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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tratado da Castidade - Parte V - Santo Afonso Maria de Ligório



§ V. DA VIRGINDADE
São Cipriano (De disc. et hab. virg.) denomina a multidão de virgens que se
consagram ao amor de seu Divino Esposo, de "a mais nobre porção da Igreja de Cristo".
Vários outros Santos Padres, como Santo Efrém, Santo Ambrósio, Santo Agostinho,
São Jerônimo, São Crisóstomo, escreveram livros inteiros em louvor da virgindade.
Não é minha intenção expor aqui todos os méritos e vantagens que adquirem as
pessoas que consagraram a Deus sua virgindade; disso tratarei extensamente no capítulo
IV da III parte, que trata do voto de castidade [que reproduzimos logo abaixo]. Aqui
farei seguir, simplesmente, uma instrução para os que levam uma vida virginal sem
terem emitido o voto de castidade.
As almas virgens são extraordinariamente belas aos olhos de Deus: "Serão como
os Anjos de Deus no Céu" (Mat 22, 30). Barônio conta que na morte de uma virgem,
chamada Geórgia, uma multidão de pombos adejavam ao redor da casa e, quando seu
cadáver foi transportado à igreja, pousaram no teto, exatamente em cima do lugar onde
se achava o caixão, e daí não se retiraram até ser sepultada a piedosa virgem (An. 480).
Essas pombas certamente eram Anjos, que queriam prestar as últimas honras àquele
corpo virginal.
As almas virginais, que renunciaram ao casamento para se dedicarem
exclusivamente ao amor de Jesus Cristo, tornam-se esposas do Filho de Deus. Nos
Santos Evangelhos, Jesus Cristo é chamado Pai, Mestre, Pastor das almas; referindo-se
às virgens, porém, dá-Lhe o nome de Esposo: "Elas saíram a receber o Esposo e a
Esposa" (Mat 25, 1). Por isso, tinha razão Santa Inês, respondendo, segundo Santo
Ambrósio, aos que lhe ofereciam a mão do filho do prefeito de Roma: "Ofereceis-me
um esposo? Já encontrei um muito melhor" (De virg., 1. 1). Semelhante resposta deu
Santa domitila, sobrinha do imperador Domiciano, aos que queriam persuadi-la a casarse
com Aureliano: "Dizei-me: a quem deveria escolher por esposo uma jovem pedida
em casamento por um monarca e por um camponês? Para casar-me com Aureliano, teria
de renunciar ao Rei do Céu. Ora, isso seria uma loucura inominável, que nunca
praticarei". E, firme nessa resolução, deixou-se queimar viva, para poder permanecer
fiel a Jesus Cristo, a Quem consagrara sua virgindade.
Quem poderá imaginar a glória que Deus reserva a Suas castas esposas lá no
Céu? Os teólogos são de opinião que no Céu existe uma glória especial reservada às
virgens, uma coroa ou alegria particular, de que estão privados os outros Santos.
Mas, dir-me-á uma ou outra jovem: 'Ora, casando-me também poderei santificarme'.
Não receberás a resposta da minha boca, mas da de São Paulo, que te dirá também
a diferença que existe entre as virgens e as casadas: "A mulher virgem pensa nas coisas
que são do Senhor, para que seja santa no corpo e no espírito. Mas, a que é casada,
pensa nas coisas que são do mundo, em como agradar ao marido. Em verdade, digo isso
para vosso proveito... para vos exortar ao que vos convém e vos facilita a orar ao Senhor
sem embaraço" (I Cor 7, 34).


