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sexta-feira, 3 de março de 2017

Grandes batalhas forjam grandes homens - BRAVUS



Por Rodrigo Nascimento

Se caio a cada instante, na fé confiante farei com que Ele me levante” (Santa Elizabete da Trindade)

Para aqueles que lutam arduamente para se manterem longe do pecado, cada situação de queda traz à tona a impotência e frustração. É um misto de falta de esperança em nós mesmos e questionamento acerca da ação de Deus.

No que diz respeito a nós, nos enganamos em achar que, com nossas próprias forças, temos capacidade de permanecer puros. E a frustração está precisamente em nos depararmos com nossa limitação. A respeito de Deus, passamos a questionar se Ele, de fato, está realmente intervindo, com Sua graça, para que não mais pequemos ou se está nos deixando à nossa própria sorte.

Esses dois aspectos têm sua fonte na soberba, enraizada em nós como consequência do pecado original. No nosso íntimo, travamos uma batalha entre sermos totalmente dependentes de Deus e bastarmos a nós mesmos. Esse é o ponto central de nossa conversão, principalmente a nós, homens, que tendemos à independência e à autossuficiência.

Todavia, há situações que se nos apresentam que tiram completamente o controle das nossas mãos e nos violentam profundamente, colocando em xeque a nossa percepção de si e de nossa capacidade de intervir e solucionar.

São grandes batalhas. Podem se apresentar como pecados com os quais lutamos ao longo de anos — e frequentemente caímos, apesar do esforço —; enfermidades que implodem o frágil edifício da nossa inconsciência de que somos transitórios; situações adversas que nos “tiram o chão”. Nesses casos, porque Deus permite que isso ocorra?

"E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, em verdade, muito bom” (São Thomas More).

Justamente, temos de contemplar as batalhas como providência de Deus para a nossa conversão e salvação.

Os metais preciosos são forjados no fogo, a altas temperaturas, e são completamente desfigurados e, depois, inseridos num molde e reconstruídos para uma finalidade específica. Esse calor intenso, não altera somente a forma, mas, sobretudo, as propriedades do metal, aumentando sua rigidez e durabilidade.

Tais batalhas podem, na graça, se tornar essa grande forja em que almas santas são remodeladas com uma única finalidade: romper-se em caridade ardente e completa, fundindo-se, para todo o sempre, com Deus. Isso desde que tenhamos nosso coração ancorado no céu; a pátria celeste deve ser sempre o horizonte.

Os tempos de luta permitem que nossa alma se fortaleça, aumentando a nossa esperança em Deus e descobrindo a nossa limitação. O esforço para ser melhor, tendo-se reconhecido os limites humanos e, por outro lado, abandonando-se à graça, é a grande fornalha que forma os guerreiros mais nobres, almas santas e virtuosas.

Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros” (I Cor 9,25-27).

A vida de oração é a porta de entrada através da qual nosso esforço encontra a graça. É um antídoto para a soberba e um alento para as quedas. É a arma essencial nessa batalha que perdura ao longo da vida. Batalha esta que nós, homens, devemos assumir com urgência.

Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo a virilidade necessária.

Fonte: Bravus, pela hombridade.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

A Paixão de Jesus Cristo e os divertimentos do carnaval.


Consummabuntur omnia, quae scripta sunt per prophetas de filio hominis — “Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas, tocante ao Filho do homem” (Luc. 18, 31).

Sumário. Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. A nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para compadecermos do seu divino Esposo, e o consolarmos com os nossos obséquios, ao passo que os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Não temos por ventura bastantes motivos para isso?

I. Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Tradetur gentibus — “Ele vai ser entregue aos gentios”. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!

Illudetur, flagellabitur et conspuetur — “Ele será mortejado, flagelado e coberto de escarros”. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra Santo Nome de Deus! — Et postquam flagellaverint, occident eum — “Depois de o terem açoitado, o farão morrer”. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, ah! Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.

É exatamente isto que Jesus Cristo quis dizer a Santa Gertrudes aparecendo-lhe num domingo de Qüinquagésima, todo coberto de sangue, com as carnes rasgadas, na atitude do Ecce Homo, e com dois algozes ao lado, os quais lhe apertavam a coroa de espinhos e o batiam sem piedade. Ah! Meu pobre Senhor!

II. Refere o Evangelho em seguida, que, aproximando-se Jesus de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada e pedia esmolas. Ouvindo passar a multidão, perguntou o que era. Sabendo que passava Jesus de Nazaré, apesar de a gente o ralhar, a fim de que se calasse, não cessava de gritar: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim (1). Por isso mereceu que, em recompensa de sua fé, o Senhor lhe restituísse a vista: Fides tua te salvum fecit — “A tua fé te valeu”.

Se quisermos agradar ao Senhor, eis aí o que também nós devemos fazer. Imitemos a fé daquele pobre cego, e neste tempo de desenfreada licença, enquanto os outros só pensam em se divertir com prazeres mundanos, procuremos estar, mais que de ordinário, diante do Santíssimo Sacramento. Não nos importemos com os escárnios do mundo, lembrando-nos do que diz São Pedro Crisólogo. Qui iocari voluerit cum diabolo, non poterit gaudere cum Christo — “Quem quiser brincar com o demônio, não poderá gozar com Cristo”. Quando nos acharmos em presença de Jesus no tabernáculo, peçamos-lhe luz para detestarmos as ofensas que o magoam tão profundamente. Peçamos-lhe não somente para nós mesmos, senão também para tantos irmãos nossos desviados: Domine, ut videam — “Senhor, fazei-me ver”.

Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o vosso pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo Espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição. Ah! Pelos merecimentos de vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam, Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se. — Protegei-me sempre com a vossa poderosa mão, a fim de que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente. Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo. “Atendei, Senhor, benigno às minhas preces, e soltando-me das cadeias do pecado, preservai-me de toda a adversidade.”(2) † Doce Coração de Maria, sêde minha salvação.


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1. Luc. 18, 38.
2. Or. Dom. curr.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 279 - 282.)
Créditos: Blog São Pio V

Para os dias de Carnaval: O pecador não quer obedecer a Deus - Santo Afonso


A saeculo confregisti iugum meum, rupisti vincula mea, et dixisti: non serviam — “Quebraste desde o princípio o meu jugo, rompeste os meus laços, e disseste: não servirei” (Ier. 2, 20).

Sumário. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus, como a seu supremo Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não quer obedecer-lhe, e cada vez que peca, diz por suas obras com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir — Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam. Irmão meu, é isso o que tu também fizeste, se jamais tiveste a desgraça de pecar.

I. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus como ao seu soberano Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-Lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não Lhe quer obedecer, e cada vez que peca, diz, por suas obras, com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir. Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam — “Quebraste o meu jugo e disseste: não servirei”.

O Senhor lhe diz: não te vingues, e o homem responde: quero vingar-me; — não te aposses dos bens alheios: quero apossar-me deles; — abstém-te desse prazer desonesto: não quero abster-me. O pecador fala a Deus do mesmo modo que o Faraó, quando Moisés lhe levou da parte de Deus a ordem de restituir o seu povo à liberdade. Aquele temerário respondeu: quem é esse Senhor, para que eu ouça a sua voz? Não conheço o Senhor (1). O pecador diz a mesma coisa: Senhor, não Vos conheço, quero fazer o que me agrada. Numa palavra, ultraja-O face a face, e volta-Lhe as costas. No dizer de Santo Tomás, é isso exatamente o pecado mortal: o voltar às costas a Deus, o Bem incomutável. É disso também de que o Senhor se queixa: Tu religuisti me, dicit Dominus; retrorsum abiisti (2). Foste ingrato, assim fala Deus, porque me abandonaste, ao passo que eu nunca te teria abandonado: retrorsum abiisti, voltaste-me as costas.

Deus declarou que odeia o pecado; portanto não pode deixar de odiar igualmente a quem o comete. E o homem, quando peca, ousa declarar-se inimigo de Deus e resiste-lhe na face: Contra Omnipotentem roboratus est — “ele se fez forte contra o Todo-poderoso”, diz Jó (3). O mesmo santo varão acrescenta que levanta o colo: isto é, o orgulho, e corre para insultar a Deus: arma-se com uma testa dura, isto é, com ignorância, e diz: Quid feci? Que é que fiz? Onde está o grande mal que fiz pecando? Deus é misericordioso; perdoa aos pecadores. Que injúria! Que temeridade! Que insensatez!

