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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A importância do esporte, do ponto de vista de um Papa!



– I –

Tudo o que fala de exercícios físicos, de jogos, de competições, de esporte, interessa e atrai a juventude de hoje. Os jovens cristãos sabem, porém, que os movimentos do espírito, especialmente a corrida para a luz intelectual, o avançar sobre o terreno misterioso e por vezes árduo da revelação, o impulso para a bondade e a santidade, são ainda mais belos e mais nobres e apaixonantes, porque o saber e a virtude de ânimo sobrepujam e superam a forma dos músculos e a perecível desenvoltura e agilidade dos membros.

O vigor do corpo, que acompanha e embeleza o florescer da juventude, não permanece diminuído, nem rebaixado, mas, pelo contrário, exaltado e nobilitado pelo estudo da cultura religiosa e da virtude que domina as paixões. Na juventude brilha tanta força de energia no corpo como de virtude no ânimo quando, no fundo do coração, germina aquela vontade que no temor de Deus encontra o princípio da sabedoria iluminadora do caminho da vida.

A juventude, embora inclinada sempre a nada temer, muitas vezes teme e se apavora por não se achar suficientemente moderna, à altura do seu tempo. Mas o verdadeiro cristão está sempre à altura do tempo (Discurso aos Jovens de Ação Católica, 10 de novembro de 1940).

***

– II –

Tão longe da verdade está quem repreende a Igreja por não cuidar dos corpos e da cultura física quanto quem pretenda restringir a sua competência e ação às coisas “puramente religiosas”, “exclusivamente espirituais”.

Como se o corpo, criatura de Deus, do mesmo modo que a alma, à qual está unido, não devesse ter sua parte na homenagem a ser prestada ao Criador!

“Seja comendo”, escrevia o Apóstolo das Nações aos Coríntios, “seja bebendo, seja que façais qualquer outra coisa, tudo fazei para a glória de Deus”. São Paulo fala aqui da atividade física: o cuidado do corpo, o esporte, bem se encaixa nas palavras “seja que façais qualquer outra coisa”. Antes, Paulo discorre muitas vezes explicitamente: fala de corridas, de lutas, não com expressões de crítica ou de repreensão, mas como conhecedor que eleva e nobilita o conceito cristão das mesmas.

Afinal, que coisa é o esporte senão uma das formas de educação do corpo? Ora, esta educação está em estreita relação com a moral. Como poderia, portanto, a Igreja desinteressar-se dela?

Em realidade, a Igreja sempre teve para com o corpo humano uma solicitude e uma atenção que o materialismo, no seu culto idolátrico, não manifestou jamais. E é muito natural, pois este não vê e não conhece do corpo senão a carne material, cujo vigor e cuja beleza nascem e florescem para depois conhecerem a podridão e a morte, como a erva do campo que termina nas cinzas e no lodo. É bem diverso disto o conceito cristão. O corpo humano é, em si mesmo, a obra-prima de Deus na ordem da criação visível. O Senhor o destinou a florescer, aqui embaixo, para que, imortal, desabroche nas glórias do céu. Ele o uniu ao espírito na unidade da natureza humana, para que a alma saboreasse o encanto das obras de Deus, para ajudá-la a remirar neste espelho o seu Criador comum! Não foi Deus que fez mortal o corpo humano, mas sim o pecado; só por causa do pecado, o corpo, tirado do pó, deve um dia ao pó retornar. Deste pó, entretanto, o Senhor irá tirá-lo novamente para chamá-lo à vida. Ainda que reduzidos a pó, a Igreja respeita e honra os corpos, mortos para depois ressurgirem.

Mas a uma visão ainda mais alta nos conduz o Apóstolo São Paulo: “Não sabeis”, diz ele, “que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós, que vos foi dado por Deus e que não pertence a vós mesmos? Pois fostes resgatados por alto preço! Glorificai, portanto, a Deus no vosso corpo”.

Ora, qual é, em primeiro lugar, o ofício e o fim do esporte, sã e cristãmente entendido, senão exatamente o de cultivar a dignidade e harmonia do corpo humano, de desenvolver a sua saúde, vigor, agilidade e graça?

