terça-feira, 14 de maio de 2013

Os “beijos íntimos” no namoro são pecado?


"Quero formar uma família verdadeiramente cristã; um pequeno cenáculo onde o Senhor reine nos nossos corações, ilumine as nossas decisões, guie os nossos programas". Santa Gianna Molla [1]

“Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provaçãoeles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade” diz o Catecismo da Igreja Católica [2] e neste contexto – ao falar dos noivos – também se incluem os namorados, e como foi dito, certas manifestações de ternura são específicas do amor conjugal, ou seja, dos que já estão casados, e dessas a principal manifestação é a relação sexual.
Graças a Deus vemos crescer o número de pessoas que tem a intenção de viver um relacionamento casto, e nesse contexto vemos surgir também muitas dúvidas e questionamentos a respeito, uma delas – e provavelmente a mais polêmica – é a discussão sobre se é lícito que um casal de namorados dêem “beijos íntimos”, os chamados“beijos de língua”, - não gosto deste termo por ser um tanto vulgar, mas o uso para exemplificar, pois  já  vi pessoas fugirem do assunto dizendo que existem “níveis de beijos íntimos”, por isso vou logo direto ao assunto para não haver margem para interpretações, - e o motivo deste assunto ser polêmico e fazer com que muitos não o abordem é que ele é sempre um divisor de águas no real entendimento do que é um namoro casto, muitas vezes tem se a falsa ideia de que só é preciso que não haja relação sexual para que o relacionamento seja casto e  o casal não precise se preocupar com mais nada, mas há outras manifestações de carinho que são próprias dos casados pois são uma preparação para a relação sexual, conseqüentemente são ilícitas para namorados e noivos.
É sobre isto que trataremos nesta postagem, apresentaremos alguns apontamentos de autoridades nestes assuntos sobre castidade e também alguns pontos de bom senso sobre o assunto, nossa intenção é que sirva de um estopim para sua reflexão e estímulo para aqueles que já pensam a respeito, por isso é imprescindível que você leia os complementos dos textos indicados (no final da postagem há o link que direciona ao texto completo de cada autor indicado) e também que você leia esta postagem com boa vontade, com o espírito de aprendizagem e aberto a verdade, por mais que a verdade seja incômoda, pois uma pessoa que quer viver a castidade não se pergunta primeiro se deve agradar o namorado ou a namorada, antes ela se pergunta se seus atos estão agradando a Nosso Senhor Jesus, este é o verdadeiro comportamento de um filho de Deus, agindo de forma contrária caímos no pecado, ofendendo a Deus, destruindo a nossa vida e a de quem amamos:
“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”. [3]
Então, vamos aos apontamentos, que o Divino Espírito Santo esclareça nossa inteligência:

Pe. Thomas Morrow: 
[4] “Uma pergunta clássica entre os solteiros diz respeito ao french kiss ou beijo de língua. É aceitável? Redondamente, não. Houve mulheres que me disseram serem capazes de fazê-lo sem se sentirem excitadas, e acredito nelas. Mas, é difícil encontrar um homem normal que não se excite com um beijo de língua. As mulheres são responsáveis pelo que provocam no homem, assim como pelo que provocam e si mesmas.
Um estudante disse-me: - "Padre, eu consigo dar um beijo de língua sem excitar-me". Repliquei-lhe: - "Talvez seja porque o faz mal". Também pode ser porque, pela prática constante, um homem se torne insensível, mas esse processe de insensibilização esconde já muitos pecados graves [...]
O propósito do namoro é chegar a conhecer a outra pessoa para ver se seria conveniente casar-se com ela. Os beijos prolongados não ajudam a alcançar esse objetivo. Geralmente, faz-se isso por ser agradável, não para se chegar a uma descoberta interpessoal. De modo que, ainda que os beijos prolongados não provoquem excitação (o que poderia ser caso para uma consulta médica), são contraproducentes para o namoro. São pelo menos um pecado contra a virtude da prudência [...] Pôr-se voluntariamente em perigo de pecar já é um pecado.”

Jason Evert[5] Quando se fala de pecados de impureza, muitas pessoas pensam: “Se é um pecado mortal, então eu não quero. Mas se for só pecado venial, então não quero perder!”. Precisamos deixar de lado essa idéia minimalista que se foca em “até onde podemos ir sem ofender a Deus”. Mesmo o menor pecado divide, enquanto a pureza faz nascer o verdadeiro amor. Elizabeth Elliot escreveu em seu livro Passion and Purity“Como posso falar de alguns beijos imprudentes para uma geração que cresceu sendo ensinada que quase todo mundo vai pra cama com todo mundo? Daqueles que vagueiam no mar da permissividade e dos excessos, será que existe alguém que ainda olhe para o céu em busca do farol da pureza? Se eu não acreditasse que existe alguém assim, sequer me importaria em escrever.

Portanto, o beijo de língua provoca o corpo com desejos que não podem ser moralmente satisfeitos fora do casamento. Para o casal que está guardando o sexo para o casamento, o beijo de língua é como um garoto de quinze anos sentado no carro, na saída da garagem, só acelerando o carro estacionado, porque sabe que não tem carteira de motorista.
Eu acredito que o problema moral com beijo de língua é mais difícil de ser entendido pelas garotas, porque elas tendem a se excitar sexualmente de uma maneira mais gradual do que os rapazes. Se a excitação de uma mulher pode ser comparada com um ferro de passar esquentando pouco a pouco, a de um rapaz poderia ser comparada com o acender quase instantâneo de uma lâmpada elétrica. As reações sensuais em um rapaz tendem a ser mais imediatas, e quando a chama da excitação sexual se acende, um homem geralmente quer ir além [...]
Pense em guardar a paixão ardente para seu esposo ou esposa. Não apenas sua pureza será um dom e presente para seu cônjuge, ela vai fazer a afeição dele ou dela mais única para você também. No longo prazo isso vai unir os dois muito mais do que todas as “experiências” que o mundo recomenda que você tenha antes de se casar.

Pe. Luiz Carlos Lodi: [6] Alguns jovens, ridículos, dizem: “padre isso aqui é bom, mas está muito difícil, eu acho que não dá para fazer exatamente como está aqui, não, namorar desse jeito, ninguém agüenta…” Então, eles propõem um jeitinho, ao invés de não beijar a gente vai beijar rapidinho, ou então a gente vai beijar encostando só os lábios, mas não a língua, mas qual a distância entre os lábios e a língua? Um milímetro? Ou então “nós vamos beijar poucas vezes”. Tudo isso é ridículo. Se vocês já foram a um posto de combustível, seja ele de gasolina ou álcool, vocês não viram e eu também nunca vi, algum tipo de placa escrito assim: “fume pouco, acenda faíscas em outro lugar, produza poucas centelhas”, ridículo, ou você não fuma ou você já joga logo fogo em cima da gasolina, ou você não produz nenhuma centelha ou então você causa logo a explosão! Com o fogo não se brinca! Com o instinto que Deus colocou em nós, mas que é explosivo como o fogo e que é incendiário como a gasolina nós não podemos brincar. Namorados que querem fazer isso eu digo, sejam coerentes, se vocês querem fazer isso entreguem-se de uma vez à fornicação, se não querem fornicar, tratem de namorar de maneira correta! [...] O amor não se prova com abraço, não se prova com beijo, não se prova pela relação sexual, os animais também fazem isso e eles não se amam.
Como dito no início, é imprescindível a leitura do complemento destes textos, seus link’s estarão indicados no final da postagem. Passemos a mais alguns pontos que são de bom senso sobre o assunto, reflita sobre cada um, verá que fazem muito sentido.
Uma pessoa pediu ao Prof. Felipe Aquino [7] um conselho para se precaver e não cair no pecado da masturbação, entre outras coisas o professor respondeu que a pessoa não deve permanecer em situações que "mexam" com a sua imaginação, que não deve ficar observando situações que lhe provoquem a libido, dentre essas situações ele acentuou que as pessoas não devem ficar observando casais se beijando, principalmente em filmes, novelas e afins, pois isso é um estímulo a esses pensamentos.