II. Irmão meu, se nós também no passado quebramos o jugo suave do Senhor, e recusando-Lhe a obediência tornamo-nos escravos do demônio, peçamos agora, humilhados e contritos, perdão de nossos pecados; esforcemo-nos, com o nosso arrependimento, e com os nossos obséquios, em reparar um pouco as muitas ofensas que, particularmente nestes dias de carnaval, são feitas a nosso Pai celestial.

Eis aqui a vossos pés, meu Deus, o rebelde, o temerário que tantas vezes teve a audácia de Vos injuriar no rosto e de Vos voltar às costas, mas que agora Vos pede misericórdia. Vós dissestes: Clama ad me, et exaudiam te (4) — “Clama a mim e eu te atenderei”. Um inferno ainda é pouco para mim: confesso-o; mas sabeis que tenho mais dor por Vos haver ofendido, ó Bondade infinita, do que se houvesse perdido todos os meus bens e a vida. Ah! Meu Senhor; perdoai-me e não permitais que Vos torne a ofender. Vós por mim esperastes, a fim de que bendiga para sempre a vossa misericórdia, e Vos ame. Sim, bendigo-Vos, amo-Vos e espero pelos merecimentos de Jesus Cristo, nunca mais separar-me do vosso amor. Foi o vosso amor que me livrou do inferno, esse mesmo amor deve livrar-me do pecado no futuro.

Agradeço-Vos, meu Senhor, estas luzes e o desejo que me inspirais de sempre Vos amar. Peço-Vos que tomeis plena posse de mim, de minha alma, de meu corpo, das minhas faculdades, dos meus sentidos, de minha vontade e da minha liberdade: Tuus sum ego, salvum me fac (5) — “Eu sou vosso; salvai-me”. Vós que sois o único bem, o único amável, sêde também o meu único amor. Dai-me fervor em Vos amar. Já Vos ofendi muito; portanto não me posso contentar com amar-Vos simplesmente; quero amar-Vos muito para compensar as injúrias que Vos fiz. De Vós espero esta graça porque sois todo-poderoso; espero-a também, ó Maria, das vossas orações, que são todo-poderosas para com Deus. (*II 68.)
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1. Ex. 5, 2.
2. 3 Reg. 12, 28.
3. Iob. 15, 25.
4. Ier. 33, 3.
5. Ps. 118, 94.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 252 - 254.)
Créditos: Blog São Pio V

O recado de uma freira católica aos foliões de Carnaval


Aos cristãos que aproveitam a festa do Carnaval para cair na farra e na bebedeira, Madre Angélica tem um recado importante para passar.


São conhecidas as sentenças dos santos da Igreja sobre o tempo do Carnaval. Elas estão espalhadas na Internet e deveriam formar todos aqueles que se dizem católicos. Para citar um só exemplo, vindo da terra do santo Papa João Paulo II, vejamos o que diz Santa Faustina Kowalska sobre esses dias de festa e aparente alegria:
"Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista." (Diário, 926)
Essa apóstola da Divina Misericórdia escrevia tais palavras ainda na primeira metade do século XX. Hoje, passados já mais de 100 anos, não há dúvidas de que os festejos carnavalescos pioraram muito. Se a revelação recebida por Faustina fê-la "desfalecer de terror", com que tristeza não deveríamos reagir ao quadro que, agora, infelizmente, todos podemos ter diante dos olhos, graças ao alarde dos meios de comunicação! Se, com um só Carnaval do século passado, uma santa se admirava por Deus permitir que a humanidade existisse, o que dizer dos festivais que se repetem, ano após ano, aumentando mais e mais a sua malícia — a ponto de a ala de uma escola de samba anunciar, este ano, "que terá 40 casais simulando sexo na Avenida"?
Mas nós, infelizes que somos, perdemos a noção do que seja o pecado. A ofensa cometida a Deus tornou-se para os nossos contemporâneos uma trivialidade, algo banal. Os homens e mulheres de nosso tempo não estão minimamente preocupados com mandamento algum: embebedam-se fim de semana sim e outro também; têm sexo quando, como e com quem bem entendem; e, pior do que tudo isso, criam os filhos que têm, frutos do acaso, para viverem as mesmas coisas que eles vivem. Em resumo, e é esta a grande tragédia de nossa época, o homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada. Que as pessoas vivam 4 dias de festas indecentes uma vez por ano, é escandaloso; mas que passem as 4 idades de sua vida na mesma situação, é uma tragédia muito pior.
O quadro é horrendo, mas a pergunta que devemos fazer nós, que estamos no mundo sem sermos do mundo, é como acordar essas pessoas, que convivem conosco no dia a dia e até que fazem parte de nossa família. Qual a melhor forma de convertê-las e tirá-las do abismo em que se acham?
Uma sugestão que muitas vezes o Padre Paulo Ricardo lança em suas pregações é mostrar para os pecadores como eles são infelizes na vida que levam. Para aqueles que estão cegos e apaixonados pelas coisas do mundo, será muitas vezes inútil repetirmos o velho sermão dos santos — embora não o devamos subestimar, absolutamente. Com muita frequência, no entanto, as palavras deles só costumam funcionar para "os de dentro", que já têm o mínimo de temor de Deus. Para quem "está fora", muito mais eficaz é apontar para a tristeza que mora nos corações afastados do Senhor: onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida?
É mais ou menos esse o quadro que pinta, no vídeo acima, a grande comunicadora católica Madre Angélica, falecida ano passado (2016), nos Estados Unidos. No excerto em questão, a religiosa bem-humorada mistura com a estratégia do "olha para ti mesmo" a tradicional pregação cristã sobre o pecado, o escândalo, a penitência e o inferno, à semelhança do pai de família do Evangelho "que tira do seu baú coisas novas e velhas" ( Mt 13, 52).
Que as suas palavras possam cair, de alguma forma, nos corações afastados de Cristo e da sua Igreja. Para os que entendem inglês, vale a pena assistir ao episódio completo de onde foi extraído esse vídeo: o programa foi ao ar no dia 2 de março de 1999, e fala sobre as "observâncias quaresmais".
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O que Chesterton diria sobre o “casamento gay”?

Por Dale Ahlquist | Tradução: Equipe CNP — Um dos temas prementes na época de Chesterton era o "controle de natalidade". Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o "casamento gay". Não só a ideia, como também o nome está errado: o "casamento gay" não é gay, no sentido original do termo [1], nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o "amor livre" (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista (Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, "esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam" [2].

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido "ou com ataques ou com o silêncio" — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: "A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual" [3]. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a "simples mitologia" produziram uma perversão entre os gregos. "Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem". Qualquer jovem, ele diz, "que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples" sente um repúdio natural pela homossexualidade porque "ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum". Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É "a ilusão da familiaridade" quando "uma perversão se torna uma convenção" [4].

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra "gay". Ele escreve sobre a "poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde", "a religião do carpe diem". Carpe diem significa "aproveite o dia", faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. "No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes" [5]. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis,"no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano" [6]. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando "perverter o futuro e desfazer o passado". Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de "o chefe dos decadentes" [7], Chesterton diz que ele cometeu um "erro monstruoso", mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. "A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição" [8].

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado "altamente civilizado", por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: "Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível".

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: "Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo" [9].

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal [10]. Legalizar o "casamento" homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
Notas e referências
Antes de significar "homossexual", a palavra inglesa gay remetia simplesmente à ideia de alegria e despreocupação.
CHESTERTON, G. K. The Superstition of Divorce. London: Chatto & Windus, 1920, p. 63.
______. The Next Heresy. In: The Chesterton Review 26 (3), p. 295-298 (2000).
______. O Homem Eterno (trad. de Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 164-165.
______. Hereges (trad. de Antônio Emílio Angueth de Araújo). 3. ed. Campinas: Ecclesiae, 2012, p. 119.
______. Saint Francis of Assisi. London: Hodder and Stoughton, 1923, p. 30.
______. The Victorian Age in Literature. London: Williams and Norgate, 1913, p. 226.
______. Oscar Wilde. In: On Lying in Bed and Other Essays. Calgary: Bayeux Arts, 2000, p. 248.
______. The Flying Stars. In: A Inocência do Padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2011.
Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado desde a famosa decisão Roe vs. Wade, de 1973.