Nem se reprove a São Paulo a sua enérgica expressão “Trato duramente o meu corpo e o reduzo à servidão”, pois ele, no mesmo trecho, se apoia no exemplo dos fervorosos cultores do esporte. O esporte moderno, conscienciosamente exercitado, fortifica o corpo, torna-o são, forte e cheio de vida para executar esta função educativa; o esporte submete o corpo a uma disciplina rigorosa e por vezes dura, que o domina e o retém verdadeiramente em servidão: treino para a fadiga, resistência à dor, hábitos de continência e de temperança severa, condições todas indispensáveis para quem quer conseguir a vitória. O esporte é eficaz antídoto contra a moleza e a vida cômoda, acorda o sentido de ordem e educa ao exame e ao domínio de si, ao desprezo do perigo sem jactância nem pusilanimidade. Assim, ele ultrapassa a robustez física para conduzir à força e à grandeza moral. Do país natal de muitos esportes teve origem o proverbial “fair play”, aquela emulação cavalheiresca e cortês que eleva os espíritos acima das mesquinhezes das fraudes, dos ardis de uma vaidade obscura e vingativa, e os preserva dos excessos de um fechado e intransigente nacionalismo. O esporte é uma escola de lealdade, de coragem, de resistência, de resolução, de fraternidade universal, todas estas virtudes naturais, mas que fornecem à virtude sobrenatural um fundamento sólido e preparam para sustentar sem debilidades o peso das mais graves responsabilidades.

Fatigar sadiamente o corpo para repousar a mente e dispô-la para novos trabalhos, afinar os sentidos para adquirir uma intensidade maior de penetração das faculdades intelectuais, exercitar os músculos e habituar-se ao esforço para temperar o caráter e formar-se uma vontade forte e elástica como o aço: tal era a ideia que o sacerdote alpinista havia feito do esporte.

Como esta ideia é distante do grosseiro materialismo, para o qual o corpo é todo o homem! Mas como é distante, também, daquela loucura do orgulho, que não se contenta em arruinar com um desprezo malsão as forças e a saúde do esportista a fim de conquistar a palma da vitória, em uma luta ou competição de velocidade, e o expõe, por vezes, temerariamente, até à morte! O esporte digno deste nome torna o homem corajoso diante do perigo presente, mas não o autoriza a desafiar um risco sério sem uma razão proporcionadamente grave. Isto seria moralmente ilícito.

Assim entendido, o esporte não é um fim, mas um meio; como tal, deve ser e permanecer ordenado ao fim, que consiste na formação e educação perfeita e equilibrada do homem por inteiro, para o qual o esporte é um auxílio no cumprimento pronto e alegre do dever, quer na vida de trabalho, quer na vida familiar.

Com uma mudança lamentável da ordem natural, alguns jovens se dedicam apaixonadamente, com todo o seu interesse e toda a sua atividade, às reuniões e manifestações esportivas, aos exercícios de treinamento e às disputas, colocando todo o seu ideal na conquista de um campeonato, mas às inadiáveis e importantes exigências do estudo e da profissão dão apenas consideração distraída e abúlica. O lar nada mais é, para eles, que um hotel, onde param de passagem, quase como estranhos.

A serviço da vida sã, robusta, ardente, a serviço de uma atividade mais fecunda no cumprimento dos deveres do próprio estado, o esporte pode e deve estar também a serviço de Deus. Para este fim ele inclina os ânimos a dirigirem as forças físicas e as virtudes morais, que desenvolve; mas, enquanto o pagão se submetia ao severo regime esportivo a fim de obter somente uma coroa perecível, o cristão se submete a ele por um escopo mais alto, para um prêmio imortal.