Deve-se, pois, notar que as casadas, sem dúvida alguma, podem ser santas
segundo o espírito, ao passo que as virgens, que amam a Deus, o são de corpo e espírito.
Tome-se também em consideração estas palavras: "O que facilita servir a Deus sem
impedimento". Quantos impedimentos não encontram as casadas na sua tendência à
santidade! E esses obstáculos são tanto maiores, quanto mais elevada a sua condição
[social].
Para nos fazermos santos temos de empregar os meios e, antes de tudo, nos
consagrar à oração mental, receber amiúde os Santos Sacramentos, e pensar sem
interrupção em Deus. Ora, quando uma senhora casada achará tempo para cuidar
naquilo que é do Senhor? Ela se ocupará com as coisas deste mundo, diz São Paulo,
cuidará em agradar a seu marido, olhará pelas necessidades de sua família, pelo seu
sustento e vestes, vigiará a educação de seus filhos, atenderá aos parentes e amigos,
pensará continuamente nos seus afazeres; seu coração ficará assim dividido entre seus
filhos, seu marido e Deus. Como encontrar tempo para se entregar a longas orações
mentais, para receber muitas vezes a Comunhão, se nem lhe resta tempo para cuidar de
todas as obrigações de sua casa e estado? O marido quer ser atendido, os filhos gritam e
choram, querendo mil coisas diversas. Como meditar entre tantos cuidados e
perturbações? Muitas mães de família nem mesmo aos domingos podem ir à igreja. É
verdade, ela pode conservar a sua boa vontade, mas sempre lhe será custoso cuidar,
como convém, do que é do Senhor. Não há dúvida de que pode adquirir grandes
merecimentos em razão de tais provações, entregando-se à Vontade de Deus que, em
tais condições, não que mais do que um sacrifício perene de resignação e paciência;
mas, no meio de tantas distrações e tribulações, é quase impossível, é mesmo heroísmo,
praticar a virtude da paciência e conformidade, sem o exercício da oração e a recepção
dos Sacramentos... Mas, prouvera a Deus que as senhoras casadas nada mais tivessem a
deplorar que a falta de tempo necessário para seus exercícios de piedade.
A m´s conduta do marido, os desgostos causados pelos filhos, os negócios da
casa, as molestas atenções que se devem à sogra e aos cunhados, as suspeitas, as
inquietações de consciência quanto à vida conjugal e educação dos filhos, tudo isso
origina um mar de tribulações, no qual passam sua vida entre suspiros e lágrimas. E
felizes se conseguirem salvar sua alma e alcançarem de Deus a graça de não deixarem o
inferno desta vida para se precipitarem no inferno eterno! Esta é a bela sorte das jovens
que se consagram ao mundo... [grifo do original]
Mas, entre tantas mulheres casadas, não haverá uma só que se santifique? Sim,
existem também Santas casadas. Porém, quais são estas? As que se santificam pelo
martírio, que sofrem tudo por amor de Deus, com uma paciência que nada abala. Mas,
quantas se elevarão a tal perfeição? Ah! Mui poucas. E se encontrares uma tal, verás
que deplora amargamente ter escolhido o partido do mundo, tendo podido, com tanta
facilidade, consagrar-se a Jesus Cristo.
Verdadeiramente felizes são aquelas virgens que se consagram por inteiro e
exclusivamente ao seu Divino Salvador. Estas estão livres dos perigos em que se achão
as casadas. Seu coração está desembaraçado do apego aos filhos e marido, aos bens
transitórios, ao luxo vão ou a outras coisas do mundo.
E, quando as mulheres casadas se vêem obrigadas a empregar muitos cuidados e
grandes somas com seu traje, para aparecer ao mundo à altura de sua posição e agradar
a seu marido, a virgem que se consagrou a Jesus Cristo se contenta com um vestido
simples e desataviado, pois, do contrário, daria escândalo. Todos os seus pensamentos e
cuidados tendem a agradar a Jesus, a quem dedicou seu corpo, sua alma, seu amor todo.