Créditos: Site Padre Paulo Ricardo

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Como o Facebook pode ser uma armadilha para a castidade?


Neste vídeo, Padre Paulo Ricardo explica de que maneira as redes sociais podem se tornar uma armadilha para a castidade e o pudor das pessoas.



Escondendo grandes perigos por trás de coisas aparentemente pequenas e sem importância, o demônio, como quem semeia joio no meio do trigo (cf. Mt 13, 25), sabe servir-se das realidades humanas para fazer perecer o próprio homem. É assim que o Facebook, uma das redes sociais mais bem sucedidas da história, tem-se tornado uma verdadeira armadilha para a castidade de muita gente. O problema reside, de modo geral, nas chamadas "fotos de perfil". Moças em poses provocativas, rapazes sem camisa, figuras sensuais e excitantes, tudo isso, além de poluir ainda mais o mundo virtual — saturado de pornografia —, é gatilho certo para pecarmos contra a santa pureza. Não é preciso ser lá muito sábio nem profundo conhecedor da natureza humana; todos sabemos, pois todos partilhamos da mesma inclinação para o mal, que toda imagem ou representação que de alguma forma aluda à sexualidade tem um forte impacto sobre a nossa sensibilidade, facilmente impressionável e educada somente a duras penas.
Procuramos explicar as razões deste fenômeno no nosso curso " O Mal da Pornografia e da Masturbação". Não custa lembrar, em todo caso, que o nosso cérebro, diante de um estímulo de ordem sexual, está programado para descarregar altas doses de dopamina, um neurotransmissor intimamente relacionado com a sensação de prazer e bem-estar. A dopamina, além disso, está associada ao chamado "circuito de recompensa", que reforça e cristaliza aqueles atos ou hábitos que mais satisfazem os desejos naturais do organismo. Ao deparar-se, pois, com uma foto provocativa (por mais "ingênua" que a queiramos julgar), o nosso cérebro está mais do que pronto para dar início a um processo estimulante que nos levará a estados de excitação sexual cada vez mais intensos e, portanto, mais difíceis de serem controlados.
Por isso, a melhor estratégia para guardarmos a castidade é evitar, com simplicidade e discrição, qualquer situação que nos coloque em ocasião de pecar contra essa virtude, inclusive as mais "leves" e "corriqueiras", como as que nos oferecem as fotos de perfil no Facebook. Devemos resistir, sim, aos primeiros assaltos da carne tão logo os percebemos, antes que cresçam e se agigantem. Quando entrarmos na internet ou em qualquer rede social, devemos nos perguntar sinceramente: o que minha esposa, o que minha noiva ou namorada pensaria se visse o que eu costumo ver ao navegar na rede? Em que tipo de coisas, afinal, gosto de descansar ou estimular a vista? Ao olhar com mais demora para aquela moça ou aquele rapaz já não estou, segundo as palavras do Salvador (cf. Mt 5, 28), cometendo adultério em meu coração, sendo infiel com meus desejos, deixando-me arrastar mar adentro, onde serei tragado, ao fim e ao cabo, pelas vagas de sensualidade que circulam pela web?
Lembremo-nos sempre de que o olhar de Deus, puro e sem malícia, penetra nossos rins e corações (cf. Rm 8, 27). Peçamos-lhe com confiança a graça de, sendo fiéis a Ele e a quem nos foi dado por esposa ou esposo, evitarmos — com o heroísmo de quem deseja amar e entregar-se de todo — as pequenas armadilhas, a fim de escaparmos por fim às grandes quedas. 

Fonte: padrepauloricardo.org

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Padre Daniel Pinheiro IBP - O combate pela virtude da castidade [Sermão]


“Tudo o que fizerdes, em palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando por Ele graças a Deus Pai.”

Na parábola de hoje, NS diz que, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo e semeou cizânia no meio do trigo e foi-se. Entre a cizânia semeada, podemos destacar o pecado da impureza, que tão grande mal faz às almas e à sociedade e que abunda na sociedade, em todos os meios. Diz o Santo Cura d’Ars que nenhum pecado destrói tão rapidamente a alma quanto esse pecado vergonhoso que nos tira da mão de Deus e nos joga na lama. São Tomás de Aquino diz algo semelhante: pela luxúria ou impureza somos afastados ao máximo de Deus. Os santos não estão dizendo aqui que o pecado da impureza é, em si mesmo, o pecado mais grave. O pecado de ódio a Deus ou um pecado contra a fé são em si mais graves, por exemplo. Todavia, os santos dizem que a impureza afasta mais de Deus que outros pecados em virtude da dificuldade em emendar-se quando se contrai o mau hábito de cair nesses pecados vergonhosos. Levado pela ferida do pecado original, o ser humano se deixa escravizar facilmente por esse pecado. E daí vêm consequências gravíssimas. Sobre as consequências drásticas desse pecado para uma alma e para a sociedade, sobre as filhas da luxúria ou impureza, falamos em um importante sermão nos dias do carnaval. Não custa enumerar essas consequências novamente. O vício da impureza gera: cegueira de espírito, precipitação, inconsideração, inconstância, amor desordenado de si mesmo, ódio a Deus, apego à vida presente, desespero com relação à salvação. A luxúria, por tudo isso, leva também a pessoa a perder a fé, a desprezar as verdades reveladas e a se obstinar no pecado, esquecida do juízo e do inferno. Para fazer uma alma perder a fé, é muitas vezes mais eficaz fazê-la se afundar na luxúria do que combater a fé diretamente. As músicas sensuais pelas letras e ritmos, filmes, roupas indecentes, etc., contribuem muitíssimo para a perda da fé sem atacá-la diretamente. Os que combatem a Igreja sabem muito bem disso. Podemos citar ainda, entre as filhas da luxúria, o aborto, que é assassinato, e a eutanásia, que é suicídio ou assassinato. A luxúria leva ao aborto porque as pessoas querem satisfazer suas paixões desordenadas sem responsabilidade. Leva à eutanásia porque se a pessoa já não pode aproveitar a vida, melhor que morra. Quantos males gravíssimos e quantas calamidades espirituais são causados pela busca de um prazer desordenado instantâneo, passageiro. Se de nada vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se ele vier a perder a sua alma, o quanto vale ao homem cometer tão vergonhoso e torpe pecado, que lhe faz perder o céu e merecer o inferno? Diz Santo Afonso que, entre os adultos, poucos se salvam por causa desse pecado. Ele dizia isso no século XVIII. Podemos imaginar a situação em nossos dias… Por tão pouca e vergonhosa coisa.

Tendo, então, uma breve ideia das consequências desse pecado, procuremos os meios para adquirir ou avançar na virtude oposta a esse vício, quer dizer, na virtude da castidade. A virtude da castidade é a virtude derivada da virtude de temperança que nos faz ordenar o apetite venéreo conforme a razão iluminada pela fé, que reconhece que isso se reserva aos cônjuges no bom uso do matrimônio, isto é, sem que a procriação seja impedida, podendo, nesse caso, ser verdadeiramente um ato meritório diante Deus. Nossa razão reconhece que esse ato é ordenado à procriação e subsequente educação dos filhos, que se deve fazer dentro de um matrimônio indissolúvel.

Para que possa haver castidade, é preciso que haja primeiro, nos diz São Tomás, a vergonha e a honestidade. A vergonha é o sentimento louvável de temer a desonra e a confusão que são consequência de um pecado torpe. A honestidade é o amor à beleza que provém da prática da virtude. Devemos ter essa vergonha e essa honestidade. Outra raiz da pureza é a modéstia no nosso exterior, no falar, nos modos, no vestir, etc. Sem a modéstia, a pureza será impossível para nós e seremos também causa da queda dos outros.