Concordamos que o que ele disse faz muito sentido, qualquer um sabe que isso é uma realidade, disso deduzimos: Um casal sabe que olhar os outros se beijando é perigoso por causa do estímulo, agora imagine então o que acontece se o próprio casal se beijar? Se o olhar já os coloca em perigo de pecar, o que acontece se o próprio casal realizar um ato igual? Na sua consciência você já sabe a resposta.

Como foi dito, os beijos íntimos são uma preparação para a relação sexual, isso se liga a outro ponto que as pessoas não param para pensar, todo casal que caiu no pecado do sexo antes do matrimônio estava se beijando antes de ter a relação, é praticamente impossível imaginar que um casal que namore somente de mãos dadas de repente “pule” para uma relação sexual. Então, só o fato de serem praticamente nulas as chances de um casal que namore sem estes beijos íntimos cair no pecado da fornicação já faz que este tipo de namoro seja infinitamente mais agradável a Deus do que o namoro com beijo.

Outro ponto, talvez o mais importante, nada melhor do que observarmos a vida dos santos, seus exemplos nos arrastam a Cristo e são neles que devemos nos espelhar. E tivemos uma santa de nossos tempos que viveu a vocação matrimonial, e obviamente passou pelo tempo de namoro antes de se casar, por isso podemos te-la como grande exemplo, é Santa Gianna Molla. Agora, reflitamos com seriedade, será que ela e seu namorado – e futuro esposo – o Sr. Pietro Molla tiveram um namoro com beijos íntimos? Você sabe que não tiveram, seja sincero consigo mesmo, você não imaginaria uma santa com este comportamento.
Santa Gianna e seu esposo Pietro
 Então, você quer mesmo viver um namoro santo? Está na hora de se perguntar se realmente você quer um namoro casto, que agrade a Deus, ou um namoro que somente satisfaça seus prazeres. Santa Gianna disse:"Se na realização de nossa vocação devêssemos morrer, seria esse o dia mais bonito da nossa vida!".[8] Se o sentido do namoro é a preparação para o matrimônio e sabendo que a vida matrimonial irá requerer inúmeros sacrifícios e grandes responsabilidades, só estará preparado para o casamento aqueles que estão abertos a sacrifícios deste o tempo de namoro, ainda mais quando é pro bem de si mesmo e do outro como é deixar de ter esses beijos íntimosQuem ama de verdade não faz algo que coloque o outro em perigo de pecar.

Dois outros questionamentos comumente vistosE se o outro não quiser um namoro assim? Não namore, o amor se prova com sacrifícios e pela fidelidade aos mandamentos de Deus em primeiro lugar, se você já percebeu que uma coisa é agradável a Deus mas o outro não quer viver aquilo não é bom sinal, é claro que todos podem se converter, mas é algo para ser muito bem refletido, pois relacionamentos são situações que mudam nossa vida por completo, e a pior conseqüência de um relacionamento ruim é nos afastar de Deus. Há uma situação inversa que mostra como este sacrifício é um bom sinal, se um casal está se conhecendo e um deles diz que se vierem a namorar quer que tenham um namoro sem beijos íntimos, se o outro aceita é um grande sinal de que este está interessado no outro como pessoa por completo e não somente em possíveis prazeres, isto é uma verdadeira prova de amor, este primeiro sacrifício pelo outro mostra que ele está aberto aos grandes sacrifícios que possam vir no futuro.

Mas é claro, as coisas não podem ficar só nas promessas ou no empenho em viver esses bons valores somente no início do namoro, as tentações são fortes e qualquer um pode cair, devemos antes contar com a graça de Deus, ter uma vida de oração e freqüência aos sacramentos, principalmente da Eucaristia e da Confissão, sem a graça de Deus de nada adianta nossa luta. Aos que já namoram e perceberam que devem mudar o comportamento essa é a hora ideal para isso, apresente ao seu namorado (a) estes textos dos autores indicados acima, será de grande ajuda para o entendimento.

Mas vão zombar de mim! Sim, vão, mas zombaram até de Nosso Senhor, sempre zombarão dos que buscam o bem, e quando vier aquela sensação de desistência por te criticarem, seja forte, lembre-se que você é um filho de Deus e não do mundo: "Se alguém zomba de você ser casto, saiba que é o fraco que está zombando do forte, que é o derrotado que está zombando do vencedor. É por que ele não consegue fazer o que você faz que ele está zombando de você. Mas você não tem que sentir vergonha de ser casto, por que Jesus foi casto, Maria Santíssima, São José, São João Batista, São João Evangelista, São Paulo, eles nos ensinaram a virtude da castidade por que ela é maravilhosa, estamos seguindo os passos deles." Pe. Luíz Carlos Lodi

Para terminar, respondendo a pergunta do título da postagem: Os “beijos íntimos” no namoro são pecado? Sim, são pecado. Creio que depois dessas reflexões acima você percebeu que este tipo de manifestação é própria dos casados, pois é uma preparação para a relação sexual, e quando é praticado pelos não casados torna-se uma ofensa a Deus, ao outro e consequentemente a si mesmo, como foi dito, o pecado é  “falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens.”, o pecado nos afasta de Deus e torna nossa vida triste e sem sentido, sempre houve pessoas que se arrependeram de viver uma vida impura mas nunca houve uma que se arrependeu de viver uma vida casta, pois uma vida assim tem sacrifícios, mas é feliz. Pense nisto,  de agora em diante todas as vezes em que você estiver em alguma situação em que surja este assunto lembre-se destas reflexões mostradas na postagem.

Esta citação a frente mostra o que é verdadeiramente um namoro cristão, e que é neste tipo de namoro que devemos nos espelhar, pois é somente  de um namoro casto que nasce um casamento forte, íntegro e feliz! “Dias antes do seu Matrimônio Santa Gianna escreveu ao futuro marido: "Você não acha interessante fazermos um tríduo para nos prepararmos espiritualmente antes do casamento? Nos dias 21, 22 e 23, Santa Missa e Comunhão, você em Ponte Nuovo, eu no Santuário de Nossa Senhora da Assunção. A Senhora acolherá as nossas preces e desejos e, porque a união faz a força, Jesus não poderá deixar de escutar-nos e ajudar-nos." [9]

Peçamos a Virgem Santíssima, Rainha da Pureza, e seu Castíssimo Esposo São José que roguem a Deus por nós para que vivamos uma vida casta e pura, nos caminhos que Ele designou para nós.

