Fonte: Blog GRAA
terça-feira, 17 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
São Miguel Arcanjo - Oração em português e latim
Faço muito questão de divulgar e recomendar ardentemente a devoção ao glorioso Príncipe São Miguel Arcanjo. Sua devoção tem sido de grande valia na luta contra as tentações, e a preciosa intercessão deste Arcanjo diante do Coração Sacratíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo, juntamente com Nossa Mãe Imaculada, tem me preservado de quedas. Todos os devotos de São Miguel devem ser testemunhas da ajuda desse anjo, que também é o Anjo Protetor da Santa Igreja Católica e da nossa Fé, e que por sinal tem tido seu bendito nome profanado nos últimos tempos por novelas satãnicas.
São
Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, cobri-nos com o vosso escudo
contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemene o
pedimos. E vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder,
precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que
andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
LATIM: Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio; contra
nequitiam et insidias diaboli esto præsidium.Imperet illi Deus,
supplices deprecamur: tuque, Princeps militiæ cælestis, Satanam aliosque
spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo,
divina virtute in infernum detrude. Amen.
Créditos ao blog de Dartagman da Silva Zanela.
Frases de S. Josemaría Escrivá sobre a Pureza
"É necessária uma cruzada de virilidade e de pureza que enfrente e anule
o trabalho selvagem daqueles que pensam que o homem é uma besta.
- E essa cruzada é obra vossa."
"Quando te decidires com firmeza a ter vida limpa, a casitidade não será para ti um fardo; será coroa triunfal."
"Escreveste-me, médico apóstolo: "Todos sabemos por experiência que
podemos ser castos, vivendo vigilantes, frequentando os Sacramentos e
apagando as primeiras chispas da paixão, sem deixar que ganhe corpo a
fogueira
É precisamente entre os castos que se contam os homens mais íntegros,
sob todos os aspectos. E entre os luxuriosos predominam os tímidos, os
egoístas, os falsos e os cruéis, que são tipos de pouca virilidade."
"A gula é a vaguarda da impureza"
"Não queiras dialogar com a concupiscência; despreza-a."
"O pudor e a modéstia são os irmãos menores da pureza"
"Sem a santa pureza, não se pode perseverar no apostolado"
"Tira-me, Jesus, esta crosta suja de podridão sensual que me recobre o
coração, para que sinta e siga com facilidade os toques do Paráclito na
minha alma."
"Nunca fales, nem sequer para te lamentares, de coisas ou acontecimentos
impuros. Olha que é matéria mais pegajosa que o piche. - Muda de
conversa, e, se não é possível, continua, falando da necessidade e
formosura da santa pureza, virtude de homens que sabem o que vale a sua
alma".
"Não tenhas a covardia de ser "valente"; foge!"
"Os santos não foram seres disformes, casos de estudo para um médico
modernista. Foram e são normais; de carne, como a tua. - e venceram."
"Se soubesses o que vales!... É São Paulo quem te diz: foste comprado "pretio magno" - por alto preço.
E depois continua: "Glorificate et portate Deum in corpore vestro" - glorifica a Deus e traze-O em teu corpo".
"Quando procuraste a companhia de uma satisfação sensual... - depois, que solidão!"
"Infelix ego homo! Quis me liberabit de corpore mortis hujus?" - Pobre
de mim! Quem me livrará deste corpo de morte? - Assim clama São Paulo. -
Anima-te. Ele também lutava."
"Na tua alma, parece que ouves materialmente: "Esse preconceito
religioso!..." - E depois, a defesa eloquente de todas as misérias da
nossa pobre carne decaída: "os seus direitos!"
Quando isso te acontecer, diz ao inimigo que há lei natural e lei de Deus, e Deus! - E também inferno."
"Domine!" - Senhor! - "si vis, potes me mundare" - se quiseres, podes curar-me."
- Que bela oração para que a digas muitas vezes, com a fé do pobre
leproso, quando te acontecer o que Deus e tu e eu sabemos! - Não
tardarás a sentir a resposta do Mestre: "Volo, mundare!" - Quero, sê
limpo!"
"Para defeder a sua pureza, São Francisco revolveu-se na neve, São Bento
jogou-se num silvado, São Bernardo mergulhou num tanque gelado...