Colocadas essas bases, para alcançar a castidade, é preciso também rezar muitíssimo, pedindo essa graça. Rezar, sobretudo, para Nossa Senhora, Mãe Castíssima, que sabe ensinar a seus filhos a castidade. A devoção das três Ave-Marias quando se acorda e antes de dormir, pedindo a graça da pureza é muito eficaz para se adquirir a pureza ou para perseverar nela. Também a devoção a São José é muito eficaz no combate pela pureza, pela castidade, sobretudo para os homens. São José ensina aos homens a verdadeira virilidade, que consiste em ter o domínio sobre suas paixões. O homem que se deixa levar pelas paixões, pela impureza é considerado em nossa sociedade decadente como viril. Ora, esse homem é, ao contrário, efeminado, pois efeminado, tecnicamente, é aquele que se deixa levar pelas paixões, pelas más inclinações, que não tem força para combatê-las e vencê-las, em virtude da tristeza e das dificuldades que existem na prática da virtude. Portanto, a devoção a São José vai nos ensinar a verdadeira virilidade, que consiste na castidade. Como diz o Salmo (30, 25): Agi com virilidade e fortalecei o vosso coração, vós que esperais no Senhor. Viriliter agite et confortetur cor vestrum qui speratis in Domino. Invocar o nome de Jesus, Maria e José é de uma eficácia particular para se obter a pureza.

Para sermos castos, é preciso também mortificar os sentidos, sobretudo os olhos. Jó fez um pacto com seus olhos para não olhar para as moças e, assim, se manteve casto. Evitar a vã curiosidade, não parar os olhos em algo que possa suscitar maus pensamentos ou imaginações. E, justamente, é preciso mortificar nossa imaginação, controlando-a, ordenando-a.

É preciso evitar também as ocasiões de pecado, isto é, os ambientes, as pessoas, as coisas, as circunstâncias que podem levar a pecados contra a pureza. Muito cuidado é necessário no namoro ou no noivado. Namorados e noivos devem estar sempre em locais públicos que lhes impeçam de cometer pecados contra a pureza. Devem evitar andar de carro sozinhos, por exemplo. Namoro e noivado devem durar entre um e dois anos, tempo suficiente para conhecer a alma do outro, e que impede o surgimento de familiaridades indevidas. Bastaria um beijo apaixonado para haver um pecado grave entre namorados e noivos (conforme decreto do Santo Ofício de 1666, sob o Papa Alexandre VII). Os pecados contra a pureza aqui prejudicam também o correto juízo que se deve fazer da alma do outro, de suas qualidades e defeitos, a fim de saber se é possível ou não viver uma vida inteira com a pessoa… Levada pelos sentimentos e paixões, o julgamento será falseado.

Outra ocasião de pecado muito séria hoje é o computador, a internet. Deve-se usar a internet com um objetivo preciso, definido, fazendo uma oração antes ou depois. Quem navega à toa na internet dificilmente se preserva de pecado nessa matéria. Redes sociais também são grande fonte de perigo. Se uma pessoa já caiu várias vezes por meio de internet, reze antes de usá-la, coloque uma imagem de Nosso Senhor ou Nossa Senhora perto, para lembrar a presença de Deus, utilize o computador em local público, a que outras pessoas têm acesso. Se nada disso adianta, a solução é simples: renunciar à internet, ao menos temporariamente: mais vale entrar no céu sem internet do que com a internet ser condenado eternamente. O mesmo vale para TV, filmes e coisas do gênero. É preciso lembrar-se sempre de que o mais oculto dos pecados são conhecidos por Deus e serão conhecidos por todos no dia do juízo. É preciso fugir das ocasiões de pecado. Como diz São Felipe Neri, na guerra contra esse vício, os vitoriosos são os covardes, quer dizer, aqueles que fogem das ocasiões de pecado.

Além da oração, da mortificação dos sentidos e da fuga das ocasiões, é preciso evitar a ociosidade. A ociosidade é mãe de inúmeros pecados, a começar pela impureza. O Rei Davi pecou cometendo adultério e homicídio porque em um momento de ociosidade olhou para a mulher do próximo.

É preciso também mortificar-se, fazendo penitências, jejuns, abstinência de carne. Devemos começar observando a penitência da sexta-feira imposta pela Igreja, procurando fazê-la do modo tradicional, quer dizer, nos abstendo de carne. As mortificações facilitam o domínio da razão e da vontade sobre as paixões. É preciso mortificar-se em coisas lícitas para aprender a vencer a si mesmo na hora da tentação. É preciso, de modo particular, ter muita sobriedade no beber álcool.

No combate pela castidade, é preciso se aproximar dos sacramentos com assiduidade. É preciso se confessar com frequência não só depois da queda, mas também para evitá-la. Aqueles que têm o vício da luxúria ou impureza devem procurar a confissão uma vez por semana, ou pelo menos uma vez a cada duas semanas. É preciso comungar com frequência, estando em estado de graça, para evitar quedas futuras. Com o método preventivo e não só curativo, se impede que o pecado lance raízes mais profundas.

É preciso também pensar no inferno, na condenação eterna que se merece por tão pouca coisa, por algo tão passageiro e instantâneo. Perde-se o céu, se merece o inferno, se crucifica NS novamente por pecado tão torpe. Usar dessa faculdade fora do matrimônio, nos assemelha aos animais brutos, irracionais. Como diz São Tomás, o impuro não vive segundo a razão. Portanto, é preciso pensar no inferno e na nossa morte, da qual não sabemos o dia nem a hora. Não devemos adiar nossa conversão. Pode ser que Deus não nos dê a graça da conversão depois. É preciso aproveitá-la agora.

Na hora da tentação propriamente dita, é preciso rezar, em particular invocando o nome de Jesus, Maria e José e pensar em outra coisa, distrair o pensamento com algo bom, lícito, ainda que sem importância, como enumerar as capitais dos estados, por exemplo. O importante é que ocupemos a imaginação e o pensamento com outra coisa. É preciso cortar a tentação imediatamente. Se cair, procurar levantar-se imediatamente, buscando a confissão com verdadeiro arrependimento e propósito de emenda. Existe uma tendência em desmoronar depois da primeira queda, cometendo outros pecados. Isso agrava muitíssimo as coisas, multiplicando os pecados, as penas, solidificando o mau hábito, dificultando tremendamente a conversão.

Quem tem o vício da impureza não deve desesperar, mas deve se apoiar em Deus, em Nossa Senhora, nos anjos e santos e aplicar os meios que mencionamos com muita determinação. Não basta um eu quisera, um eu gostaria. Não, tem que ser um eu quero firme, disposto a empregar os meios necessários para atingir o fim buscado, que é a pureza. Ao ser humano pode parecer impossível livrar-se de tal pecado uma vez que se contraiu o vício e, de fato, não é fácil. Mas com Deus é perfeitamente possível. Quem realmente quer se livrar desse vício e se apoia em Deus, consegue ter uma vida pura. Aqueles que não têm o vício devem continuar vigiando e orando, desconfiando de si, pois se acharem que estão imunes a tais pecados, cairão.

Combater pela pureza é necessário. Devemos fazê-lo com determinação e rezando muito. Diz Santo Agostinho que nessa espécie de pecado a batalha é onipresente, mas que a vitória é rara. Mas bem determinados, vigiando, rezando, empregando os meios que citamos, é plenamente possível. E que grande liberdade nos dá a castidade, que grande alegria viver segundo a razão e a fé.