Assim, possui ela também mais liberdade de espírito para pensar em Deus e mais tempo
para se entregar à oração e receber os Sacramentos.
Se não te sentes chamada, alma cristã, ao estado conjugal, nem ao religioso, mas
desejas fazer-te santa no mundo, como verdadeira esposa de Jesus Cristo, toma a peito
os seguintes conselhos: Para a santificação, não é suficiente que uma virgem traga
ilibada a sua pureza e use o nome de esposa de Jesus Cristo; é preciso também praticar
as virtudes de uma esposa de Jesus. No Evangelho é o reino dos Céus comparado a
umas virgens. Mas que virgens? Às virgens prudentes e não às loucas. Aquelas foram
introduzidas na sala das núpcias; a estas foi a porta fechada e ouviram do Esposo: Não
deixais de ser virgens, mas eu não vos reconheço por esposas minhas. As verdadeiras
esposas de Jesus seguem o Esposo para onde quer que Ele vá (Apoc 14, 4). que quer
dizer seguir o Esposo? Santo Agostinho explica que é prender-se a Ele (De s. virg., c.
7). Depois de Lhe teres sacrificado teu corpo, deves ainda consagrar-Lhe todo o teu
coração, de tal forma que só te ocupes em amá-lO. Para isso, deves empregar os meios
para pertencer exclusivamente a Ele.
O primeiro é a oração mental, a que te deves dedicar com todo o zelo. Não
julgues que, para isso, é necessário se recolher a um convento ou passar todo o dia na
igreja. Não há dúvida que em uma casa de família há barulho e perturbações de pessoas
que entram e saem; mas quem tem boa vontade encontra sempre jeito e tempo para
fazer suas orações; por exemplo, de manhã, antes de se levantarem as pessoas da casa,
ou de noite, depois de já se terem recolhido. Também não se requer que se esteja sempre
de joelhos; podem-se recitar as orações durante o trabalho ou caminhando; basta elevar
o pensamento a Deus, pensar na Paixão de Cristo ou meditar sobre qualquer outro
assunto devoto.
O segundo meio é a recepção assídua dos santos sacramentos da Penitência e
Eucaristia. (...) Quanto à Comunhão, não é muita coisa se for recebida só por
obediência; deve-se ter deselo delA, e pedi-lA. Esse Divino Pão quer ser desejado e que
se tenha fome dEle. A Comunhão é que faz com que as esposas de Jesus permaneçam
fiéis a seu Divino Esposo, já que a Ela devem em especial a conservação de sua pureza.
Este Divino Sacramento conserva na alma toda espécie de virtudes, sendo, porém, seu
efeito principal, conservar ilibado o lírio da virgindade, dando-Lhe o profeta, por isso, o
nome de "nutrimento dos escolhidos e vinho que gera virgens" (Zac 9, 17).
O terceiro meio é o recolhimento e a vigilância. O Divino Esposo compara Sua
esposa com um lírio entre os espinhos (Cânt 2, 2). Uma donzela que quer viver na
sociedade, entre divertimentos e distrações mundanas, não poderá permanecer fiel a
Jesus Cristo. Deve, pelo contrário, estar sempre circundada dos espinhos da abstinência
e mortificações, e guardar, em especial no trato com homens, a maior reserva, e rigorosa
modéstia dos olhos e palavras e, mesmo, se necessário, mostrar-se austera e descortês.
Os espinhos são o que protegem os lírios, isto é, as virgens; sem eles, perder-seão
em pouco tempo. O Senhor compara a beleza de Sua esposa com a da pomba (Cânt
1, 9). Por quê? Porque a pomba, por instinto natural, evita a companhia dos outros
pássaros. Assim, uma virgem é bela aos olhos de Jesus, se leva uma vida retirada e se se
esconde, quanto possível, aos olhos do mundo. São Jerônimo diz (Ep. ad Eust.) que o
Esposo das almas é cioso. Desgosta-se muito, por isso, de uma virgem que, depois de se
haver consagrado ao Seu amor, gosta de mostrar-se e procura agradar aos homens.
Pessoas verdadeiramente virtuosas preferem desfigurar-se a si mesmas a tornarse
objeto de amor criminoso. Se, por desgraça, acontecer tornar-se uma virgem vítima