- Tu, que fizeste?"
"A pureza limpidíssima de toda a vida de João torna-o forte diante da
Cruz. - Os outros Apóstolos fogem do Gólgota; ele, com a Mãe de Cristo,
fica.
- não esqueças que a pureza fortalece, viriliza o caráter."
S. Josemaría Escrivá, Caminho.
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A Frivolidade: uma "doença do caráter"
Um homem
precisa ter caráter se quiser ser homem realmente. E caráter é ter
personalidade, é lutar pelo que acredita - por Deus, Autor da vida; pela sua
vida própria, e por uma infinidade de coisas que cada um
conhece.Caráter envolve firmeza, é ser viril em suas decisões, é dominar-se a si mesmo - pois este é o domínio mais difícil de se conseguir, e portanto o mais honrado.
Só assim se pode ser homem - macho! - realmente. Homem que é Homem precisa ser Homem de caráter. Senão não é Homem. Simples assim!
O caráter deveria ser o sobrenome do Homem: um sinal constante de que ele é o que é, de que cumpre com a vocação à qual Deus lhe chamou no instante da concepção - a vocação de ser macho. Ele não só aparenta ser: ele é!
A doença da falta de caráter nos dias atuais é degradante. Uma vergonha para os homens de nossa geração. Dá-se desculpas para tudo: para não trabalhar, para não ter um compromisso sério, para sair com mil mulheres e não amar nenhuma delas, para não ir à Igreja - nunca! -, para tratar os outros com vileza e desonestidade. Todas desculpas de homens que não são homens realmente - porque não têm caráter.
Por causa destas desculpas que desviam do caminho São Josemaría Escrivá ensinava:
"Pretextos.
- Nunca te faltarão para deixares de cumprir os teus deveres. que fartura de
razões... sem razão! Não pares a considerá-las. - Repele-as e cumpre a tua
obrigação" (Caminho, n.21).
"Desculpa própria do homem frívolo e egoísta: 'Não gosto de comprometer-me com nada'" (Sulco, n. 539).
"Desculpa própria do homem frívolo e egoísta: 'Não gosto de comprometer-me com nada'" (Sulco, n. 539).
A
frivolidade é uma enfermidade entre os homens modernos. Este não querer assumir
compromissos, este desrespeitar os que já foram assumidos, este ser mudano, sem
domínio sobre si mesmo... tudo isto é frivolidade. E não há coisa que torne os
homens menos homens e mais bestas do que ela.
São Josemaría advertia contra essa "doença do caráter":
São Josemaría advertia contra essa "doença do caráter":
"Não
caias nessa doença do caráter que tem por sintomas a falta de firmeza para
tudo, a leviandade no agir e no dizer, o estouvamento..., a frivolidade, numa
palavra. Essa frivolidade, que - não o esqueças - torna os teus planos de cada
dia tão vazios ('tão cheios de vazio'), se não reages a tempo - não amanhã;
agora! -, fará da tua vida um boneco de trapos morto e inútil" (Caminho,
n.18).
"Assim, bobeando, com essa frivolidade interior e exterior, com essas vacilações em face da tentação, com esse querer sem querer, é impossível que avances na vida interior" (Sulco, n.154).
"Assim, bobeando, com essa frivolidade interior e exterior, com essas vacilações em face da tentação, com esse querer sem querer, é impossível que avances na vida interior" (Sulco, n.154).
Um Homem
não pode permanecer a "bobear". A frivolidade não merece cultivo. O
Homem, se quiser vencer esta enfermidade do caráter, precisa assumir-se como
Homem, e em conseqüência assumir os compromissos para os quais é chamado: com
Deus, com a Igreja, consigo mesmo, com sua santificação pessoal, com sua família,
com seu trabalho e profissão, com seus estudos, etc.
Somente a vitória da frivolidade poderá abrir caminho à verdadeira virilidade.
Somente a vitória da frivolidade poderá abrir caminho à verdadeira virilidade.
"Enquanto
não lutares contra a frivolidade, a tua cabeça será semelhante a uma loja de
bricabraque: não conterá senão utopias, sonhos e... trastes velhos" (Sulco,
n.535).