Dirijo-me agora aos pais e aos que ajudam na educação das crianças. Os pais devem vigiar e favorecer a pureza dos filhos desde a mais tenra idade, para que adquiram a vergonha e a honestidade, para que sejam modestos no falar, nos modos, nas vestes… Cabe aos pais evitar que os filhos adquiram maus hábitos nesse campo, ainda que os filhos não entendam a malícia do que estão fazendo, pois depois não conseguirão se livrar do vício. Cuidado pais, cuidado com as crianças. Vejamos o que diz Pio XII: “Por desgraça, diz o Papa, às vezes acontece que pais cristãos com tantos cuidados na educação de um filho ou de uma filha, que são mantidos sempre longe dos perigosos prazeres e das más companhias, de repente vêem os filhos, com a idade de 18 ou 20 anos, vítimas de miseráveis e escandalosas quedas: o bom grão que semearam foi arruinado pela cizânia. Quem foi o inimigo do homem que fez tanto mal? O que ocorreu, continua o Papa, foi que no próprio lar, nesse pequeno paraíso, se introduziu furtivamente o tentador, o inimigo astuto, e encontrou ali o fruto corruptor para oferecer a mãos inocentes. Um livro deixado por acaso na mesa do pai foi o que destruiu no filho a fé de seu batismo, um romance abandonado no sofá ou no quarto pela mãe foi o que ofuscou na filha a pureza de sua primeira comunhão.” Até aqui o Papa. A cizânia pode entrar ao se folhearem revistas de notícias ou jornais largados na casa. A cizânia pode entrar pela televisão por um trecho do jornal televiso a que a criança assistiu por acaso. Vigiem, pais, vigiem pela alma dos filhos. Por favor, mantenham-nos longe da internet e de tablets e ipads, em que podem acessar verdadeiramente qualquer coisa. Eles já vêem tanta coisa ruim fora de casa. Que ao menos dentro dela eles possam encontrar a pureza e a virtude, a começar pelo exemplo dos pais.

De que vale ganhar o mundo inteiro se viermos a perder a nossa alma? De que vale uma satisfação instantânea, fugaz, e que nos faz perder o céu, merecer o inferno e que crucifica novamente NS? Confiando em Deus, desconfiando de nós mesmos, com uma determinação muito determinada, sejamos castos e puros conforme o nosso estado de vida.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo Amém.

Fonte: Missa Tridentina em Brasília

sábado, 14 de novembro de 2015

O segredo para viver a castidade - Padre Paulo Ricardo


I. Introdução

Todos os homens, segundo a vontade de Deus, são chamados à santidade e à plenitude do amor (cf. 1Ts 4, 3) [1]. Nem todos, porém, são obrigados a possuir atualmente um grau incomum de caridade, a dos perfeitos, pois embora devamos, cada um segundo suas possibilidades e preparação de espírito, afastar-nos de tudo quanto ofenda a Deus e viver habitualmente em estado de graça, a apenas alguns é dado alcançar, pela observância efetiva dos três conselhos evangélicos, uma perfeição de super-rogação, "que se dá quando nos unimos a Deus excedendo o nosso estado e apartando o coração de todos os bens temporais" [2]. Tendo, pois, em vista que o sacerdote secular, por força de sua ordenação e ministério, deve tender a tal grau de perfeição e configuração a Nosso Senhor Jesus Cristo [3], queremos abordar na Direção Espiritual de hoje os meios práticos para se viver a talvez mais singela e delicada das virtudes [4] que ornam a alma sacerdotal: a castidade, pela qual nos associamos à pureza dos anjos e à plena entrega de Cristo à Igreja.

Malgrado se dirijam sobretudo aos que vêm se preparando para as sagradas ordens, as orientações e diretivas aqui apresentadas podem aplicar-se também às noviças e a todos os católicos—solteiros ou casados—, que, como no-lo exige a moral cristã, têm de viver a sua sexualidade de forma madura e integrada, guardando-se a si próprios como templos do Espírito Santo (cf. 1Co 6, 19) e dons preciosos para um futuro casamento. Esperamos assim que estes pequenos conselhos, livres de especulações demasiado teológicas, sirvam tanto a seminaristas e jovens sacerdotes empenhados em viver generosamente sua vocação quanto aos casais católicos, cuja vida matrimonial às vezes lhes exige períodos mais ou menos longos de abstinência sexual [5].

II. Algumas orientações práticas

A manualística tradicional costuma enumerar uma série de meios ou, para usar uma expressão corrente, remédios contra a concupiscência, isto é, o apetite desordenado por prazeres, quer digam respeito à alimentação (gula), quer às propriedades genésicas do corpo (luxúria). Mortificação ativa, combate à ociosidade, fuga das ocasiões de pecado, meditação dos castigos eternos, devoção à Santíssima Virgem são, dentre outras tantas, as armas que os autores mais comprovados e fiéis à espiritualidade católica nos indicam e sugerem [6]. Queremos, contudo, apresentar dois recursos fundamentais que, embora nem sempre mencionados pelos tratados de ascética, demonstram como o caminho para se conservar e fortalecer a castidade é, na verdade, bastante simples e eficaz, se tivermos aquela "decidida determinação" dos que desejam pertencer total e indivisamente a Deus [7].

1. Mudar nossa visão de homem. — A primeira grande dificuldade com que deparamos ao longo desse percurso deriva, em parte, da mentalidade que os media, o cinema e os programas televisivos têm ajudado a construir; trata-se, com efeito, de uma concepção incompleta e unilateral de "homem", reduzido à esfera da animalidade e restrito às urgências mesquinhas e egoístas de um suposto "instinto sexual" a que se deve dar vazão a todo e qualquer custo. Acostumamo-nos, pois, a ver no homem casto um tipo de "doente", um apático assexual ou alguém efeminado, "mal resolvido". Até mesmo entre os jovens, cuja insegurança e falta de bons modelos paternos talvez expliquem o fenômeno, vive-se um certo preconceito em relação à figura do "virgem": aquele rapaz que não teve ainda sua primeira "experiência sexual" seja por timidez, seja por valores morais os quais receia sejam conhecidos dos colegas. Antes sinal de inocência e pureza espiritual, nestes nossos dias a virgindade tornou-se para muitos jovens, meninos e meninas, motivo de vergonha e de chacota.

Daí a necessidade de retificarmos nossa visão de homem. De fato, todos os cristãos, revestidos de Cristo pelo Batismo (cf. Gl 3, 27), são chamados a "orientar a sua afetividade na castidade" [8] segundo as circunstâncias particulares em que o Senhor os colocou. Por isso, o primeiro e principal modelo de vida para todos os fiéis deve ser o próprio Jesus Cristo, de cuja fidelidade e entrega total ao Pai temos de participar e nos tornar sinais vivos e visíveis. Também os grandes santos celibatários não só podem como devem ser para nós exemplo e inspiração de pureza: São José, esposo castíssimo de Nossa Senhora e pai nutrício de Jesus; São João Maria Vianney, o cura d'Ars e padroeiro dos sacerdotes; São Felipe Néri, o santo da alegria; São Pio de Pietrelcina, presbítero e confessor—eis aí varões que deixaram gravados na história exemplos de verdadeira hombridade e de uma profunda e bem vivida castidade por amor ao Reino dos Céus e às almas. São lírios cuja alvura, "que até os mais pequenino inseto mancha e desfeia" [9], folgaríamos de poder imitar.

A sexualidade destes homens fora a tal ponto ordenada a Deus, que é de todo impossível imaginá-los sexualmente excitados. Não porque fossem, como hoje se diz, "impotentes" ou "reprimidos", mas porque os seus corações abrasavam-se por um amor maior: um amor tão ardente a Deus e à Igreja, que em seus peitos não havia lugar para nenhuma solicitação da carne, para nenhuma armadilha da sensualidade. A imagem destes santos, que na mais absoluta continência e renúncia aos gozos do mundo foram afetivamente maduros e perfeitamente livres, contrasta de modo flagrante com a triste figura do astro pornô, do "predador de mulheres", de um homem, enfim, cuja alma, de tão saturada que está de sexo e prazer, vai-se incapacitando dia a dia para atos genuínos de amor autêntico, sincero, generoso.

Esse, portanto, é o primeiro passo a dar: formar uma visão correta e sóbria de homem e masculinidade. Feito isto, poderemos com constância e paciência evangelizar o nosso "inconsciente" rebelde que, devido à herança do pecado, quer a toda hora nos convencer de que não fazer sexo é sinônimo de fracasso. Leiamos e meditemos a vida dos santos, que resplandecem no céu da Igreja e nos ensinam como o homem deve portar-se diante do Pai.