de uma violência qualquer, sem culpa sua, não deve inquietar-se com isso, já que sua
pureza não fica alterada. Foi o que Santa Lúcia respondeu ao tirano que a ameaçava de
entregá-la ao prostíbulo: "Se eu for desonrada contra minha vontade, receberei uma
coroa dupla". Com razão se diz: Não o sentimento, mas o consentimento fere a alma.
Além disso, podemos ficar convencidos que uma virgem modesta e reservada saberá
também fazer-se respeitar.
O quarto meio é a mortificação dos sentidos. Uma virgem que quer conserva-se
pura, diz São Basílio, deve ser pura na língua, falando sempre com decoro e, se for
necessário tratar com homens, só dizer o indispensável; pura nos ouvidos, evitando
ouvir conversas mundanas; pura nos olhos, conservando-os fechados ou, ao menos,
baixos, quando na companhia de homens; pura no tato, usando do máximo cuidado
quanto aos outros e quanto a si mesma; pura principalmente no espírito, esforçando-se
por resistir aos maus pensamentos, recorrendo a Jesus e Maria.
Para conseguir isso, é preciso que ela mortifique seu corpo com jejuns e outras
penitências. Jesus Cristo é um 'Esposo de Sangue' (Ex 4, 26), que desposou nossa alma
na ara da Cruz e, por amor dela, derramou até a última gota de Sangue. Por esse motivo,
Suas esposas suportam angústias, doenças, dores, maus tratos e injúrias, não só com
paciência, mas até com alegria. Assim deve-se entender o texto da Escritura, que diz:
"As Virgens seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá" (Apoc 14, 4). Elas seguem
jubilosas e cantando a Jesus, seu Divino Esposo, mesmo no meio dos opróbrios e penas,
a exemplo de milhares de virgens que foram ao encontro da morte e das torturas, cheias
de alegria.
Finalmente, deves recomendar-te instantemente a Maria, a Rainha das Virgens,
se quiseres perseverar no teu estado de virgindade perpétua. Ela é que prepara e conclui
a união das almas com Seu Divino Filho; Ela que alcança para essas almas escolhidas a
graça da preseverança, pois, sem a Sua assistÊncia, todas tornar-se-iam infiéis.
Vós, que ledes estas linhas, - dirijo-me àquelas que se sentem chamadas pelo
Divino Esposo a renunciar ao Matrimônio - vós, que quereis pertencer a Jesus Cristo,
não vos obrigueis desde logo por um voto, nem façais, logo no começo, o voto de
castidade perpétua; fazei esse voto quando Deus vo-lo inspirar e o confessor o permitir.
Aconselho-vos, porém, que agradeçais a Jesus Cristo, vos ter chamado a Seu especial
amor, e vos ofereçais ao Senhor como coisa que Lhe é consagrada e própria para todo o
sempre. E, por isso, dizei-Lhe assim: Ó meu Jesus, meu Deus e Salvador, que por mim
morrestes, perdoai-me se também eu ouso chamar-vos meu Esposo. Ouso porque vejo
que Vos agrada chamar-me a essa honra. Essa graça é tão grande, que não Vo-la posso
agradecer suficientemente. Eu merecia estar agora ardendo no inferno, porém, em vez
de me castigar, escolheis-me para esposa Vossa. Pois bem, meu Divino Salvador, eu
renuncio ao mundo, eu renuncio a tudo por amor de Vós e a Vós me entrego inteira e
irrevogavelmente. De hoje em diante sereis meu único bem, meu único amor. Vejo que
quereis possuir meu coração inteiro: ei-lo, entrego-o sem restrição. Aceitai meu
sacrifício e não me repulseis como eu mereceria. Esquecei-Vos de todas as ofensas que
Vos tenho feito até hoje: detesto-as de todo o coração. Ah! Tivesse eu morrido antes de
Vos haver ofendido! Perdoai-me em Vosso amor, e concedei-me a graça de Vos
permanecer fiel e nunca mais Vos abandonar. Vós, ó meu Esposo, Vos entregastes todo
a mim; eis-me aqui, eu também quero entregar-me toda a Vós. Ó Maria, minha Rainha e
minha Mãe, prendei meu coração ao Coração de Jesus Cristo; ligai-me tão fortemente a
Ele, que nunca mais possa desprender-me de Vosso Divino Filho.