E nada de
pretextos! Nada de justificar os defeitos dizendo: "Eu sou assim
mesmo...", para não lutar contra a frivolidade própria.
"Não
digas: 'Eu sou assim..., são coisas do meu caráter". São coisas da tua
falta de caráter. Sê homem - esto vir" (Caminho, n.4)
"Obstinas-te em ser mundano, frívolo e estouvado porque és covarde. Que é, senão covardia, esse não quereres enfrentar-te a ti próprio?" (Caminho, n.18).
"Obstinas-te em ser mundano, frívolo e estouvado porque és covarde. Que é, senão covardia, esse não quereres enfrentar-te a ti próprio?" (Caminho, n.18).
Fonte: Blog En Garde
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Fugir dos maus companheiros (São João Bosco)
Há três
espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente
maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis
proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem
contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos
absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai
atenção e ficareis sabendo quais sejam.
Todos os jovens
que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de
dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras,
juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos
das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos
vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus
companheiros, ministros de satanás, dos quais deves fugir mais do que da
peste e do diabo em pessoa.
Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e
aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mal companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Eccl. XXI, 22).
aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mal companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Eccl. XXI, 22).
Em suma, se
andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso.
Pelo contrário, freqüentando companheiros perversos, vos pervertereis
também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma. Dirá
alguém: São tantos os meus companheiros, que seria preciso sair deste
mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus
companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais
deles.
E se, para não
tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós,
porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e
o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do
que esses?
Contudo pode-se
também ter bons companheiros e serão os que freqüentemente os S.S.
Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que freqüentam a igreja, os
que com as palavras e como exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos
deveres e vos afastam da ofensa de Deus.
A estes deveis
freqüentar e tirareis muito proveito. Desde que Davi, quando jovem,
começou a freqüentar um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se
ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava ao outro na
prática da virtude.
Evitar as más conversas
Quantos jovens
estão no inferno por ter dado ouvidos ás más conversas! Estas verdade já
a inculcava São Paulo, quando dizia que as conversas inconvenientes nem
sequer se devem nomear entre cristãos, porque são a ruína dos bons
costumes: Corrúmputi mores collóquia mala. Fazei de conta que as
conversas são como os alimentos: por muito bom que seja um prato é
suficiente que sobre ele caia uma só gota de veneno para dar a morte aos
que dele comerem. O mesmo acontece com a conversação obscena. Uma
palavra, um gesto, um gracejo basta para ensinar a malícia a um ou
também a muitos meninos, os quais tendo vivido até então como inocentes
cordeirinhos, por causa daquelas conversas e maus exemplos perdem a
graça de Deus e se tornam infelizes escravos do demônio.
Poderá alguém
dizer: Conheço as funestas conseqüências das más conversas; mas como se
há de fazer?Estou numa casa, numa escola, num serviço, em uma casa de
negócio, em um lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus
caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de
sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus.
Se são pessoas
inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a
quem não convenha admoestar , fugi, se vos for possível; não podendo,
ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e
dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.
E se, apesar
destas precauções, vos achardes ainda em perigo de ofender a Deus,
dar-vos-ei o conselho de Santo Agostinho, que diz: Apprechénde fugam, si
vis reférre victóriam. Foge, abandona o lugar, a escola, a oficina,
suporta todos os males deste mundo, ante que a morar em um lugar ou
tratar com pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma.
Porque diz o
Evangelho, melhor é sermos pobres, desprezados, sofrer que nos cortem os
pés e as mãos e até que nos arranquem os olhos e ir assim ao Céu, antes
que ter tudo o que desejamos no mundo e depois perder-nos eternamente.
Pode às vezes
acontecer que algum companheiro vos escarneça e se ria de vós, mas não
importa: tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se
transmudará em pranto no inferno e o desprezo dos bons se converterá na
mais consoladora alegria no céu: Tristítia vestra vertétur in gáudium.
Notai contudo
que, permanecendo vós fiéis a Deus, acontecerá que os vossos mesmos
detratores será obrigados a prezar a vossa virtude, já não se atreverão a
molestar-vos com os seus perversos motejos.