Grifos nossos


Referências:
[4] Pe. Thomas Morrow – Autor do conceituado livro “Namoro cristão em um mundo supersexualizado. O complemento de seu texto pode ser lido acessando este link: Sobre beijos no tempo de namoro”.

[5] Jason Evert - é um autor e palestrante sobre castidade, tem seus livros e artigos muito difundidos em vários site sobre o assunto, também fundou o Projeto Chastity, uma organização que dá suporte a adolescentes que querem viver a castidade. Ele é Mestre em Teologiapela Universidade Franciscana de Steubenville. Acesse complemento de seu texto através deste link: "E o beijo de língua? Está tudo bem? Todo mundo me diz uma coisa diferente."

[6] Pe. Luiz Carlos Lodi - é presidente do Movimento Pró-Vida de Anápolis-GO que tem a finalidade de promover a dignidade e a inviolabilidade da vida humana e da família e defender tais valores contra os atentados de particulares ou dos poderes públicos. Acesse complemento de seu texto através deste link: "Namoro Santo à luz da Consagração à Imaculada."

[7] Programa "Pergunte e Responderemos", TV Canção Nova - 07/12/12

Mais alguns textos sobre namoro cristão:

Fonte: Blog Mater Dei

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A diferença entre o machista e o homem cristão


 Por Wendel Jam

Sobre o machista:

Para mim, machista é o homem que se sente superior e vê as mulheres como meros objetos sexuais, coisas descartáveis que somente existem para satisfazê-lo. É aquela pessoa que mesmo namorando ou sendo casado, não perderá a chance de olhar com cobiça para as trinta moças bonitas que passarem em sua frente, não importando se estas são comprometidas ou não. Para ele, valores morais não importam desde que, claro, não seja ele a pessoa a ser afetada pela ausência de tais valores. Assiste pornografia e sempre irá procurar um amigo para conversar safadezas.

Se uma mulher der chance para ele? "Opa! O que cair na rede é peixe!"Isso quando não é ele mesmo a cortejar as moças, afinal está sempre na caça! E a namorada ou esposa como fica? Ah, ela não é muito importante... é apenas um objeto a quem ele pode usar "oficialmente" por alguns meses ou anos.

O machista não tem valores éticos, morais e nem personalidade. Devasso, moldará seu comportamento sempre de acordo com o que mais agradar a próxima vítima, a fim de conquistá-la. Nem sempre consegue, mas, quando obtêm êxito, não consegue manter-se no "teatro" por muito tempo e poderá escutar frases como "você não é mais a pessoa que conheci" antes dos fins de relacionamentos.

Em casos mais graves, ele sente-se no direito de espancar ou até violentar a mulher, afinal, sente-se (ou desejaria ser) o possuidor daquela pobre vítima.

Em resumo, machista é aquele homem safado que sempre irá querer USAR a mulher e dela buscará conseguir prazer, ainda que este seja somente visual. Neste sentido, defenderá com unhas e dentes o direito de ver mulheres usando roupas imodestas tais como mini-saias, biquínis, etc . ou comportando-se de forma devassa e inadequada.

É aqui onde a coisa fica séria! Porque ele NÃO DIRÁ que quer ver mulheres seminuas pelo desejo de olhar para elas e ficar imaginando safadezas; ou porque deseja conhecer as presas antes de usá-las. Não! Em tempos de valores invertidos, este tipinho irá dizer que, por "NÃO SER MACHISTA", defende que as mulheres exibam-se, comportem-se mal ou até prostituam-se (!) por prezar pela "liberdade da mulher"!

Obviamente que ele não defenderá a tal "liberdade da mulher" quando esta optar pelo recato e modéstia, pois logo a entenderá como fanática religiosa, antiquada e ultrapassada. Pior ainda: aos homens que admirarem e valorizarem tais mulheres, os chamarão de machistas!

Sim! É isso mesmo! Para esses miseráveis e também para muitas mulheres desprovidas de inteligência, machista é exatamente o homem cristão que deseja viver em uma sociedade sem devassidão; que não quer ver mulheres seminuas desfilando sua imoralidade nas praias, mas que antes busca valorizar a mulher enquanto criatura amada de Deus, templo do Espírito Santo!

(...)

Sobre o cristão autêntico:

Um homem de verdade respeita os sentimentos e sonhos da mulher; ama as qualidades intelectuais e espirituais dela; reconhece e aprecia a docilidade e autêntica feminilidade nela; e sempre enxerga além da beleza do corpo que ela possui. Entretanto, será exatamente por enxergar além do que é unicamente físico que ele não apreciará observar mulheres se expondo como se fossem carne no açougue.

Mas vejam a loucura da nossa sociedade! Tem gente encarando exatamente estes homens cristãos, que valorizam as mulheres e que não vêem nelas apenas um pedaço de carne a oferecer prazer, como sendo os machistas!

Se antes fossem uma espécie de canalhas desonestos que desejassem cobrir suas esposas com burkas e, ao mesmo tempo, valorizassem a nudez da mulher alheia, eu ficaria calado e até seria mais um a denunciar tal hipocrisia. Mas não é! Até onde eu percebo, os poucos homens que ainda se arriscam a lutar pela decência de suas namoradas, esposas e filhas, também o desejam para toda a sociedade!

(...)

Conclusão:

Em tempos de valores invertidos, loucura e cegueira espiritual, o verdadeiro machista é, muitas vezes, tido como o "herói" e defensor das mulheres devassas que, vitimizadas, fazem-se de oprimidas pelos "malvados" homens da Igreja.

Ah, não! Pior! Há, ainda, homens que se dizem católicos e que defendem e justificam a imodéstia e imoralidade de suas respectivas namoradas e esposas!

Entretanto, nem o machista e nem o mau católico servem de referência. Os exemplos a observar são sempre dos santos: que jamais apoiariam ou defenderiam a promiscuidade e imoralidade; e das santas: que jamais se sujeitariam a vestir, agir e pensar como as mulheres devassas, impuras e imodestas da nossa sociedade contemporânea.

Logicamente que por causa do pecado original, o homem passou a ter o desejo de "olhar" e a mulher de "mostrar", mas homens e mulheres verdadeiramente cristãos buscarão superar tais tendências ao pecado e saberão distinguir quem realmente defende a virtude e a dignidade humana, pois, por outro lado, abominarão o pecado e a justificação dos pecados por parte de alguns que querem manter-se em uma sociedade suja e imoral.

Fonte da postagem original, clique aqui


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Leia mais textos relacionados a este assunto clicando nos links abaixo:













Fonte: Blog Mater Dei

quarta-feira, 8 de maio de 2013

São Domingos Sávio

 Biografia de São Domingos Savio pelo Vaticano

Seu único interesse era Deus e o modo como fazer com que os outros concentrassem as suas energias para servi-Lo melhor. Aquilo que lhe faltava a nível de força física, ele recuperava em excelência moral, em fortaleza de coração e em aceitação da vontade de Deus, qualquer que esta fosse.
A primeira biografía da vida de Domingos foi escrita pelo seu mestre, São João Bosco, e destas páginas nasceram muitas vocações, inclusive a do futuro Papa Bento XVI que, com tanta ternura, admirava a Obra da Infância Missionária.
Domingos faleceu com apenas quinze anos de idade, no dia 9 de março de 1857. Sua Santidade o Papa Pio XII canonizou-o no ano de 1954. Exatamente há 50 anos.