Fonte: Tratado da Castidade, Santo Afonso Maria de Ligório

sábado, 22 de setembro de 2012

O valor do pudor!






Talvez venham a zombar da tua atitude reservada, por não te sentires à vontade no meio de conversas estercorosas e de corares logo que ouvires uma palavra imprópria. Meu filho, orgulha-te disso! Orgulha-te de poderes corar!
O pudor em nós não é "criancice", "ingenuidade", "hipocrisia" - como eles dizem, - senão um ato de valor incalculável, uma arma recebida da natureza, que defende, quase sem que o percebamos, a parte mais nobre da nossa pessoa contra os maus pensamentos. Para o jovem o pudor, que defende quase instintivamente contra a impureza a sua alma delicada, é precioso tesouro.
É um poderoso dique contra as ondas da imoralidade, que todos os lados rebentam contra a nossa alma... Lembra-te desta bela máxima de Santo Agostinho:
"Não odeies os homens por causa dos seus erros e das suas faltas, mas não estimes as faltas e os erros por amor dos homens".
É covarde quem não sabe tolerar, contra as suas convicções, algumas contrariedades. Outrora débeis crianças, sem dizerem palavra e por amor de Cristo, se deixaram despedaçar por animais ferozes. Aos quatorze anos São Vito sorria ao mergulharem-no em azeite fervente - por amor de Cristo; e aos treze anos São Pelágio suportava que durante seis horas lhe arrancassem os membros, um após outro, - também por amor de Cristo.


As zombarias e chalaças de teus companheiros imundos compreendem-se muito bem. A tua presença é molesta aos que se esponjam no esterquilínio. E como olham esses salafrários com tanta raiva para quem não quer deitar-se junto com eles no muladar! A rã, ainda que esteja sentada num tronco, salta sempre para o charco, pois só ali é que se sente à vontade.
Talvez conheças esta velha máxima: Sunt, a quibus vituperari laudari est: há certas censuras que para nós são o maior louvor. E podes crer que, se o asno injuria a rosa, é porque esta não usa ferraduras.
Sempre me admirei muito de que se desse importância ao julgamento dessas almas desviadas. Creio saberes que em Pisa, na Itália, a torre da catedral é inclinada. Ora, se essa torre inclinada pudesse pensar, certamente desprezaria todas as outras torres do mundo: "É admirável que, de todas as torres, seja eu a única em boa posição!"
Não ouviste falar no que aconteceu a uma aldeiazinha oculta na montanha, onde todos os habitantes eram papudos em razão da água e da vida que levavam? Certo dia, alguns turistas passaram por ali. Apresentavam ótima saúde; entretanto, os papudos correram atrás deles, fazendo grande alarido, rindo e chocarreando: "Vede só!... Homens que não têm papo!"
Em todas as lutas fortifica em ti esta santa resolução: Quem não quer perder o seu caráter e a dignidade da sua pessoa, tornando-se escravo dos instintos, não deve entregar-se aos prazeres proibidos. Quem dá importância ao caráter e quer desenvolver harmoniosamente a sua personalidade, cumpre que vele, como se se tratasse de um tesouro, pela sua integridade física e moral, até ao sacramento do matrimônio (e também depois), que Deus instituiu para ele.
"É valente quem vence um leão - escreve Helder, - é valente quem submete o mundo; porém mais valente ainda é aquele que se vence a si próprio".
O teu bigode cresce por si mesmo, as tuas pernas por si mesmas se tornam mais compridas, mas o verdadeiro caráter viril não se desenvolve por si próprio. Assim, também, deves lutar e arrancar todos os dias um pedaço à tua fraqueza inata, mediante séria abnegação e trabalho verdadeiramente consciente.
(O brilho da mocidade, por Dom Tihamér Tóth)
PS: Grifos meus.
Fonte:   A Grande Guerra
Créditos ao blog Modéstia Masculina (Modéstia São José)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