De que serviria a coragem física e a energia do caráter se o cristão as usasse apenas para fins terrenos, para ganhar uma “copa” ou para dar-se ares de super-homem? Se não soubesse, quando necessário, reduzir em meia hora o tempo do sono ou retardar um encontro no estádio para não deixar de assistir à Santa Missa no domingo? Se não conseguisse vencer a preocupação com a opinião alheia para praticar a religião e defendê-la? Se não fosse capaz de prontidão e de autoridade para reprimir com o olhar, com a voz, com o gesto, uma blasfêmia, um turpilóquio, uma desonestidade, para proteger os mais jovens e os mais débeis contra as provocações, as assiduidades suspeitas? Se não se acostumasse a concluir os seus felizes sucessos esportivos com um louvor a Deus, Criador e Senhor da natureza e de todas as suas forças? Não vos esqueçais que o mais alto destino do corpo, e sua mais elevada honra, é ser habitação de uma alma, que refulge de pureza moral se for santificada pela graça divina (Discurso aos Jovens da Ação Católica, 20 de maio de 1945).

***

– III –

Prestai em primeiro lugar a Deus a honra que lhe é devida e, sobretudo, santificai o dia do Senhor, pois o desporto não dispensa dos deveres religiosos. “Eu sou o Senhor teu Deus”, diz o Altíssimo no Decálogo; “não tenhas outro Deus fora de mim”, isto é, nem sequer o próprio corpo nos exercícios físicos e no desporto: seria quase um regresso ao paganismo. De igual modo, o quarto mandamento, expressão e tutela da harmonia que o Criador quis no seio da família, recorda a fidelidade às obrigações familiares, que se devem preferir às supostas exigências do desporto e das associações desportivas.

Pelos mandamentos divinos é também protegida a vida própria e a alheia, a saúde própria e a alheia, as quais não é lícito expor imprudentemente a sério perigo com a ginástica e o desporto.

Deles recebem força também aquelas leis, já conhecidas dos atletas do paganismo, que os desportistas verdadeiros observam justamente como leis invioláveis no jogo e nos desafios e são outros tantos pontos de honra: franqueza, lealdade, espírito cavalheiresco, pelas quais detestam, como mancha desonrosa, o emprego da astúcia e do engano; estimam e respeitam o bom nome e a honra do adversário tanto como o próprio.

O exercício físico se torna, assim, como que uma ascese de virtudes humanas e cristãs, ou melhor, deve tornar-se e ser tal, por mais duro que seja o esforço exigido, para que o exercício do desporto se supere a si mesmo, atinja um dos seus objetivos morais e seja preservado de desvios materialistas, que lhe diminuiriam o valor e a nobreza.

Eis, em poucas palavras, o que significa a fórmula “Quereis agir retamente na ginástica, no jogo e no desporto? Observai os mandamentos”, os mandamentos no seu sentido objetivo, simples e claro.

CONCLUSÃO

Quando se respeita com cuidado o teor religioso e moral do desporto, ele deve entrar na vida do homem como elemento de equilíbrio, de harmonia e de perfeição, e como ajuda eficaz para o cumprimento dos outros deveres. Baseai, portanto, a vossa alegria na prática correta da ginástica e do desporto. Levai para o meio do povo a sua benéfica corrente para que prospere cada vez mais a saúde física e psíquica e se fortifiquem os corpos ao serviço do espírito; acima de tudo, enfim, não esqueçais, no meio da agitada e inebriante atividade gímnico-esportiva, aquilo que na vida vale mais que todo o resto: a alma, a consciência e, no vértice supremo, Deus (Discurso ao Congresso Científico Italiano de Desporto e Educação Física, 8 de novembro de 1952).

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A partir de “Pio XII e os problemas do mundo moderno”, em tradução e adaptação do Pe. José Marins

Créditos: Aletheia

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Como evangelizar os meus filhos?


Os pais não devem apenas mandar os filhos para a igreja, mas levá-los
A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda criança deve aprender a conhecer a Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.
Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus se isso não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem de ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, Sua vida, Seus milagres, Seu amor por nós, Sua divindade, Sua doutrina… Eles são os responsáveis a dar-lhes o batismo, a primeira comunhão, a crisma e a catequese.Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor – estudo – religião.
Nunca esqueci o terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo de minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que o ensine a rezar! Passei a vida toda estudando, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagônicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.

Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprender a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isso se desdobra em outros exemplos. Os genitores precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos em um oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse, um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma em um templo.”
Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado à escola. Infelizmente, hoje, se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que os filhos aprendem ali. Infelizmente, hoje, o Governo está colocando até máquinas para distribuir “camisinhas” nesses locais. Os filhos precisam em casa receber uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, a fim de que não aprendam uma moral anticristã.
Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber selecionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, entre outros.(...) A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de um televisor ligado. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação dessa criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirá-las da frente do televisor, oferecendo-lhes brinquedos, jogos, contando-lhes histórias, etc.. Da mesma forma, ocorre com a internet: os pais não podem descuidar dela.
Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquistá-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o tênis caro? Não! Você os conquista com aquilo que você é para o seu filho, não com aquilo que você dá a ele. Você o conquista dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisa de você. Saint-Exupéry disse no livro “O Pequeno Príncipe”: “Foi o tempo que você gastou com sua rosa que a fez ser tão importante para você”.
Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho dos pais. Assim será fácil você levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a igreja porque não foram conquistados por estes.
Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando você o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhê-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele. Enfim, antes de dizer a seu filho “Jesus te ama”, diga-lhe: “eu te amo”.
  Felipe Aquino
 
Fonte: Modéstia Masculina

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Santo Afonso fala-nos sobre a Castidade



Castidade


Habitua-te a rezar, de manhã, ao levantares,
três Ave-Marias em honra da pureza imaculada da SS. Virgem 
e faze o mesmo de noite, ao te acomodares

Quanto à santa pureza, nunca tenhas em conta de demasiada toda e qualquer precaução. "O sábio teme e foge diz a Sagrada Escritura; só o louco confia em si mesmo e sucumbe" (Prov. 14,16). Quem se expõe voluntariamente à ocasião de pecado, dificilmente se preservará da queda. Evita, por isso, toda a familiaridade com pessoas de outro sexo, por mais piedosas que sejam elas, pois o demônio sabe prender entre si as pessoas piedosas por uma certa inclinação natural, que é contrária à pureza do coração; ele não as incita ao princípio a grandes pecados, mas condu-las, se elas não se acautela, pouco a pouco, à beira do abismo.

Por isso, logo que notares qualquer inclinação desregradas no teu coração, procura sufocá-la imediatamente, porque, se a deixares crescer, será mais tarde, dificílimo arrancá-la e destruí-la.

Guarda cuidadosamente tuas vistas, para que não sejas obrigado a exclamar, um dia, chorando e suspirando: "Meus olhos perderam minha alma" (Lam 3,51).

No falar observa a maior modéstia, e se tiveres de ouvir conversas incovenientes, foge quanto antes e, se isso não te for possível, segue o conselho do Espírito Santo: "Circunda teus ouvidos de espinhos e não queiras ouvir a língua perversa". (Ecli 28,28). Corrige aquele que entrevém tais conversas ou, ao menos, dá mostras de que uma tal conversa te desagrada.

Procura repelir de teu coração todos os pensamentos desonestos logo que os perceberes. Não entres em questão alguma com o demônio, mas arma-te imediatamente com a oração. A experiência ensina que aquele que recorre a Deus nas tentações não cai, no passo que consente no pecado quem então deixa de rezar. Por isso, logo que fores atacado por uma tentação impura, invoca os santos nomes de Jesus e Maria; esses nomes têm o poder de afugentar o inimigo e apagar o fogo da impureza.

Se a tentação perdura, não te perturbes por isso. Entrega-te então com toda a humildade à vontade de Deus, que permite essa provação, e dize: Senhor, por meus pecados mereço ser molestado por tentações tão horrorosas; a Vós compete, porém, auxiliar-me. Renova o propósito de antes morrer que ofender a Deus; persigna-te repetidas vezes com o sinal da Santa Cruz e toma a água benta; recebe os santos sacramentos, ajoelha-te aos pés de teu crucifixo ou de uma imagem de SS. Virgem e pede e suplica até que venha o auxílio.