«Como São Domingos Sávio, que todos sejam missionários do bom exemplo, da boa palavra, da boa ação em família, com os vizinhos e com os colegas de trabalho! Com efeito, em todas as idades pode-se e deve-se dar o testemunho de Cristo! O compromisso do testemunho cristão é permanente e quotidiano!»

Fonte: Site do Vaticano - Clique aqui

Biografia de Terésio Bosco – São Domingos Sávio

Domingos sempre ótimo filho
Tristeza estampada no rosto, Carlos Sávio ia ruminando tais idéias, ao retornar a casa no fim da jornada. De repente, porém, seu rosto se abre num sorriso: sabe que, na curva do caminho, aguarda-o o filho Domingos. Ei-lo. Soltando um grito agudo, precipita-se ao seu encontro, segura-lhe a mão, tenta agarrar a enxada, e acaba carregado ao colo. Pai e filho vão ao encontro de mamãe Brígida, que já deixou a mesa preparada e os espera à porta de casa.(p.5).
O pai não sabia ler nem escrever, mas trabalhava bem como ferrador, e complementava as parcas entradas trabalhando como camponês. Mamãe Brígida era costureira e dona de casa. Mulher simples, mas trabalhadora e educada, ensinava os filhos a trabalhar e rezar.(p.5).
 
Esperava no frio a missa começar
P.João chegava à igreja para rezar a primeira Missa. Com o frio que fazia, duvidava que houvesse gente para a Missa naquela hora. Ainda longe avistou Domingos Sávio…O bom padre ficou pasmado: – Que está fazendo aqui, Domingos? O menino estremeceu. Estava transido de frio. – Estou esperando a Missa começar. – Entre, entre, está fazendo muito frio. Vamos preparar o altar.(p.6).
 
Sempre dócil com aqueles que o ofendiam
Era obrigado a tratar com jovens malcomportados e levianos, mas nunca pude surprendê-lo a brigar. Se surgia alguma discussão, suportava com paciência os insultos dos colegas e afastava-se logo. Não me recordo de tê-lo visto tomar parte em divertimentos perigosos, ou de algum modo perturbar a aula. Muitos colegas convidavam-no a acompanhá-los nas peças que pregavam a pessoas de idade avançada, a atirar pedras, a roubar frutas ou danificar plantações; com muito jeito desaprovava-lhes o procedimento e recusava-se a participar de suas traquinagens.(p.8).

Era sensível com o sofrimento alheio
Um dia, dois alunos haviam armado um das suas, e o P.João, na presença dos outros meninos, empunhou a varinha flexível e bateu de verdade. Ao ver os dois coitadinhos chorar de dor, Domingos prorrompeu em pranto. E ao colega que lhe perguntou porque, respondeu: ‘Preferia que o professor batesse em mim’.(p.9)
 
Comunhão com apenas 7 anos
1849…eram tempos em que a Primeira Comunhão se fazia aos doze anos ou, no máximo, aos onze…Assim o P.João pôde anunciar a Domingos: “Dia 8 de abril, festa da Páscoa, vou dar-lhe a Primeira Comunhão. Ao saber disso, os conterrâneos resmungaram: “A Primeira Comunhão? Mas ele só tem sete anos!…”. Mas Domingos, aos que pensavam que o P. João estivesse cometendo um disparate, provou que mesmo aos sete anos pode-se estar preparado para receber Jesus dignamente.(p.10).
 
Lembranças de minha Primeira comunhão:
1-Confessar-me-ei com muita freqüência e farei a Comunhão todas as vezes que o confessor permitir
2- Quero santificar os dias santos
3- Meus amigos serão Jesus e Maria
4 – A morte, mas não o pecado
 
Sua escola era longe, mesmo assim, ia a pé
Chegou-se por fim a uma decisão: iria de manhã e de tarde a Castelnuovo. Sapatos às costas e pés no chão, começou sua peregrinação à escola municipal. Cinco quilômetros de ida pela manhã e cinco de volta à tarde. Contava dez anos!(p.15).
 
Anjo da Guarda
Uma vez, um camponês que também ia a Castelnuovo, ao mercado, perguntou-lhe:
-Você não tem medo de andar sozinho por estes caminhos?…
-Nunca estou só, respondeu Domingos. – O anjo da Guarda sempre me acompanha.
 
Recusa à maus conselhos
Os coleguinhas voltaram à carga:
-Vem conosco para uma nadadinha?
-Não, obrigado. Acho perigoso.
-Perigoso, nada! Nós lhe ensinamos a nadar. Venha!
-Quem lhe disse isso? Não vê que todos vão?
-Isso não quer dizer nada. De todo o jeito, vou primeiro pedir licença à mamãe, e se ela deixar…
-Está louco? Falar com sua mãe? Se nossos pais souberem a gente apanha.
-Se nossos pais não gostam, quer dizer que a coisa não é boa, e por isso não vou. Vocês me enganaram uma vez, por que querem enganar-me de novo? Acho que seria melhor vocês não irem também.(p.18).

Calou-se mesmo quando acusado injustamente
Dois moleques, depois de cochichar alguns instantes, esgueiram-se pela porta. Pouco depois, tornaram a entrar com dois blocos de neve, e sem que ninguém percebesse, meteram-nos na estufa. Produziu-se uma grande fumaça, e a neve derretida começou a escorrer como um riacho que se espraiou pela sala. Uma brincadeira de muito mau gosto. Foi quando chegou o P. Cugliero. Ao ver a água escorrer da estufa, aproxima-se com a cara fechada e tira a tampa…Depois, encolerizado, volta-se para os alunos.
-Quer dizer que vamos estar bem aquecidos não é? Quem foi? – A voz é bem severa…Com cara dura um deles se levanta, aponta o dedo acusador para Domingos Sávio: “Foi ele!”. O outro confirma sem titubear: “Sim, foi ele!”. O P.Cugliero caiu das nuvens:
-Domingos!Logo você! Nunca poderia imaginar!
Na hora, Domingos nem entendeu de que o acusavam…Levanta-se prontamente…ninguém o defende..No entanto todos tinham visto…
O professor continua: Ainda bem que é sua primeira falta. Não fosse assim, eu o teria expulsado da escola!
Todavia, no fim da aula, um dos que haviam visto os moleques armarem aquela peça já não agüenta mais…Dirige-se ao P.Cugliero e conta tudo. O bom professor mais uma vez cai  das nuvens:
-Mas por que, então…Esse bendito rapaz bem que poderia ter falado….
No dia seguinte, humilhado por ter castigado um inocente, diz a Domingos:
-Por que você não disse que não foi você?
Domingos sorriu:
-Não faz mal. Pensei que os dois seriam expulsos, e eu não queria. Quanto a mim, esperava ser perdoado. E depois…pensei em Jesus…Ele também foi injustamente acusado.(p.22).

São Domingos Sávio e Dom Bosco
O P.Cugliero era conterrâneo e amigo de Dom Bosco, e pensou que a seu lado Domingos Sávio poderia receber excelente formação…2 de outubro de 1854. O patiozinho na frente da casa do irmão de Dom Bosco foi o lugar do primeiro encontro.(p.23-24).
 