2. Combater os maus pensamentos. — Quando houvermos definido que tipo de homem queremos ser, teremos, é óbvio, de recorrer aos meios conducentes à realização deste ideal. A segunda precaução que devemos tomar nesta luta, portanto, consiste em evitarmos toda e qualquer forma de pecado sexual, quer o ato nos pareça ou não grave. Como nos lembra o ensinamento tradicional dos teólogos a este respeito, deve-se ter sempre presente que no campo da sexualidade não existe parvidade de matéria [10]: um olhar, uma palavra, um toque, o consentimento o mais breve possível a um pensamento impudico por si só já constitui um pecado tão grave e desordenado quanto o próprio ato sexual pecaminoso. "Todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso", diz Nosso Senhor, "já cometeu adultério com ela em seu coração" (Mt 5, 27-28). Ao comprar a simples cobiça carnal (um pecado à primeira vista sem tanta importância) ao adultério (talvez o pecado de que mais sofram as famílias e a sociedade de hoje), foi Deus mesmo quem nos revelou o grande cuidado que devemos ter nesta área.

Sem nos impor nenhum fardo, com este ensinamento Jesus traz ao homem uma grande liberdade e segurança, porque sinaliza que o caminho para a verdadeira pureza exige um esforço, por assim dizer, pequenino: combater os maus pensamentos no momento mesmo em que despontam na imaginação. Temos, pois, de os cortar pela raiz, impedindo-os de crescer e se agigantar. Daí se percebe que, além de evitar as ocasiões, um dos melhores remédios contra a luxúria é reagir pronta e imediatamente às sugestões da carne. Peçamos a Deus um espírito resoluto e determinado a evitar que o mais singelo, ligeiro e "inocente" pensamento se desenrole e desencadeie um processo fisiológico de excitação que, então sim, demandará de nós forças muito maiores, uma luta decerto mais intensa e ferina (algo de todo evitável se nos houvéssemos precavido desde o começo). Donde também se depreende a urgência com que se deve procurar um confessor caso se tenha consentido e regozijado já nestes primeiros assaltos. Feliz aquele que os esmagar contra a rocha ainda nenéns (cf. Sl 137 [136], 9), incapazes de produzir maiores males!

Há no entanto algumas pessoas cujo pecado não é gerado aos poucos, de tentação em tentação, de imagem em imagem; mas que, ao contrário, partem diretamente para consumar o ato. São como que impelidas a pecar num movimento irresistível, impetuoso. Nestes casos, o problema concentra-se não tanto na parte concupiscível da alma quanto na irascível; tais pessoas não padecem, a rigor, de um problema de luxúria em sentido estrito. Para elas, o gozo sexual serve antes de pretexto ou válvula de escape, uma forma de sublimar venereamente todo um feixe denso de frustrações, de tristezas ou desânimos. Quase sempre incapazes de suportar com alegria as cruzes cotidianas, as almas com este perfil expressam por meio de uma sexualidade desgovernada e não raro violenta toda a sua amargura e o seu desgosto. Por isso, deve-se-lhes ensinar o sentido e o valor do sofrimento cristão. Lembremo-nos de que todo ato sexual desregrado supõe, no fundo, uma certa disposição ao egoísmo e uma indisposição a amar verdadeiramente. Ora, sabemos que é pelo sofrimento que Deus prova e faz crescer o nosso amor por Ele e pelos demais. Se o celibato, com efeito, é um caminho de amor e de renúncia (cf. Lc 9, 23), as dores e os sofrimentos que o acompanham devem também ser acolhidos e aceitos com amor e generosidade.

A terapia espiritual mais eficaz para quem sofre deste problema será o exercício da paciência. Além de considerar os excelentes efeitos do sofrimento (reparação dos pecados e santificação da alma), pode-se crescer na vivência alegre e cristã das agruras diárias (a) pelo cumprimento fiel e pontual de todos os nossos deveres, apesar dos inconvenientes ou chateações que eles porventura nos causem; (b) pela aceitação resignada das cruzes que o Senhor nos envia; (c) pela prática sóbria e sensata de algumas mortificações voluntárias, que um diretor espiritual saberá recomendar e orientar; (d) pela preferência esforçada e habitual da dor ao prazer nas várias situações do dia [11].

III. Por que o celibato, afinal?

Antes de encerrarmos esta Direção Espiritual, gostaríamos de acenar à razão fundamental que dá sentido e peso a tudo quanto dissemos aqui. Aos olhos do mundo, o celibato é um contrassenso; renunciar ao mais natural e irresistível dos prazeres, uma loucura. Deus porém "ama a magnanimidade dos que, de uma só vez, dão tudo." [12] Ele nos chama, pois, a seguir o Seu santo e imaculado Cordeiro aonde quer que vá (cf. Ap 14, 4), não só na integridade do espírito como também na da carne [13]. A radicalidade do entregar tudo por amor a Cristo, do fazer de si uma oblação agradável a Deus, deve ser vivida não como imposição de uma instituição "castradora", como um fardo disciplinar que muito a contragosto nos vemos obrigados a arrastar pela vida. Trata-se, ao contrário, de uma escolha fundamental pelo amor, e por um amor que se abraça livremente, porque se deseja corresponder ao Amor de Quem nos amou primeiro. O ideal que nos deve inspirar neste caminho de entrega e renúncia não deve ser outro senão aquela altíssima dignidade a que Deus nos quer elevar: ser santo! fazer da própria vida e do próprio corpo uma "homenagem voluntária da criatura ao seu Deus"! [14] Escolher a castidade é, pois, um ato de sincero amor, "não na sua expressão sentimental e afetiva, mas no que nele há de mais verdadeiro, de mais profundo, de mais operoso, na doação completa e absoluta de si mesmo" [15].

Recomendação
A.V. 48: «Virgindade e Espiritualidade», de 9 mai. 2013.
R. C. 145: «Qual é a origem do celibato sacerdotal?», de 7 dez. 2012.
Referências
Cf. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática "Lumen Gentium", de 21 nov. 1964, n. 39 (AAS57 [1965] 44; DS 4165).
Santo Tomás de Aquino, Super Philipenses, c. 3, l. 2; Sum. Th. II-II, q. 184, a. 2, ad 3. V. também R. Garrigou-Lagrange, La Santificación del Sacerdote. Trad. esp. de Generoso Gutiérrez. 2.ª ed., Madrid: Patmos, 1956, p. 59.
Id., pp. 89-100.
Cf. Santo Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 151, a. 1, resp.
Cf. Paulo VI, Carta Encíclica "Humanæ Vitæ", de 25 jul. 1968, n. 21 (AAS 60 [1968] 496); São João Paulo II, Teologia do Corpo: O Amor Humano no Plano Divino. Trad. port. de José E. C. de Barros Carneiro. São Paulo: Ecclesiæ, 2014, p. 581, n. 1; Conselho Pontifício para a Família,Sexualidade Humana: Verdade e Significado. 7.ª ed., São Paulo: Paulinas (col. "A Voz do Papa", vol. 148), 2009, pp. 24-26, nn. 20-21.
V., e. g., Antonio R. Marin, Teologia de la Perfeccion Cristiana. 4.ª ed., Madrid: BAC, 1962, pp. 333-337, n. 180; J. Ribet, L'Ascétique Chrétienne. 6.ª ed., Paris: Ancienne Librarie Poussielgue, J. de Girdod (ed.), 1913, pp. 126-132. Cf. Catecismo da Igreja Católica (CIC), 2340.
Cf. Santa Teresa d'Ávila, Caminho de Perfeição, c. XXI, n. 2. In: Escritos de Teresa de Ávila. Trad. port. de Adail U. Sobral et al. São Paulo: Loyola, 2001, p. 363.
CIC, 2348.
Francisco Spirago, Catecismo Católico Popular. Trad. port. de Artur Bivar. 3.ª ed., Lisboa: União Gráfica, 1938, vol. 2, p. 453.
Cf. Resposta do S. Ofício, de 11. fev. 1661 (DS 2013): "Dado que nas coisas que se referem ao sexo nunca há levidade da matéria (parvitas materiæ) [...]"; Petrus Dens, Theologia ad Usum Seminariorum. Mechliniæ, typis P.-J. Hanicq, 1828, vol. 1, p. 406.
Cf. Antonio R. Marin, op. cit., pp. 342-346, n. 183.
Pe. Leonel Franca, "O Primeiro Passo no Caminho da Santidade", in: Alocuções e Artigos(Obras Completas, vol. 5, t. 2). Rio de Janeiro: Agir, 1954, p. 423 (grifo nosso).
Cf. Santo Tomás de Aquino, Sum. Th. II-II, q. 152, a. 5, ad 3.
Pe. Leonel Franca, op. cit., p. 420.
Id., ibid.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

São Josemaría Escrivá - Pureza (Capítulo do livro "Sulco")



831 A castidade - a de cada um no seu estado: solteiro, casado, viúvo, sacerdote - é uma triunfante afirmação do amor.

832 O “milagre” da pureza tem como pontos de apoio a oração e a mortificação.

833 A tentação contra a castidade demonstra-se tanto mais perigosa quanto mais dissimulada: por se apresentar insidiosamente, engana melhor. - Não transijas, nem sequer com a desculpa de não “parecer estranho”!