Habitua-te a rezar, de manhã, ao levantares, três Ave-Marias em honra da pureza imaculada da SS. Virgem e faze o mesmo de noite, ao te acomodares.

(Escola da Perfeição Cristã para seculares e religiosos, obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, vertida para o português segundo a edição alemã do Pe. Paulo Leick pelo Pe. José Lopes, edição de 1955)

Fonte: A Grande Guerra

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nossa Senhora, pavor dos Demônios (S. Domingos Gusmão)



(São Domingos de Gusmão)


Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava posseso pelo demônio, parece que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar.Os demônios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles disseram que:

1 - Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;

2 - Eles continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário ele impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o Mundo, isto por causa das  almas que ele arrancou dos demônios através da devoção do Santo Rosário;

Eles então revelaram várias outras coisas.
* * *

São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem quem de todos os santos nos Céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto mais amado e reverenciado pelos homens.

Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo...e eles disseram: " Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desse corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão sua pergunta a qualquer momento...

São Domingos ajoelhou-se e rezou à Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade  completa e nada mais que a verdade.
Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos.Ela bateu no homem posseso com um cajado de ouro que segurava e disse: "Responda ao meu servo Domingos imediatamente" .
Então os demônios começaram a gritar:

"Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruina e nossa destruição, porque desceste do Céus só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para o Céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruina? Oh, pobres de nós, principes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no Inferno.Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito.
* * *

Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.
Nós a tememos mais que todos os santos nos Céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos. Muitos cristão que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão.
Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desínios e esforços, teríamos conquistado a igreja e a teríamos destruido há muito tempo atrás; e teríamos feito que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem. Agora, que somos forçados a falar, também lhe diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus"


(O Segredo do Rosário - São Luís Maria G. de Montfort -pág.95 à 97)


Fonte: Católicos Tradicionais

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Modo de resistir às tentações segundo São João da Cruz



Há duas maneiras de resistir aos vícios e adquirir as virtudes. Existe uma maneira mais comum e não tão perfeita que consiste em procurar resistir a algum vício por meio de atos de virtude que se lhe opõe e que destrói tal vício, pecado ou tentação. Como se ao vício ou tentação de impaciência ou de espírito de vingança que sinto em minha alma, por algum dano recebido, ou por palavras injuriosas, ou quisesse resistir lançando mão de considerações apropriadas, por exemplo, considerando a paixão do Senhor: "Era maltratado e ele sofria, não abria a boca" (Is 53,7); ou trazendo à lembrança os bens que se adquirem com o sofrimento e com o vencer-se a si mesmo, ou ainda, pensando que Deus nos ordenou que sofrêssemos por advir daí o nosso aproveitamento, etc. Por meio dessas considerações, consinto em sofrer, querer e aceitar a citada injúria, afronta ou dano, e isso, visando a glória e a honra de Deus. Esta maneira de resistir e de se opor à tentação, vício ou pecado em apreço, dá ocasião ao exercício da paciência e é um bom modo de resistir, ainda que árduo e menos perfeito.

Há outra maneira mais fácil, proveitosa e perfeita de vencer vícios e tentações e adquirir e conquistar virtudes. Consiste no seguinte: a alma deve aplicar-se apenas nos atos e movimentos anagógicos e amorosos, prescindindo de outros exercícios estranhos; por este meio, consegue opor resistência e vencer todas as tentações do nosso adversário, alcançando assim as virtudes, em grau eminente.

Ao sentirmos o primeiro movimento ou investida de algum vício, como a luxúria, a ira, impaciência, espírito de vingança por uma ofensa recebida, etc., não procuremos resistir opondo um ato da virtude contrária, segundo ficou dito, mas desde os primeiros assaltos, façamos logo um ato ou movimento de amor anagógico contra o vício em questão, elevando nosso afeto a Deus, porque com essa diligência já a alma foge da ocasião e se apresenta a seu Deus e se une com ele. Ora, desse modo, consegue vencer a tentação e o inimigo não pode executar o seu plano, pois não encontra a quem ferir, uma vez que a alma, por estar mais onde ama do que onde anima, subtraiu divinamente o corpo a tentação. Portanto, não acha o adversário por onde atacar e dominar a alma; ela já não se encontra ali onde ele a queria ferir e lhe causar dano.