Onde se achava
São Luis Gonzaga, ninguém já se atrevia a proferir palavras menos
honestas, e si ele chegava na ocasião em que outros as pronunciavam,
diziam logo: Silêncio! Ai vem Luis.
Evitar o escândalo
A palavra
escândalo quer dizer tropeço e chama-se escândalo aquele que com
palavras ou obras dá a outrem ocasião de ofender a Deus. O escândalo é
um pecado enorme, porque rouba a Deus as almas que Ele criou para o Céu e
que foram resgatadas com o sangue precioso de Jesus Cristo, e as rouba
para entregá-las ao demônio, que as conduzirá ao inferno.
Dessa maneira, o
escandaloso pode ser chamado um verdadeiro ministro de Satanás. Quando o
demônio com os seus artifícios não consegue de outra forma apoderar-se
de algum jovem, costuma servir-se dos escandalosos. De que enormes
pecados sobrecarregam sua consciência aqueles jovens que na igreja, nas
ruas, nas escolas ou em outros lugares dão escândalos!
Quanto mais
numerosas são as pessoas que os vêem, tanto mais grave é a sua culpa aos
olhos de Deus. E que deveremos dizer dos que chegam até a ensinar a
malícia aos que são ainda inocentes? Ouçam esses infelizes o que lhes
diz o Salvador.
Tendo tomado um
dia uma criança pela mão, voltou-se para as turbas que o escutavam e
disse: “Ai de quem der escândalo a um deste pequeninos que crêem em mim;
infelizmente há escândalos no mundo, mas ai de quem der escândalo:
melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o
atirassem ao fundo do mar”.
Se fosse
possível tirar os escândalos do mundo, quantas almas iriam ao Paraíso,
as quais, pelo contrário perdem-se eternamente no inferno! Guardai-vos
pois desta raça de criminosos: fugi deles como do mesmo demônio.
Uma menina de poucos anos, ao ouvir uma conversa escandalosa, disse a
quem falava:
quem falava:
“Foge daqui, ó demônio maldito”. Se
vós, meus caros, quereis ser verdadeiros amigos de Jesus e de Maria,
deveis não somente fugir dos escandalosos, mas empenhar-vos em reparar
com o vosso bom exemplo o grande mal que eles causam ás almas. Por isso,
as vossas conversas sejam boas e modestas; sede devotos na igreja,
obedientes e respeitadores para com vossos superiores.
Oh! quantas
almas então imitando-vos trilharão o caminho do Céu! E vós tereis a
certeza de para lá ir em sua companhia, pois, como diz Santo Agostinho, o
que alcança a salvação de uma alma pode fundadamente esperar que há de
salvar a sua: Animam salvásti, animam praedestinásti.
São estas as
principais coisas das quais vós, meus caros jovens, deveis fugir no
mundo, se quiserdes seguir uma norma de vida virtuosa e cristã.
(Excertos do livro: O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos - Parte I - São João Bosco)
Fonte: Blog Católicos Tradicionais
Créditos ao blog: osegredodorosario.blogspot.com.br
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Você se veste com modéstia?
Ao publicar este texto, não quero afirmar que considero pecado o vestir-se uma vez ou outra com uma camisa rosa, ou utilizar pulseiras (sem exageros, é claro). Contudo, devemos tomar cuidado com um certo igualitarismo entre homem e mulher que vem se alastrando nas últimas décadas, e invadindo, quase imperceptivelmente, nosso guarda-roupa e nossa mentalidade. Há que se evitar, também e sobretudo, qualquer tipo de sensualidade na maneira de vestir, evitar roupas que marquem muito o corpo e que possam ser ocasião de pecado impuro para as outras pessoas.
***
![]() |
| Príncipe William (Duque de Cambridge) |
Por Vladimir Lachance
Muito se tem discutido sobre a modéstia feminina, frisando, sobretudo,
que tipo de traje seria adequado ou não para uma mulher católica. A
resposta tem se tornado cada vez mais clara, pois surgem traduções
importantes de declarações papais, textos relevantes de grandes santos e
teólogos, que vão dando precisão aos argumentos em favor da moralização
das vestes femininas.