834 A santa pureza: humildade da carne! Senhor - pedias-Lhe -, sete chaves para o meu coração. E aconselhei-te que Lhe pedisses sete chaves para o teu coração e, também, oitenta anos de gravidade para a tua juventude... Além disso, vigia..., porque mais depressa se apaga uma fagulha do que um incêndio; foge..., porque aqui é uma vil covardia ser “valente”; não andes com os olhos esparramados..., porque isso não indica ânimo desperto, mas insídia de satanás. Mas toda essa diligência humana, junto com a mortificação, o cilício, a disciplina e o jejum, que pouco valem sem Ti, meu Deus!

835 Assim matou aquele confessor a concupiscência de uma alma delicada, que se acusou de certas curiosidades: - “Ora! Instintos de machos e de fêmeas!”.

836 Tão logo se admite voluntariamente esse diálogo, a tentação tira paz à alma, do mesmo modo que a impureza consentida destrói a graça.

837 Seguiu o caminho da impureza com todo o seu corpo... e com toda a sua alma. - A sua fé foi-se esfumando..., embora saiba muito bem que não é problema de fé.

838 “O senhor disse-me que se pode chegar a ser `outro' Santo Agostinho, depois do meu passado. Não duvido, e hoje mais do que ontem quero esforçar-me por comprová-lo”. Mas tens de cortar valentemente e pela raiz, como o santo bispo de Hipona.

839 Sim, pede perdão contrito, e faz abundante penitência pelos acontecimentos impuros da tua vida passada - mas não queiras recordá-los.

840 Essa conversa... suja, de cloaca! - Não basta que não a secundes: manifesta energicamente a tua repugnância!

841 É como se o “espírito” se fosse reduzindo, empequenecendo, até ficar num pontinho... E o corpo aumenta, agiganta-se até dominar. - Foi para ti que São Paulo escreveu: “Castigo o meu corpo e o reduzo à escravidão, não seja que, tendo pregado aos outros, venha eu a ser reprovado”.

842 Que pena dão os que afirmam - pela sua triste experiência pessoal - que não se pode ser casto vivendo e trabalhando no meio do mundo! - Com esse raciocínio ilógico, não deveriam incomodar-se se alguém ofende a memória de seus pais, de seus irmãos, da sua mulher, do seu marido.

843 Aquele confessor, um pouco rude, mas experiente, conteve os desvarios de uma alma e os reduziu à ordem com esta afirmação: “Andas agora por caminhos de gado; depois conformar-te-ás em ir pelos das cabras; e depois..., sempre como um animal, que não sabe olhar para o céu”.

844 Talvez sejas... isso mesmo, o que és: um animalzinho. - Mas tens de reconhecer que outros são íntegros e castos. Ah!, e não te irrites depois, quando não contarem contigo ou quando te ignorarem: eles e elas organizam os seus planos humanos com pessoas que têm alma e corpo..., não com animais.

845 Há quem traga filhos ao mundo para o seu benefício, para o seu serviço, para o seu egoísmo... E não se lembram de que são um dom maravilhoso do Senhor, do qual terão que prestar contas especialíssimas. Trazer filhos, somente para continuar a espécie, também o sabem fazer - não te zangues comigo - os animais.

846 Um casal cristão não pode desejar cegar as fontes da vida. Porque o seu amor se fundamenta no Amor de Cristo, que é entrega e sacrifício... Além disso, como Tobias recordava a Sara, os esposos sabem que “nós somos filhos de santos, e não podemos juntar-nos à maneira dos gentios, que não conhecem a Deus”.

847 Quando éramos pequenos, procurávamos grudar-nos à nossa mãe, ao passarmos por caminhos escuros ou por onde havia cachorros. Agora, ao sentirmos as tentações da carne, devemos chegar-nos estreitamente à Nossa Mãe do Céu, por meio da sua presença bem próxima e por meio das jaculatórias. - Ela nos defenderá e nos levará à luz.

848 Pensa, que são mais homens, ou mais mulheres, por levarem essa vida desordenada. Vê-se que os que raciocinam assim colocam o seu ideal de pessoa nas meretrizes, nos invertidos, nos degenerados..., naqueles que têm o coração podre e não poderão entrar no Reino dos Céus.

849 Permite-me um conselho, para que o ponhas em prática diariamente. Quando o coração te fizer notar as suas baixas tendências, reza devagar à Virgem Imaculada: Olha-me com compaixão, não me deixes, minha Mãe! - E aconselha-o assim a outros.


Fonte: http://www.escrivaworks.org.br/book/sulco-capitulo-26.htm

Questionário sobre a luta pela castidade - Pe. Francisco Faus



─ Encaro a castidade que Deus nos pede, como uma virtude pela qual vale a pena esforçar-se – com fortaleza e otimismo – , e procurar que cresça e ganhe cada vez mais pureza e delicadeza?

─ Compreendo que dizer que “é quase impossível superar esse tipo de pecados”, enquanto nos colocamos na boca do lobo e fazemos equilíbrios na corda bamba da tentação, é uma justificativa que não justifica nada?

─ “Fujo” das ocasiões, ou brinco com fogo, dando razão ao provérbio que diz que “o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra”, simplesmente porque não a evita?

─ Será que me convenço a mim mesmo, quando digo que não acontece nada por assistir a filmes pornográficos na televisão, ou por vasculhar por curiosidade tudo quanto é material do mesmo tipo na Internet e nas outras redes?

─ Peço a Deus que me ajude a me livrar de hábitos contrários à castidade, vícios que, quanto mais alimentados, mais podem descambar para formas deturpadas e até aberrantes de sexualidade?

─ Faço “novelas” inconvenientes com a minha imaginação? Não luto para desligar esses “filmes” íntimos, rezando e desviando a imaginação para outras coisas positivas que não ofendam a Deus?

─ Confesso-me com frequência – por exemplo, uma vez por mês – para fortalecer a minha alma (a inteligência e a vontade) com a graça desse Sacramento? Venço o “demônio mudo”, que me impele a calar, dominado pela vergonha, quando as faltas contra a castidade se repetem por longo tempo? Não percebo que a confissão frequente é uma arma poderosa para desarraigar esses hábitos sensuais?

─ Entendo que a castidade é uma virtude que valoriza o grande dom de Deus que é o sexo? Entendo que o sexo foi dado ao ser humano – filho de Deus – como um modo de participar do Amor de Deus e do seu poder Criador?

─ Vejo, por isso, que o sexo vivido como Deus quer, no matrimônio, é um meio de crescer na união e no amor dos esposos – santo, ardente e fecundo –, e de colaborar com o Criador na vinda de filhos de Deus, que receberão dEle uma alma imortal e um destino eterno?

─ Agradeço a Deus que me faça compreender que a luta pela castidade não é repressão negativa, nem ódio ou desprezo pelo corpo, mas – pelo contrário – a maior valorização da dignidade do corpo, exercendo o sexo dentro do plano sábio e amoroso de Deus?


Conclusões (Procure tirar as suas conclusões e anotá-las)

Fonte: http://www.padrefaus.org/archives/1641

Homossexuais ou pessoas com atração pelo mesmo sexo? - Trecho de entrevista com o Padre Paul N. Check (Courage)

Pe. Paul Check, diretor internacional 
do Apostolado Courage
Catholic World Report (CWR): Dentro do Courage vocês fazem uma clara distinção entre a atração pelo mesmo sexo e o estilo de vida gay. Você pode esclarecer a diferença?