E então, ó maravilha! a alma como esquecida do movimento vicioso e junta e unida com seu Amado, nenhum movimento sente do tal vício com que o demônio pretendia tentá-la, tendo mesmo, para isso, arremessado seus dardos contra ela; primeiramente, porque subtraiu o corpo, como ficou dito, e, portanto, já não se encontra ali; assim, se me permitem a expressão, seria quase como tentar um corpo morto, pelejar com o que ão é, com o que não está, com o que não sente, nem é capaz de ser tentado, naquela ocasião.

Desta maneira vai-se formando na alma uma virtude heróica e admirável, que o Doutor Angélico, Santo Tomás, denomina virtude da alma perfeitamente purificada. Esta virtude, diz o Santo, é a que vem a ter a alma quando Deus a eleva a tal estado que ela já não sente as solicitações dos vícios, nem seus assaltos, nem arremetidas ou tentações, pelo elevado grau de virtude a que chegou. E daqui lhe nasce e advém uma tão sublime perfeição que já nada se lhe dá que a injuriem ou que a louvem e enalteçam; que a humilhem, que digam mal dela ou que digam bem. Porque, como os citados movimentos anagógicos e amorosos conduzem a alma a tão elevado e sublime estado, o efeito mais próprio deles com relação a ela é fazê-la esquecer todas as coisas que estão fora de seu Amado, que é Jesus Cristo. E daqui lhe vem, segundo referimos, que estando a alma unida a seu Deus e entretida com ele, as tentações não encontram a quem ferir, pois não podem elevar-se ao nível a que a alma subiu, ou até onde foi elevada por Deus: "Nenhum mal te atingirá" (Sl 90,10)

Deve-se prevenir aos principiantes, cujos atos de amor anagógicos não são ainda tão rápidos e instantâneos, nem tão fervorosos, para que consigam, de um salto, ausentar-se completamente dali e unir-se com o Esposo, que, se perceberem que apenas essa diligência não basta para esquecer por completo o movimento vicioso da tentação, não deixem de opor resistência, lançando mão de todas as armas e considerações que puderem, até que cheguem a vencê-la completamente. Devem proceder do seguinte modo: primeiramente, procurem resistir, oponto os mais fervorosos movimentos anagógicos que lhes for possível e os ponham em prática, exercitando-se neles mutas vezes; quando isso não for suficiente, porque a tentação é forte e eles são fracos, aproveitem-se, então, de todas as armas de piedosas meditações e exercícios que julgarem ser necessários para conseguir a vitória. Devem estar persuadidos de que este modo de resistir é excelente e eficaz, pois encerra em si todas as estratégias de guerra necessárias e de importância.

São João da Cruz, Ditames de Espírito

Fonte: GRAA

Exercícios piedosos aos cristãos - por São Pio X




Um bom cristão, pela manhã, assim que desperta, deve fazer o sinal da Cruz, e oferecer o coração a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: "Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma".

Ao levantar da cama e enquanto nos vestimos, deveríamos pensar que Deus está presente, que este dia pode ser o último da nossa vida; ademais, devemos levantar-nos e vestir-nos com toda a modéstia possível.

A um bom cristão, apenas se tenha levantado e vestido, convém pôr-se na presença de Deus e ajoelhar-se, se pode, diante de alguma devota imagem, dizendo com devoção: "Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo de todo o coração; dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite; ofereço-Vos todas as minhas ações, e peço-Vos que neste dia me preserveis do pecado, e me livreis de todo o mal. Assim seja". E rezar depois o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, e os Atos de Fé, de Esperança e de Caridade, acompanhando-os com um vivo afeto do coração.

O cristão, podendo, deveria todos os dias:

1º. Assistir com devoção à Santa Missa;

2º. Fazer uma visita, por breve que fosse, ao Santíssimo Sacramento;

3º. Rezar o terço do Santo Rosário.