Daí-me almas e ficai com o resto
Perguntou o significado das palavras penduradas à parede. Dom Bosco ajudou-o  a traduzir: “Daí-me almas, Senhor, e ficai com o resto”. Era o lema que Dom Bosco escolhera para o seu apostolado.(p.28)
 
Bom exemplo
Aplicou-se com ardor ao estudo. Estudava e procurava compreender bem o catecismo. Mantinha-se afastado dos companheiros levianos, negligentes, desleixados. Procurava amigos entre os melhores, os mais estudiosos e exemplares.(p.31).
 
Guerra contra o pecado
Dia 28 de novembro, antes que a novena começasse, Domingos Sávio subira ao quarto de Dom Bosco:
-Domingos, você vai fazer alguma coisa par Nossa Senhora durante esta novena?
-Antes de mais nada, queria confessar-me para preparar bem minha alma. Depois, quero cumprir exatamente as ‘flores’ que o senhor aconselhar todos os dias da novena. Depois, quero comportar-me bem, para poder fazer a Comunhão todas as manhãs.
-Mais nada?
-Mais uma coisa. Quero declarar guerra impiedosa ao pecado mortal.
-E quero pedir muito, muito a Nossa Senhora e a Jesus…que me façam antes morrer que deixar-me cair num pecado venial contra a modéstia.(p.32-33).
 
Devoção à Maria
Domingos Sávio dirigiu-se ao altar de Nossa Senhora, tirou do bolso um papel em que havia escrito algumas linhas longamente meditadas, e consagrou-se  Maria…
“Maria, eu vos dou meu coração; fazei que seja sempre vosso. Jesus e Maria, sede sempre meus amigos! Mas, por piedade, fazei-me morrer antes que me aconteça a desgraça de cometer um só pecado”.(p.34).
 
Simplicidade
Eis o que escreve seu professor:
“Não me lembro de ter tido aluno mais atento, dócil e respeitoso que Domingos Sávio. Mostrava-se modelo em todas as coisas.
Não tinha afetação alguma na roupa e no cabelo; mas na modéstia das roupas e em sua humildade…mostrava-se bem-educado, cortês…(p.36).
Com o Crucifixo, Domingos, evita uma briga de dois meninos
Muniram-se ambos de cinco pedras…deslocaram-se para o canto de um prado, mediram vinte passos de distância…Domingos saiu correndo, abriu caminho, meteu-se no espaço livre entre os dois briguentos.
-Saia daí – gritou um deles, já empunhando a primeira pedra. –Tenho de ajustar contas com aquele covarde, e é inútil você querer fazer seu sermão.
Domingos encarou-o tristonho. Que fazer?…Pegou o pequeno Crucifixo que trazia ao pescoço e correu ao encontro do que se achava mais perto:
-Olhe o Crucifixo! – ordenou- e se tiver coragem, repita: “Jesus morreu perdoando os seus algozes. Eu, ao contrário, não quero perdoar, quero vingar-me até o fim!” O rapaz olhou para ele e resmungou:
-Que é que tem que ver isso?
Domingos percorreu os vinte passos que o separavam do outro e repetiu-lhe também a ele em tom de quem manda:
-Olhe o Crucifixo! E se tiver coragem repita: “Jesus morreu perdoando os seus algozes. Eu, ao contrário, quero vingar-me.
Este último era um bom rapaz, e ficou impressionado. Então Domingos segurou-o pela mão e arrastou-o para perto do outro:
-Mas por que é que se querem machucar? Por que querem causar desgosto aos pais e a Deus? Jesus perdoou a quem o matava, e vocês não são capazes de perdoar uma ofensa, feita num momento de raiva?
Domingos calou-se, mas continuou a encarar com tristeza os dois inimigos, sempre apertando na mão o pequeno Crucifixo. As pedras caíram no solo.(p.42-43).

Desejo de ser santo
Naquele domingo, Dom Bosco falou da santidade, e dividiu o argumento em três pontos:
  1. É vontade de Deus que todos nos tornemos santos.
  2. É muito fácil conseguí-lo
  3. Há um grande prêmio preparado no céu para quem se faz santo.
Desde então, Domingos começou a sonhar, e seu sonho foi a santidade: “Deus me quer santo, quero, pois, tornar-me santo.”(p.44).
 
Fórmula de Dom Bosco para a santidade:
-Vou dar-lhe a fórmula da santidade. Preste bem atenção. Primeiro:alegria. O que inquieta e tira a paz não vem de Deus. Segundo: deveres de estudo e de piedade. Atenção na aula, aplicação ao estudo, empenho de rezar bem. Tudo isso não por ambição, para receber elogios, mas por amor de Deus e para tornar-se um verdadeiro homem. Terceiro: fazer bem aos outros. Ajude os colegas sempre, mesmo à custa de sacrifício. A santidade está toda aí.(p.47).

Louvava a Deus quando alguém murmurava
Um colega de Domingos viu-o em dado momento tirar o chapéu e murmurar algumas palavras. Perguntou-lhe:
Que está dizendo?
E Domingos:
-Você não ouviu? Aquele carroceiro tomou o nome de Deus em vão. Pudesse ir ter com ele, dir-lhe-ia que não o fizesse mais, mas tenho medo de que faça pior. Contento-me então em dizer: Louvado seja Jesus Cristo, para reparar a ofensa ao Senhor.

Prestativo
Jovens…abandonados…postos de lado…esses eram os amigos prediletos de Domingos Sávio…quem tinha algum aborrecimento ia desabafar com ele. Se havia algum doente na enfermaria, o enfermeiro mais procurado, mais benquisto era sempre Domingos…”
Mamãe Margarida, disse um dia a seu filho: “Padre João, tens aqui no Oratório muitos jovens bons, mas podes acreditar em mim, bons como Domingos Sávio não há nenhum”.(p.60).
Mostrava-se sempre disponível. Houvesse um doente precisando de assistência, um colega de um repasse, um quarto para ser arrumado, estava sempre pronto. Chegou a emprestar suas luvas de lã a um pequerrucho que tremia de frio.(p.70).
Se podia prestar pequenos serviços aos companheiros, fazia-o de boa vontade. Limpava os sapatos, escovava a roupa, fazia a cama dos doentes, e dizia:
…-Cada um faz o que pode. Eu não sou capaz de fazer grandes coisas. Sei penas fazer essas coisinhas. Espero que Deus as acolha em sua bondade.(p.87).
Os grandes santos eram um exemplo no caminho da penitência: Santa Catarina de Sena tratava os ulcerosos com as próprias mãos; São Carlos e São Luís morreram entre os empestados, São Francisco abraçava os leprosos.(p.88).

Férias
Domingos pensava: “Minhas férias não serão a vindima do diabo, mas a messe de Nosso Senhor”…Aos pequenos ensinava o catecismo, levava-os à igreja, contava-lhes a vida de Jesus.(p.63).
 
Domingos Sávio ajuda a cuidar dos enfermos
Dom Bosco reúne seus quinhentos jovens:
-O prefeito lançou apelo aos corajosos. Se algum de vocês está disposto a sair comigo para ajudar os colerosos, garanto em nome da Virgem Maria que nenhum de nós será atingido pela doença. Contanto que conserve a graça de Deus e traga consigo uma medalha de Nossa Senhora. Naquela mesma noite, quarenta e quatro, dentre os maiores, ofereceram-se como voluntários. Entre eles, Domingos Sávio. (p.67).
 