Vê-se, com grande entusiasmo e esperança cristã, reerguer-se a dignidade
da mulher católica. É nesse momento de robustecimento da fé católica,
com essa bela reação contra as roupas imorais para as mulheres, que nos
aparece nova questão: e para os homens, existe a virtude da modéstia no
vestir? E quais seriam as regras a se seguir?
Para responder a estas perguntas é preciso ter claro o fato da diferença
psicológica de homens e mulheres, e ter isto em mente significa
perceber que existem maneiras específicas de olhar o mundo e o que nele
existe que são muito próprias para cada sexo.
Disso decorre que a modéstia deve ser observada por ambos de maneira
condizente à sua própria natureza. O homem, assim como a mulher, deve
seguir as regras do pudor, da castidade e da higiene, e, além disso,
deve ter sempre presente qual é o seu papel e missão na Criação.
O homem é uma das “duas expressões diversas da natureza humana”1; e se
existem essas duas expressões, elas não podem ser iguais, pois se fosse
assim não seriam duas, portanto devem diferenciar-se em pelo menos
alguns aspectos, tendo características inerentes que as tornem únicas,
mas ao mesmo tempo complementares – já que formam uma mesma natureza
humana.
Para a mulher, podemos, olhando para o exemplo da mulher por excelência,
a Virgem Santíssima, recolher traços particulares do seu modo de ser,
que seria: humildade, meditação, silêncio, submissão, delicadeza; é,
acima de tudo, a força espiritual – como retratou a historiadora Gertud
Von Le Fort: a mulher representa a força invisível que move o mundo.
Já para o homem podemos tomar como exemplo o chefe da Sagrada Família, o
glorioso São José, que na ladainha composta em sua homenagem é saudado
como casto guarda da Virgem, sustentador do Filho de Deus, zeloso
defensor de Jesus Cristo, fortíssimo, modelo dos operários, sustentáculo
das famílias e protetor da Santa Igreja.
Notem que não se trata de dizer que essas virtudes são somente
masculinas ou femininas, pois se poderia objetar que determinadas
mulheres se sobressaíram na história exatamente pela firmeza, como foi o
caso de Santa Joana D’arc, ou que alguns homens se santificaram
exatamente pela submissão e certa docilidade. Quanto a isto não haja
dúvida: não se trata de dizer que existem vias exclusivas de
santificação para homens e mulheres, mas de fazer nota da existência de
atitudes peculiares, enquanto homens e mulheres em geral.
Antes que sejamos capazes de refletir mais sobre as roupas mais
adequadas para o homem vestir, temos que definir como se encontra a moda
masculina como um todo. Quanto à moda feminina não temos dúvida do seu
estado atual, Já para a moda masculina prevalece uma atual presença da
cultura relativista na forma como os homens, em geral, se vestem.
Talvez não seja tão claro para um homem ter noção disto – se ele não
prestar atenção no que foi sendo incorporado ao seu guarda-roupa:
camisetas, regatas (comumente de número abaixo ao que ele deveria estar
usando), cores femininas, estampas (anjos, dragões, mulheres, “tribais”,
números aleatórios, frases sem sentido…), florais, colares, pulseiras,
brincos, cintos estilizados (prateados, rebites, etc.), anéis, calças
justas ou de estampas duvidosas, e por aí adiante – se o leitor ainda
não se sentir capaz de visualizar o que estou tentando dizer, veja as
fotos no fim do artigo e compare como os homossexuais se vestiam décadas
atrás e como os homens costumam se vestir hoje. Como chegamos a este
ponto?