Antes do trabalho, convém oferecê-lo a Deus, dizendo do coração: "Senhor, eu Vos ofereço este trabalho, dai-me a vossa bênção". Deve-se trabalhar para glória de Deus e para fazer a sua vontade.

Antes da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, estando de pé, e depois dizer com devoção: "Senhor, abençoai-nos a nós e ao alimento que vamos tomar, para nos conservarmos no vosso santo serviço".

Depois da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, e dizer: "Senhor, eu Vos dou graças pelo alimento que me destes; fazei-me digno de participar da mesa celeste".

Quando nos vemos atormentados por alguma tentação, devemos invocar com fé o Santíssimo Nome de Jesus ou de Maria, ou recitar fervorosamente alguma oração jaculatória, como, por exemplo: "Dai-me a graça, Senhor, de que eu nunca Vos ofenda"; ou então fazer o sinal da Cruz, evitando porém que as outras pessoas, pelos sinais externos, suspeitem da tentação.

Quando uma pessoa reconhece ou receia ter cometido algum pecado, convém fazer imediatamente um ato de contrição, e procurar confessar-se quanto antes.

[Quando fora da igreja se ouve o sinal de elevação da Hóstia na Missa solene, ou da bênção do Santíssimo Sacramento] é bom fazer, ao menos com o coração, um ato de adoração, dizendo, por exemplo: "Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento".

Ao toque das Ave-Marias [pela manhã, ao meio-dia e à noite], o bom cristão recita o Anjo do Senhor ["Angelus"] com três Ave-Marias.

À noite, antes de se deitar, convém pôr-se, como de manhã, na presença de Deus, recitar devotamente as mesmas orações, fazer um breve exame de consciência, e pedir perdão a Deus dos pecados cometidos durante o dia.

Antes de adormecer, farei o sinal da Cruz, pensarei que posso morrer esta noite, e oferecerei o coração a Deus, dizendo: "Meu Senhor e meu Deus, eu Vos dou todo o meu coração. Trindade Santíssima, concedei-me a graça de bem viver e de bem morrer. Jesus, Maria e José, eu Vos encomendo a minha alma’.

No decurso do dia pode-se invocar a Deus freqüentemente com as orações breves que se chamam "jaculatórias". [Eis algumas:]

"Senhor, valei-me";

"Senhor, seja feita a vossa santíssima vontade";

"Meu Jesus, eu quero ser todo vosso";

"Meu Jesus, misericórdia";

"Doce Coração de Jesus, que tanto nos amou, fazer que eu Vos ame cada vez mais";

"Doce Coração de Maria, sede minha salvação";

É muito útil recitar, durante o dia, muitas jaculatórias, e podem recitar-se também com o coração, ser preferir palavras, caminhando, trabalhando, etc.

Além das orações jaculatórias, o cristão deveria exercitar-se na "mortificação cristã". Mortificar-se quer dizer privar-se, por amor a Deus, daquilo que agrada, e aceitar o que desagrada aos sentidos ou ao amor-próprio.

Quando é o Santíssimo Sacramento levado a um enfermo, devemos, sendo possível, acompanhá-Lo com modéstia e recolhimento; e, se não é possível acompanhá-Lo, fazer um ato de adoração em qualquer lugar que nos encontremos, e dizer: "Consolai, Senhor, este enfermo, e concedei-lhe a graça de se conformar com a vossa sAntíssima vontade e de conseguir a sua salvação".

Ouvindo tocar o sino pela agonia de algum moribundo, irei, se puder, à igreja orar por ele; e, não podendo, encomendarei a Nosso Senhor a sua alma, pensando que dentro em breve hei de encontrar-me também eu nesse estado.

Ao ouvir sinais pela morte de alguém, procurarei rezar um "De profundis" ou um "Réquiem", ou um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, pela alma desse defunto, e renovarei o pensamento da morte.



Catecismo Maior de S. Pio X

Fonte: Católicos tradicionais
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