A obra-prima de Domingos
A assembléia encarregou três membros de escrever um primeiro regulamento da Companhia, o qual deveria ser aprovado e praticado por tosos. Foram encarregados: Domingos Sávio, de 15 anos; Jose Bongioanni, de 18; e Miguel Rua, auxiliar de Dom Bosco e professor dos colegas. (p.71)

Exortação ao colega
Aconteceu um dia que um menino recebeu, não se sabe de quem, um jornal ilustrado que trazia algumas figuras não muito decentes. Dois ou três amigos começaram a folheá-lo, e depois juntaram-se outros mais. Olhavam e riam. Domingos que andava por aí, aproximou-se. Abriu caminho, tomou o jornal das mãos do dono e fê-lo em pedaços; Houve quem quisesse protestar. Domingos, sem lhes dar tempo, protestou primeiro.
-Desse jeito não vai. Coisas inconvenientes não devem entrar em nossa casa!
-Mas era só para rir.
-Você quer ir rindo para o inferno?
Ninguém mais se atreveu a protestar. Voltaram aos brinquedos.(p.78).

Dom Bosco proíbe à São Domingos Sávio as penitências
Proíbo-lhe absolutamente qualquer penitência. Antes tem que me pedir licença. Entendidos?…a penitência que Deus quer de você é a obediência. Obedeça, e isso basta para você.
-E não poderia permitir-me qualquer outra penitência?
-Sim – respondeu Dom Bosco. – Permito-lhe suportar com paciência as ofensas; tolerar com resignação o calor, o frio, o cansaço e todos os incômodos de saúde que Deus permitir.(p.84).
 
Mortificação dos sentidos
Olhava somente o que queria olhar. O resto era como se não existisse para ele. De início esse controle custou-lhe bastante: sofreu até uma violenta dor de cabeça. Mas conseguiu.
-Quero servir-me deles – respondeu com simplicidade – para contemplar o rosto de nossa Mãe do Céu, Nossa Senhora, quando for vê-la no paraíso.
…Também ao falar, Domingos sabia mortificar-se. O silêncio no estudo, na aula, na igreja…Ofendido, em vez de retrucar, sabia perdoar e sorrir…Escreve Dom Bosco: “Jamais seus lábios proferiram uma palavra de queixa.(p.86).
 
Lia o livro imitação de Cristo
Além de Kempis eu li o ‘Tesouro Oculto da Santa Missa’ do beato Leonardo. Se achar bom faça o mesmo.’(p.97).
 
Boa-morte
Domingos também fazia o seu Exercício da Boa Morte todos os meses….”um Pai-Nosso e uma Ave-Maria pelo primeiro que morrer dentro nós.”
Não se deve dizer ‘pelo primeiro que morrer dentro nós’ – insistia – mas, ‘por Domingos Sávio, que morrerá por primeiro. (p.109).

Morte de Domingos Sávio
O dr. Cafasso examinou-o e declarou:
-Trata-se de uma inflamação. Assim se chamava então a pneumonia.
Era o dia 9 de março de 1857. Chegou o pároco para uma última visita…
Meu querido pai, está na hora…Tome o meu livro de orações..e leia-me as orações da boa Morte.
…Era noite de 9 de março de 1857. Domingos nascia uma segunda vez. Para o céu.

Visão de Domingos Sávio no céu
Trinta dias eram passados da morte de seu filho, e o pobre pai, crutindo a dor ainda viva e profunda daquela perda, não podia dormir.  Eis senão quando parece-lhe abrir-se o teto do quarto, e grande luz espancar a escuridão. Em meio à intensa claridade delineia-se a imagem de seu Domingos, rosto sorridente e alegre, aparência majestosa e bela. Carlos Sávio ficou fora de si pela admiração. Depois balbuciou:
-Oh, Domingos, Domingos! Como vai? Onde está? Já está no céu?
-Sim, papai – respondeu – Estou de fato no céu.
-Oh, Domingos..Se Nosso Senhor lhe concedeu tão grande graça, peça-lhe por seus irmãos e irmãs, para que um dia possam juntar-se a você…E peça-lhe também por mim e por mamãe, para que todos nos possamos salvar e reunir-nos no céu.
Domingos sorriu seu sereno sorriso e respondeu:
-Sim, papai, sim. Rezarei.
A luz desapareceu, e o quarto voltou à escuridão.(p.126-127).
 
Santo
Pio XI declara Domingos Sávio ‘ Venerável’. Pio XII declara Domingos Sávio Beato.
Pio XII declarou Santo Domingos Sávio em 12 de junho de 1954.(p.137-138).

Fonte: São Domingos Sávio. Terésio Bosco. 2007. Editora Salesiana.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

GAME OF THRONES

Por Pe. Valderi Silva

Tenho apenas lido sinopses e assistidos pequenos "flashs" do seriado, mas conheço sua índole imoral. Penso nem ser tão necessário que se busque muitos argumentos para ver neste seriado mais um instrumento utilizado para subliminar a mensagem de ditadura do homossexualismo e erotismo pornográfico na mente principalmente dos jovens. Sabemos que o mundo desde muito tempo é chagado pela pornografia e homossexualismo, mas a campanha intensa para elevar a categoria de "lei natural" estes desvios morais está cada vez mais forte e explícita. Hoje em dia, a violência não preocupa mais tanto quanto esta campanha sutil, mas extremamente letal à humanidade.
Enfim, o citado seriado é mais que uma afronta ou absurdo, é uma verdadeira arma apontada para pureza a qual o ser humano é chamado. Este seriado deve ser proibido independente dos argumentos contra.
 
Fonte: A Vida Sacerdotal

Namoro Cristão: Como aceitar que se continue solteiro


Extraído do livro “Namoro Cristão em um mundo supersexualizado”




Transcrição: Blog “A Formação da Moça Católica”

Como aceitar que se continue solteiro

Um fenômeno que nos últimos dez ou vinte anos percebi entre os católicos solteiros é a procura obsessiva por um cônjuge. Pode ser o caso da mulher que teme ficar mais velha, e se o seu Príncipe Encantado tarda em chegar, não poderá ter filhos. Ou do homem que não conseguiu encontrar a mulher perfeita e se sente infeliz. Em ambos os casos, estão obsessionados por encontrar a pessoa adequada. Há quem chegue até a casar-se com alguém absolutamente inapropriado, pensando que semelhante relação é melhor do que nenhuma.

Tudo isso revela uma séria falta de confiança em Deus. Deus tem um plano para cada um, e preparou as coisas para nosso bem, sempre que o amemos. São Paulo diz que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus (Rom 8,28). Acreditamos nisso? Se é assim, basta que digamos a Deus, seja qual for a idade que tenhamos: “Senhor, obrigado por não me ter casado até agora. Sei que isto servirá para o meu bem, por que te amo”.

Na Sagrada Escritura, o Senhor diz-nos repetidamente que está bem junto de nos e que devemos confiar nEle: Bem-aventurado o homem que confia no Senhor e que põe nEle a sua esperança. Assemelha-se à árvore plantada à beira do riacho, que estende as raízes para a corrente; se vier o calor, não temerá e a sua folhagem continuará verdejante; em ano de seca, não se inquietará, pois continuará a dar frutos. (Jer 17, 7-8).