Padre Paul Check: A pergunta mais importante já colocada na história da humanidade foi feita por Nosso Senhor, quando disse aos apóstolos: “Quem dizeis que eu sou?”[1]. É uma questão de identidade, porque é a partir de sua compreensão que descobrimos como viver de uma maneira consistente junto à ela. Não vou dizer que é sempre fácil, porque temos a concupiscência, mas a fim de compreendermos a maneira correta de pedir, primeiro temos que responder claramente a questão do ser.

No que diz respeito à pessoa humana, a pergunta ‘Quem sou eu?’ é melhor respondida com a compreensão de que somos filhos de Deus redimidos pelo sangue de Cristo e chamados a ser seus discípulos. Somos convidados a crescer nesta vida de graça e de glória na vida futura. Esta é a base da parte mais importante e essencial da nossa identidade.

Agora, há outras coisas que compõem nossa identidade. A nossa família humana e de onde pertencemos geograficamente. Essas coisas também são importantes, mas não tão importantes como a questão fundamental da nossa identidade: a de sermos filhos de Deus.

Fomos criados como seres sexuais e esta história nos é contada no livro de Gênesis, que não é um livro de ciência, é claro, e não nos diz em termos precisos como o homem veio a ser criado. Porém, diz precisamente quem somos, quem devemos ser e a quem somos destinados a olhar para a compreensão da nossa identidade. Nessa história do Gênesis é claro que Deus, em sua sabedoria, dividiu a raça humana de tal forma que a natureza humana é expressa no masculino e no feminino.


Existe uma questão teológica e antropológica muito rica. Apesar disso, para nossos propósitos aqui, enquanto há a natureza humana, que é sempre expressa muito concretamente em uma pessoa (uma pessoa que é masculina ou feminina) a identidade sexual é também algo essencial para ela. E, a fim de saber quem somos e como a identidade sexual é devidamente expressa, nós voltamos nosso olhar para a história do Gênesis e aprendemos sobre a união do homem com a mulher, a fecundidade de Deus em seu plano, e como seus dons de fecundidade estão associados com a faculdade sexual e são inerentemente ligados à intimidade sexual.

Com esse preâmbulo, a razão pela qual eu penso que a Igreja evita os rótulos de “gay”, “homossexual” e “lésbica” como substantivos é porque em sua sabedoria materna e em sua caridade, seguindo a história de quem o homem é, ela não quer fazer a identidade de alguém entrar em colapso apenas por conta do seu apetite sexual. Isso parece injusto e não caridoso. É preciso um pouco mais de caridade para dizer que uma pessoa tem atração pelo mesmo sexo do que usar rótulos que são muito populares na cultura de hoje.

Ao dizer isto, é claro, eu não estou de forma alguma minimizando a força, a intensidade, a duração ou a frequência dos sentimentos de atração pelo mesmo sexo e quão importante esses sentimentos são para alguém que quer se auto-compreender. Nós só queremos dar à atração pelo mesmo sexo a etiqueta apropriada. Não exagerando-a, mas claramente não diminuindo ninguém a tão pouco.

(Observação: A palavra "importante", aqui, não está evidentemente querendo valorizar positivamente tais sentimentos, mas se refere a importância desse dado para que o indivíduo em questão conheça e compreenda a si mesmo.)

[Padre Paul N. Check, 'Homosexuality, Identity, and the Grace of Chastity' (Homossexualidade, Identidade, e a Graça da Castidade), entrevista para o jornal 'Catholic World Report' em 03.IX.2013]

Fonte: Courage Brasil


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Instinto Sexual e Castidade



As duas necessidades do ser vivo: manter-se e abrir-se, vemo-las expressa marcadamente nas duas paixões mais fortes que incessantemente ocupam o esforço ascético: a tendência sexual que corresponde à necessidade de comunicação, e a tendência agressiva que corresponde à necessidade de auto-conservação. A tendência sexual é dirigida pela castidade; a tendência agressiva, a ira, pela mansidão.

A castidade não tem por objeto a eliminação ou metamorfose dos instintos. Bem diz Pio XII na encíclica sobre a virgindade: 'A virtude da castidade não exige de nós que nos tornemos insensíveis ao estímulo da concupiscência, mas que o subordinemos à razão e à lei da graça.'(1) Aviso importante para almas angustiadas que se atormentam a si mesmas com impressões e sensações de caráter sexual, embora tais sensações não estejam debaixo de seu poder. O que no máximo podia ser classificado como tentação, logo consideram como pecado. Nasce o sentimento de culpabilidade que fixa a atenção sobre o assunto. A fixação da atenção sobre o assunto sexual exacerba a tentação: a alma debate-se num círculo vicioso e chega, pressionada por idéias fixas ou impulsos coercitivos, a fazer o que mais receia e detesta.

Quanta angústia e quanto desgaste nervoso não resulta do desconhecimento da natureza humana! A vida sensitiva funciona, em grande parte, automaticamente. Chegando alguma impressão a um sentido, logo este toma posição e , se lhe convém, acha nele prazer e procura a continuidade da impressão; não lhe convindo, porém, acha-lhe desprazer e procura afastar-se. A procura do bem correspondente é necessidade intrínseca da natureza, tanto na esfera biológica, como psíquica e espiritual. Nenhum homem pode impedir que um prato saboroso lhe agrade e o atraia. Nenhum homem pode evitar que aquilo que convém à sexualidade lhe provoque as sensações e tendências correspondentes. Sob tal aspecto ninguém pode mudar ou eliminar a vida sensitiva. O que é da natureza não se pode expulsar.

Mas essas reações automáticas precisam de regulativo. Nos animais, é o instinto que mantém as tendências sensitivas dentro de um justo limite que não prejudique a vida total. No homem, esse regulador instintivo se encontra mal desenvolvido, especialmente em referência à vida sexual. Para ele, o regulativo é o próprio espírito que, conhecendo as necessidades diversas e os perigos possíveis, deve dirigir e condicionar os movimentos automáticos dos sentidos. Essa direção e vigilância custam esforços contínuos, porque a vida sensitiva está constantemente em atividade; custam, não raro, esforços heróicos, pois, às vezes, as paixões resistem com força, querendo seguir independentes o próprio caminho. Dessa atividade reguladora do espírito depende em grande parte a perfeição do homem, a elaboração espiritual de sua vida, a realização de si mesmo.

A lei estratégica básica dessa atividade é chamada fuga. Por causa da função automática da vida sensitiva, acontecerá muitas vezes que surjam impressões, sensações e tendências que o homem, em vista da finalidade espiritual superior, não pode admitir - em outras palavras, tornam-se para ele tentação, solicitação para canalizar a energia em direção não-construtiva. Que pode e deve o homem fazer em tal caso? A resposta resulta logicamente da natureza automática de tais movimentos. É impossível mudar agrado em desagrado, o prazer em desprazer. O prazer será o estado natural, enquanto durar a impressão exterior. Portanto só resta ao homem uma saída: colocar-se fora do alcance de tal impressão ou do objeto que a provoca. Então se amortece, gradativamente, a sensação e o perigo será debelado.

É antiquíssima a lei ascética de evitar e fugir nas lutas pela castidade. Sendo a única atitude lógica e natural, não demonstra fraqueza ou covardia, mas prudência, isto é, conhecimento exato da realidade e conformação com ela. Enfrentar o perigo, fazer-se de forte, aparentar insensibilidade estóica, é ignorância da natureza humana e desconhecimento das estratégias diferentes na luta pela perfeição: "Os assaltos do pecado devem ser vencidos às vezes pela fuga, e outras pela resistência. Pela fuga, quando uma ocupação demorada dos pensamentos forneceria novo incentivo ao pecado, como acontece na impureza. Por isso, foi dito: 'Fugi da fornicação.' (1Cor 6,18) (2)


(1) Pio XII, Encíclica sobre a Sagrada Virgindade. In: Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 14 fasc. 2, julho 1954, p. 451.
(2) S. th. II. II. 35, 1 ad 4.

Frei Valfredo Tepe OFM. O sentido da vida. Ascese cristã e psicologia dinâmica. 3ª ed. Bahia: Mensageiro da Fé, 1960. p. 110-112.

Créditos: Blog GRAA
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