante a vida, por várias delas;
3 – É este tipo de ideologia que está sendo utilizado para eliminar as
diferenças sexuais estabelecidas e queridas por Deus-4; todos os
aspectos da psicologia humana e todos os âmbitos da sociedade são
atingidos quando este tipo de pensamento se alastra. Quando isto
acontece, tudo aquilo que é produzido nesta sociedade está contaminado
por tal concepção, de modo que desde a propaganda de eletrodomésticos,
passando pela moda, e principalmente pela forma que as pessoas se
relacionam entre si, apresentam resultados do esforço ideológico
destrutivo.
Todo este pensamento, no entanto, pode ser definido em uma palavra:
igualitarismo. Tendência de tudo igualar, de abolir as diferenças –
principalmente aquelas queridas por Deus: Quer abolir as diferenças
entre os sexos, as idades, as culturas e transformar tudo numa massa
uniforme, onde ninguém é mais ou menos que ninguém, todos valem o mesmo.
Na moda masculina, a tendência igualitária procurou o mesmo caminho
descrito acima para alcançar o seu fim último, que neste caso vem a ser a
abolição da diferença entre os sexos. Desde a sua primeira intervenção
na moda, o igualitarismo já tinha em si o poder de confundir os sexos,
de destruir toda a indumentária que deixasse marcada a diferença
existente entre o homem e a mulher.
Quando a calça é introduzida no guarda-roupa feminino, isto também traz
graves conseqüências para os homens, pois uma peça que era claramente
masculina se tornou unissex – e esta palavra que também virou moda: a
moda unissex; inconcebível há pouco tempo atrás.
Moda unissex não se trata somente de uma mesma peça que pode ser usada
por homens e mulheres (uma camiseta branca que você compra e pode
presentear tanto a João quanto a Maria), mas o fato de que quase toda
espécie de vestimenta hoje é produzida para ambos os sexos. Exemplos: a
camisa pólo masculina e feminina, a calça, a jaqueta, o colete, a camisa
social, o terno, a bermuda, e por aí vai. E o que diferencia estas
peças é algo muito tênue, é certa tendência para cores ou estampas (fato
que tende a diminuir a cada ano), é uma mudança mínima no corte.
Se por um lado o fato de que as mulheres incorporaram o uniforme de
trabalho (a camisa masculinizada e as calças) no seu guarda-roupa
contribuiu para o igualitarismo, o caminho oposto – ou seja, o homem
incorporar indumentárias femininas -, estava facilmente definido e
fadado a acontecer. Este caminho se encontrava na maneira como os
homossexuais se vestiam, pois eles já usavam roupas e acessórios
afeminados. O caminho mais fácil não era ligar este homem à moda de sua
esposa, mas estender a cultura relativista para todos os homens. E esta
cultura, de fato, fez duras investidas contra as vestes masculinas
Este igualitarismo (5) é o primeiro mal do qual o homem católico deve
fugir ao escolher que roupa irá usar. E para isso, é necessário que ele
reconheça sua dignidade como filho de Deus, cuja missão é, antes que
qualquer outra, refletir a paternidade divina.
Numa época cuja nobreza da vocação paterna e materna é colocada
permanentemente em dúvida e ridicularizada(6), sendo utilizado para isto
também a moda, significa que passou da hora de uma reforma moral. Esta
reforma começa com o nosso “fiat” a Deus e tem uma repercussão direta no
momento em que formos à nossa próxima compra de roupa.
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1-Dietrich Von Hildebrand. O Amor Entre o Homem e a Mulher.
2 Cf. CIC 369-371
3- Cf. Carta aos bispos sobre a moda imodesta (1954) e discurso de Pio
XII, às garotas da Ação Católica, 22 maio 1941: “Enquanto certos modos
provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de
reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se
ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como
ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais
de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas
quedas”.
4-Tal como a autora feminista Shulamith Firestone escreveu na “Diáletica
do Sexo” (The Dialectic of Sex): “Assim como a meta da revolução
socialista era… a eliminação da… distinção da classe econômica como tal,
assim a meta da revolução feminista deve ser a eliminação da… distinção
do sexo como tal [de forma que] a diferença genital entre seres humanos
não teriam mais nenhuma importância culturalmente. Citado em:
http://christopherwest.com/page.asp?ContentID=120
5- “Devemos acentuar a diferença, ao menos como tática de argumentação,
porque um dos vícios de nosso tempo consiste precisamente em procurar a
simplificação da uniformidade. A desordem de nosso tempo consiste em
tender para o amálgama, para o informe, para a massa, para a sociedade
sem classe, para um mundo sem limites, para uma vida sem regras, para
uma humanidade sem discriminações. Ao contrário disto, a sociedade que
desejamos construir é uma sociedade ricamente diferenciada, e
nitidamente hierarquizada.(…) E, quanto mais infantil for a criança, e
quanto mais mulheril a mulher, e quanto mais varonil o homem, tanto
melhor realizaremos em cada situação concreta a ordem, cambiante mas
verdadeira, que é o fundamento da felicidade dos povos. O bem, a
perfeição da sociedade, está na infantilidade da infância, na
feminilidade da mulher, na masculinidade do homem”. (Gustavo Corção,
Vocação da Mulher)
Fonte: Blog Modéstia Masculina http://modestiasaojose.blogspot.com.br/
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