Mateus diz-nos também: Olhai as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem recolhem nos celeiros, e o vosso Pai celeste os alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? [...] Não vos aflijais nem digais: “Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?” São os pagãos que se preocupam com todas essas coisas. Bem sabe o vosso Pai celestial que precisais de todas elas (Mt 6, 26-32).

Podemos imaginar Jesus dirigindo-se aos cristãos solteiros com estas palavras: “Não vos preocupeis por não saberdes quando ou com quem ides casar-vos. O vosso Pai celestial sabe que quereis um cônjuge bom e piedoso. Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e também isso vos será dado”.

Talvez esta outra citação seja mais apropriada para os cristãos solteiros que andam preocupados: Espera no Senhor e pratica o bem; habita a terra e apascenta em plena segurança. Põe no Senhor as tuas delícias, e Ele atenderá aos desejos do teu coração. Confia ao Senhor os teus caminhos, espera nEle, e Ele agirá. Tranqüiliza-se no Senhor e põe nEle a tua esperança (Sal 36, 3-5, 7).

Buscai primeiro o reino

Como traduzir em realidades tudo isto? Em primeiro lugar, é necessário buscar o Reino de Deus. Como você o fará? Pois bem, comece pela oração, pela autêntica oração. Essa oração exige um certo tempo. Se você busca verdadeiramente o Reino de Deus, a sua oração deve refletir essa exigência, deve ser olhada como a pérola de grande valor de que nos fala Jesus (cfr. Mt 13, 46-47), porque merece que você a anteponha a tudo o mais.

Como pessoa solteira, a sua situação é única a respeito do emprego do seu tempo. Você tem mais tempo que nunca, até que se aposente. Não o malbarate olhando abatido à sua volta, sentindo-se triste por não ter encontrado a pessoa ideal. É o tempo próprio para adquirir uma profunda vida de oração.

Depois de ter conseguido orar diariamente quinze ou vinte minutos, pense na possibilidade da Missa, também diária. As suas ocupações não o permitem? O problema não é insolúvel: peça ao Senhor que lhe mostre o modo de resolvê-lo. Eu também achava que não tinha tempo. Se já me custava levantar-me cedo para chegar pontualmente ao trabalho, quanto mais se passasse a ir à Missa das sete! Um dia, o Senhor sugeriu-me que o tentasse e visse se a minha saúde, que nunca foi robusta, poderia sobreviver. Não somente sobreviveu, mas melhorou. Comecei a ir à Missa diariamente há vinte e cinco anos, e não morri. Foi uma das maiores alegrias da minha vida. Muitos, muitos dos nossos jovens católicos solteiros, homens e mulheres, começaram a fazer o mesmo, e isso tem sido uma grande fonte de bênçãos para as suas vidas. Portanto, abra um pouquinho o seu coração à possibilidade da Missa diária agora, enquanto está solteiro. Peça ao Senhor que faça você generoso/a neste ponto. Verá a grande surpresa que há de ter.

Ler os escritos dos santos

Uma das coisas que você pode fazer para manter altas as suas motivações religiosas consiste em ler não só a vida, mas os escritos dos santos. Isso é extraordinariamente importante se deseja progredir na vida espiritual. Faça-o agora, enquanto está solteiro, e avivará no seu coração o desejo de uma intensa vida interior. E mais do que obsessionar-se por encontrar um bom cônjuge, centrar-se-á na sua salvação e avançará em direção à sua meta.

Procurar apoio para viver a fé

Tanto como ler escritos dos santos, ajudá-lo-á a manter viva a fé encontrar bons amigos que a compartilhem consigo. Muitos católicos solteiros se sentem sozinhos porque, num mundo paganizado, lutam por viver a sua fé sem apoiar-se em algum grupo. Se você deseja ter um autêntico namoro cristão, deve rodear-se de pessoas que tenham a sua fé, de amigos que lhe permitam participar de uma “família” de católicos, de pessoas com as quais possa ter uma verdadeira vida social cristã.

Nos começos dos anos noventa, criamos dois grupos na região de Washington DC: uma para homens, chamado St. Lawrence Society, e outro para mulheres, chamado St. Catherine Society. Tinham por fim ajudar homens e mulheres a encontrar nesses grupos ajuda mútua para viverem a fé.

A Sociedade de Santa Catarina, chamada assim em honra de Santa Catarina de Alexandria, padroeira das mulheres solteiras, começou em 1992 e, quase desde o princípio, as associadas compreenderam que podiam ser abertamente católicas, sem se preocuparem com o que os outros pensassem. – “Padre, é uma alegria muito grande fazer parte deste grupo. Aqui sinto-me… segura!” Era alegre, cheia de vida, e praticava verdadeiramente a sua fé. Tempos depois, encontrou-se com o antigo namorado para tomarem um café, e este perguntou-lhe se continuava a praticar sua fé.

- “É claro”, replicou ela.

- “Vai à Missa todos os domingos?”

- “Para falar a verdade, vou diariamente”.

- “Sem sexo?”

- “Sem sexo”.

Ele não estava disposto a fazer o mesmo, mas ficou impressionado. Era uma mulher atraente e elegante, de sucesso, bem integrada no mundo, e que vivia ativamente o seu amor a Deus. Mais de 60% daquelas mulheres tinham uma sólida vida de piedade. Todos desejavam ir às suas festas porque eram alegres e entretidas, e se passava muito bem em companhia delas.

A Sociedade de São Lourenço, chamada assim em honra de São Lourenço, o padroeiro dos homens solteiros, é também vibrante. Mais da metade dos seus membros vai à Missa e faz oração diariamente, e quase todos vêm aprofundando nos fundamentos e conseqüências da sua fé. Um membro recente dessa sociedade comentava há pouco, a propósito do grupo: “Nunca vi nada igual em outra cidade. Aqui vocês criaram um ambiente maravilhoso”.

Espero que muitos dos jovens católicos que leia este livro se animem a formar grupos semelhantes nos seus bairros. Ajudá-los-á a fazer bom uso dos seus anos de solteiros, crescendo na fé e polindo as virtudes da convivência. Agradarão a Deus e, ao mesmo tempo, melhorarão a qualidade do seu comportamento na vida social: serão mais simpáticos.



Pe. Thomas Morrow – “Namoro Santo em um mundo supersexualizado” – Ed. Quadrante
 
Fonte: A Formação da Moça Católica

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sermão sobre São José, O FIEL DEPOSITÁRIO - Bossuet

Sermão de 19 de março de 1657
O FIEL DEPOSITÁRIO


BOSSUET

É opinião generalizada e sentir comum entre os homens que o depósito, isto é, um bem que recebemos para guardar, tem qualquer coisa de sagrado e que o devemos conservar para quem no-lo confia não somente por fidelidade mas por uma espécie de sentimento religioso. Por isso o grande Santo Ambrósio nos ensina no livro 29 de seus Ofícios que era piedoso costume estabelecido entre os fiéis o de trazer aos bispos e a seu clero aquilo que se queria guardar com mais cuidado, para que fosse colocado junto ao altar, em virtude da santa persuasão em que estavam de que não havia melhor lugar para guardar um tesouro do que aquele ao qual o próprio Deus confiou a guarda dos seus, isto é, os santos mistérios.