Dentre os vários pontos relevantes, destacamos:
1 – De acordo com certa ideologia corrente nos nossos dias, “ninguém
nasce homem ou mulher”, mas sua identidade é construída na vida em
sociedade, e essa identidade seria supostamente arbitrária. Estas
pessoas pretendem dizer que não existe diferença ontológica alguma entre
homens e mulheres, mas que tudo é construção;
2 – Esta mesma ideologia, por ser desconstrucionista – e por isso mesmo
destrutiva de toda ordem natural -, postula que estas mesmas identidades
não podem ser classificadas apenas como identidades de mulher ou de
homem: há uma multiplicidade de identidades de “gênero” – as quais
definem como: gay, lésbica, transexual, travesti, etc.; completam a
abominação dizendo que nenhuma destas identidades são fixas, mas que as
pessoas transitam, durante a vida, por várias delas;
3 – É este tipo de ideologia que está sendo utilizado para eliminar as
diferenças sexuais estabelecidas e queridas por Deus-4; todos os
aspectos da psicologia humana e todos os âmbitos da sociedade são
atingidos quando este tipo de pensamento se alastra. Quando isto
acontece, tudo aquilo que é produzido nesta sociedade está contaminado
por tal concepção, de modo que desde a propaganda de eletrodomésticos,
passando pela moda, e principalmente pela forma que as pessoas se
relacionam entre si, apresentam resultados do esforço ideológico
destrutivo.
Todo este pensamento, no entanto, pode ser definido em uma palavra:
igualitarismo. Tendência de tudo igualar, de abolir as diferenças –
principalmente aquelas queridas por Deus: Quer abolir as diferenças
entre os sexos, as idades, as culturas e transformar tudo numa massa
uniforme, onde ninguém é mais ou menos que ninguém, todos valem o mesmo.
Na moda masculina, a tendência igualitária procurou o mesmo caminho
descrito acima para alcançar o seu fim último, que neste caso vem a ser a
abolição da diferença entre os sexos. Desde a sua primeira intervenção
na moda, o igualitarismo já tinha em si o poder de confundir os sexos,
de destruir toda a indumentária que deixasse marcada a diferença
existente entre o homem e a mulher.
Quando a calça é introduzida no guarda-roupa feminino, isto também traz
graves conseqüências para os homens, pois uma peça que era claramente
masculina se tornou unissex – e esta palavra que também virou moda: a
moda unissex; inconcebível há pouco tempo atrás.
Moda unissex não se trata somente de uma mesma peça que pode ser usada
por homens e mulheres (uma camiseta branca que você compra e pode
presentear tanto a João quanto a Maria), mas o fato de que quase toda
espécie de vestimenta hoje é produzida para ambos os sexos. Exemplos: a
camisa pólo masculina e feminina, a calça, a jaqueta, o colete, a camisa
social, o terno, a bermuda, e por aí vai. E o que diferencia estas
peças é algo muito tênue, é certa tendência para cores ou estampas (fato
que tende a diminuir a cada ano), é uma mudança mínima no corte.
Se por um lado o fato de que as mulheres incorporaram o uniforme de
trabalho (a camisa masculinizada e as calças) no seu guarda-roupa
contribuiu para o igualitarismo, o caminho oposto – ou seja, o homem
incorporar indumentárias femininas -, estava facilmente definido e
fadado a acontecer. Este caminho se encontrava na maneira como os
homossexuais se vestiam, pois eles já usavam roupas e acessórios
afeminados. O caminho mais fácil não era ligar este homem à moda de sua
esposa, mas estender a cultura relativista para todos os homens. E esta
cultura, de fato, fez duras investidas contra as vestes masculinas
Este igualitarismo (5) é o primeiro mal do qual o homem católico deve
fugir ao escolher que roupa irá usar. E para isso, é necessário que ele
reconheça sua dignidade como filho de Deus, cuja missão é, antes que
qualquer outra, refletir a paternidade divina.
Numa época cuja nobreza da vocação paterna e materna é colocada
permanentemente em dúvida e ridicularizada(6), sendo utilizado para isto
também a moda, significa que passou da hora de uma reforma moral. Esta
reforma começa com o nosso “fiat” a Deus e tem uma repercussão direta no
momento em que formos à nossa próxima compra de roupa.
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1-Dietrich Von Hildebrand. O Amor Entre o Homem e a Mulher.
2 Cf. CIC 369-371
3- Cf. Carta aos bispos sobre a moda imodesta (1954) e discurso de Pio
XII, às garotas da Ação Católica, 22 maio 1941: “Enquanto certos modos
provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de
reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se
ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como
ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais
de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas
quedas”.