É preciso mortificar o homem velho



Um santo bispo emprega uma bela comparação para nos fazer compreender o que é o homem velho e a necessidade de o mortificarmos: "O homem, diz ele, santuário de Cristo, é semelhante a um templo magnífico em cujas paredes lançou raízes uma figueira selvagem. O arquiteto levanta as pedras e torna a colocá-las no seu lugar; a figueira destruidora seca e morre. Assim é o pecado: introduz-se, ramifica-se na nossa carne degradada; a morte chega, a parede desmorona-se, a figueira seca, e Cristo divino arquiteto do Seu templo, é que o há-de restaurar pela ressurreição num estado de imutável solidez. Neste mundo, acrescenta o santo doutor, nós não podemos desenraizar a figueira maldita, mas o que pudermos fazer devemos fazê-lo, isto é, mutilar, cortar o mais possível os ramos da árvore e, pela mortificação cristã, impedi-la de dar os seus frutos envenenados." (São Metódio)

A castidade é uma virtude necessariamente austera e mortificada: efetivamente, restabelecer e manter a ordem naquele ser dividido a que o pecado nos reduziu, é positivamente subjugá-lo. Ela não poderia viver nem poderia desenvolver-se sem o socorro da mortificação cristã, que reprime e disciplina os nossos sentidos corporais e as nossas potências interiores, imaginações e afetos, a fim de deixar livre expansão à nossa alma. "A mortificação, cortando-nos os dois pés, obriga-nos a não mais nos servirmos senão das asas." (Mons. Gay)

O demônio vê os castos e os consagrados elevarem-se diretamente para Deus, pela simplicidade e pela pureza. O seu trabalho maldito consiste em impedir essa retidão de coração, em aviltar as almas até à terra, em imprimir-lhes uma tendência para as afetações, a sensualidade, as comodidades. Ele sabe bem que o lírio amolecidocurva-se, inclina a haste, toca na terra e, em vez de dar a sua corola branca e suave, morre e apodrece. A alma casta eleva-se e mantém-se irmã dos anjos, com a condição de deixar a terra "dos que vivem molemente" (Job., XXVIII,12), e de fazer à natureza má uma guerra sem quartel, de viver numa contínua austeridade.

"Sejamos nós o que quer que seja: dotados das mais felizes disposições ou possuídos de más tendências; iniciados ou veteranos na piedade; na posse intacta da nossa veste de inocência ou não tendo mais do que farrapos maculados, todos nós temos uma indiscutível necessidade de mortificação; é um meio necessário a todos para se adquirir ou conservar a virtude. Ao cavalo mais educado é sempre bom manter a rédea um bocadinho curta e fazer sentir a espora". (Rodriguez)

"É a cruz que se tem de levar em cada dia, diz São Bernardo; mas a unção de divina graça torna-a tão leve!"
Afetos. - "Ó Deus onipotente, nós Vos entregamos os nossos sentidos para a mortificação; concedei-nos que sintamos uma santa alegria; e que sendo mitigado o ardor dos nossos apetites terrenos, nós possamos saborear mais comodamente as coisas do céu. Assim seja" (Missal Romano).
Exame. - Estou eu convencida da necessidade de me mortificar para me conservar casta? - Não me tranquilizo imprudentemente, sob o pretexto de que não tenho, atualmente grandes tentações? - Procuro tornar-me hábil para tudo aproveitar no sentido de contristar, contrariar, incomodar, arruinar a má natureza? - O que faço eu, exatamente, com este fim? - Se eu não for corajosa e constante na mortificação, o que é que me poderá dar segurança?
Resolução.
Ramalhete espiritual. - "Se vós viverdes segundo a carne, morrereis; se mortificardes pelo espírito as obras da carne, vivereis". (Rom., VIII, 13).

(Ensaio sobre a castidade, pelo Pe. F. Maucourant, edições Paulistas, ano de 1959, com imprimatur)

Fonte: A Vida Sacerdotal
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