Este costume se tinha introduzido na Igreja a exemplo da sinagoga antiga. Lemos na História Sagrada que o augusto templo de Jerusalém era lugar de depósito para os judeus. Autores profanos também nos ensinam que os pagãos tributavam esta honra a seus falsos deuses, colocando seus depósitos nos templos e confiando-os a seus sacerdotes, como se a própria natureza das coisas nos ensinasse que o respeito ao depósito tem algo de religioso e que não pode estar mais bem colocado do que nos lugares santos onde se reverencia a Divindade, nas mãos daqueles que a religião consagra.

Ora, se jamais existiu depósito que merecesse tanto ser chamado santo, santamente guardado, é este de que falo, que a providência do Pai confia à fé do justo José, tanto assim que sua casa se assemelha a um templo porque Deus aí se digna habitar e entregar-se a Si próprio em depósito. José deve ter sido, portanto, consagrado a fim de guardar tão santo tesouro. E realmente o foi, cristãos: seu corpo pela continência, sua alma por todos os dons da graça. [...]

No projeto que me proponho, o de apoiar os louvores a São José, não em conjeturas duvidosas mas em doutrina sólida tirada das Escrituras divinas e dos Padres seus intérpretes fiéis, nada de mais conveniente posso fazer, na solenidade deste dia, do que apresentar este grande santo como um homem que Deus escolheu entre todos os outros para lhe pôr nas mãos Seu tesouro e fazê-lo, aqui na Terra, seu depositário. Pretendo fazer ver hoje que nada melhor lhe convém, que nada existe tão ilustre e que esse belo título de depositário, desvendando-nos os desígnios de Deus sobre esse bem-aventurado patriarca, nos mostra a fonte de todas as graças e o fundamento seguro de todos os louvores.

Primeiramente, cristãos, é-me fácil fazer-lhes ver o quanto esta qualidade é, para ele, honra, porque, se o título de depositário já inclui a nota de estima e testemunho de probidade, se para confiar um depósito costumamos escolher entre nossos amigos aquele cuja virtude é mais reconhecida, cuja fidelidade é mais comprovada, enfim o mais íntimo e mais confidente, qual não será glória de São José, que Deus fez depositário não somente da bem-aventurada Virgem Maria, cuja pureza angélica a torna agradável a Seus olhos, mas ainda de Seu próprio Filho, único objeto de suas complacências, única esperança de nossa salvação: de modo que guardando a pessoa de Jesus Cristo, São José é instituído depositário do tesouro comum de Deus e dos homens. Que eloqüência poderá igualar a grandeza e a majestade desse título?

Então, fiéis, se esse título é tão glorioso e vantajoso àquele a quem devo hoje fazer o panegírico, é preciso que eu mesmo penetre em tão grande mistério com o socorro da graça; e que, procurando nas Escrituras o que aí lemos sobre José, vos faça ver que tudo converge para esta bela qualidade de depositário.

Efetivamente encontro nos Evangelhos três depósitos confiados ao justo José pela Providência divina, e ali também encontro três qualidades que refulgem entre as outras e que correspondem a esses três depósitos. É o que precisamos explicar por ordem. Segui, por favor, atentamente.

O primeiro de todos os depósitos que foi confiado à sua fé (o primeiro na ordem do tempo) é a santa virgindade de Maria, a qual São José devia conservar intacta sob o véu sagrado do seu matrimônio, que ele sempre guardou santamente como um depósito sagrado que não lhe era permitido tocar. Eis o primeiro depósito.

O segundo, o mais augusto, é a pessoa de Jesus Cristo, que o Pai celeste depõe em suas mãos a fim de que lhe sirva de pai, ao Santo Menino que não o tem na Terra. Vede, desde já, cristãos, dois grandes, dois ilustres depósitos confiados ao zelo de São José. Mas observo ainda um terceiro, que acharão admirável, se eu conseguir explicá-lo com clareza. Para isso é preciso compreender que o segredo é uma espécie de depósito. Trair o segredo de um amigo é como violar a santidade do depósito. Pelas leis humanas sabemos que, se alguém divulga o segredo de um testamento a ele confiado, pode ser acusado de ter violado o depósito: Depositi actione tecum agi posse, dizem os juristas. É evidente, pois, a razão por que o segredo é como um depósito. Por onde podemos facilmente compreender que, se José é o depositário do Pai eterno, é porque Este lhe contou o Seu segredo. Que segredo? Um segredo admirável: a encarnação de Seu Filho.

Assim, porque, como sabemos, era desígnio de Deus esconder Jesus Cristo do mundo até que Sua hora houvesse chegado, São José foi escolhido não somente para O guardar mas também para O esconder. Por isso lemos no Evangelista (S. Lucas 2, 33) que José, com Maria, admirava tudo o que se dizia do Salvador, mas não lemos que ele falasse, porque o Pai eterno, desvendando-lhe o mistério, fez dele um segredo sob a obrigação do silêncio. Este segredo é o terceiro depósito que o Pai acrescenta aos outros dois. Segundo o que nos diz o grande São Bernardo, Deus quis confiar à sua fé o segredo mais santo de seu coração: Cui toto committeret secretissimum atque sacratissimum sui cordis arcanum (Super Missus est — hom. 2, no 15).

Como sois querido de Deus, ó incomparável José, já que Ele a vós confia esses três grandes depósitos: a Virgindade de Maria, a pessoa de Seu Filho único e o segredo de Seu mistério!

Mas não julgueis, cristãos, que ele desconhecia essas graças. Se Deus o honrava com aqueles três depósitos, de sua parte José apresentava a Deus, em sacrifício, três virtudes que observo no Evangelho. Não duvido que sua vida tenha sido ornada com todas as outras, mas eis aqui as três principais virtudes que Deus quer que vejamos na sua Escritura. A primeira é a pureza, que aparece pela continência no seu matrimônio; a segunda, sua fidelidade; a terceira, sua humildade e seu amor à vida obscura. Quem não verá a pureza de São José nesta santa sociedade de desejos pudicos, nesta admirável correspondência à Virgindade de Maria e em suas bodas espirituais? A segunda, sua fidelidade, aparece nos cuidados infatigáveis que tem para com Jesus no meio das tantas adversidades que por todas as partes seguem esse Menino divino desde o começo de sua vida. A terceira, sua humildade, vê-se em que, possuindo tão grande tesouro por uma graça extraordinária do Pai eterno, longe de se vangloriar por esses dons ou de publicar suas vantagens, se esconde tanto quanto pode aos olhos dos mortais, contemplando, em gozo pacífico com Deus, o mistério que lhe fora revelado e as riquezas imensas que tem sob sua guarda.

Ah! Quanta grandeza descubro aqui e como aqui descubro tão importantes instruções! Quanta grandeza vejo nesses depósitos, quantos exemplos vejo nessas virtudes! E como a explicação desse assunto tão belo será glorioso para São José e frutuoso para todos os fiéis!

(PERMANÊNCIA, ano XI, março/abril, números 112/113.)


Jacques-Bénigne Bossuet (Nascido em, 27 de setembro de 1627, em Dijon - e morreu em Paris, 12 de abril de 1704) foi Bispo de Condom e Meaux (Dioceses da França) e teólogo francês.


Fonte: Ite ad Joseph
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