4-Tal como a autora feminista Shulamith Firestone escreveu na “Diáletica
do Sexo” (The Dialectic of Sex): “Assim como a meta da revolução
socialista era… a eliminação da… distinção da classe econômica como tal,
assim a meta da revolução feminista deve ser a eliminação da… distinção
do sexo como tal [de forma que] a diferença genital entre seres humanos
não teriam mais nenhuma importância culturalmente. Citado em:
http://christopherwest.com/page.asp?ContentID=120
5- “Devemos acentuar a diferença, ao menos como tática de argumentação,
porque um dos vícios de nosso tempo consiste precisamente em procurar a
simplificação da uniformidade. A desordem de nosso tempo consiste em
tender para o amálgama, para o informe, para a massa, para a sociedade
sem classe, para um mundo sem limites, para uma vida sem regras, para
uma humanidade sem discriminações. Ao contrário disto, a sociedade que
desejamos construir é uma sociedade ricamente diferenciada, e
nitidamente hierarquizada.(…) E, quanto mais infantil for a criança, e
quanto mais mulheril a mulher, e quanto mais varonil o homem, tanto
melhor realizaremos em cada situação concreta a ordem, cambiante mas
verdadeira, que é o fundamento da felicidade dos povos. O bem, a
perfeição da sociedade, está na infantilidade da infância, na
feminilidade da mulher, na masculinidade do homem”. (Gustavo Corção,
Vocação da Mulher)
Fonte: Blog Modéstia Masculina http://modestiasaojose.blogspot.com.br/
terça-feira, 10 de julho de 2012
A Fuga das ocasiões de pecado: um dos mais graves deveres da vida espiritual.
Santo Afonso Maria de Ligório
I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas
Um sem número de cristãos se perde por não querer
evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e
queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora
condenado por toda a eternidade!
Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a
ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas.
Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o
homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz
ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas
vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião
próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao
pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se
tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes
circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações
e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.
O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele
perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que
Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele
não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de
Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele
pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.
Se fores, pois, tentado, e especialmente se te
achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo
tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então
torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos
nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao
inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para
ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um
leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São
Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por
onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz
consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a
tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá
seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao
demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que
as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas
tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades
eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.
Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a
castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a
remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir.
Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os
teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo
disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti”
(Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e
lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela
ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma
ocasião próxima para ti.
Antes de tudo devemos estar convencidos que nós,
revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só
Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.
É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas
não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e
não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o
perigo perecerá nele.
Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de
levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque
não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S.
Paulo (Fil 2, 12): “Com temor e tremor operai a vossa salvação”.
Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente
quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.
II. De algumas ocasiões que devemos evitar
cuidadosamente
Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever
fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar
pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do
amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv.,
c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o
conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9,
8).
Para se livrar de tentações impuras, um antigo
filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos
cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam
ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo
em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o
mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.
Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más
companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e
mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda
com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás
desonesto.
O homem toma os hábitos daqueles que convivem com
ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa,
que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus
ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles
entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra
desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros
tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo
Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.
Quando ouvires alguém conversando sobre coisas
impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo.
Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre
coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe
disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és
tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os
olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu
e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.
Achando-te em companhia de rapazes que conversam
sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção,
volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.
Deves também abster-te de considerar quadros menos
decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem
tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros,
revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais,
como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e
romancistas.
Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a
leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros
propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más
impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz
(De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos
vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais,
como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.
Proibi a vossos filhos representar um papel
qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações
imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”,
diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em
estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos
filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças,
namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há
danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.
Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém.
Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo,
são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a
vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em
Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em
seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio
irmão.
Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal
namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só
direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência
ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo,
caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação;
esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o
espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.
III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades
Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho
nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou
sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao
avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se
debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então,
de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a
tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao
perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que
se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa,
não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.
A história eclesiástica narra que uma mulher mui
piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos
dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava
sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas
que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome
mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.
Mas a visita àquela casa, a continuação daquela
amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o
caminho para o inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a
deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da
perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as
palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe,
isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a
temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O
demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a
Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma
corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio
e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.
Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no
começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer
presentes.
Ainda uma observação importante: Um penitente
que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente
caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma
confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado,
em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve
dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de
emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem
empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes
garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a
confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores,
como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”
(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da
Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre
Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)
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