segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Frivolidade: uma "doença do caráter"



Um homem precisa ter caráter se quiser ser homem realmente. E caráter é ter personalidade, é lutar pelo que acredita - por Deus, Autor da vida; pela sua vida própria, e por uma infinidade de coisas que cada um conhece.

Caráter envolve firmeza, é ser viril em suas decisões, é dominar-se a si mesmo - pois este é o domínio mais difícil de se conseguir, e portanto o mais honrado.

Só assim se pode ser homem - macho! - realmente. Homem que é Homem precisa ser Homem de caráter. Senão não é Homem. Simples assim!

O caráter deveria ser o sobrenome do Homem: um sinal constante de que ele é o que é, de que cumpre com a vocação à qual Deus lhe chamou no instante da concepção - a vocação de ser macho. Ele não só aparenta ser: ele é!

A doença da falta de caráter nos dias atuais é degradante. Uma vergonha para os homens de nossa geração. Dá-se desculpas para tudo: para não trabalhar, para não ter um compromisso sério, para sair com mil mulheres e não amar nenhuma delas, para não ir à Igreja - nunca! -, para tratar os outros com vileza e desonestidade. Todas desculpas de homens que não são homens realmente - porque não têm caráter.

Por causa destas desculpas que desviam do caminho São Josemaría Escrivá ensinava:
"Pretextos. - Nunca te faltarão para deixares de cumprir os teus deveres. que fartura de razões... sem razão! Não pares a considerá-las. - Repele-as e cumpre a tua obrigação" (Caminho, n.21).

"Desculpa própria do homem frívolo e egoísta: 'Não gosto de comprometer-me com nada'" (Sulco, n. 539).
A frivolidade é uma enfermidade entre os homens modernos. Este não querer assumir compromissos, este desrespeitar os que já foram assumidos, este ser mudano, sem domínio sobre si mesmo... tudo isto é frivolidade. E não há coisa que torne os homens menos homens e mais bestas do que ela.

São Josemaría advertia contra essa "doença do caráter":
"Não caias nessa doença do caráter que tem por sintomas a falta de firmeza para tudo, a leviandade no agir e no dizer, o estouvamento..., a frivolidade, numa palavra. Essa frivolidade, que - não o esqueças - torna os teus planos de cada dia tão vazios ('tão cheios de vazio'), se não reages a tempo - não amanhã; agora! -, fará da tua vida um boneco de trapos morto e inútil" (Caminho, n.18).

"Assim, bobeando, com essa frivolidade interior e exterior, com essas vacilações em face da tentação, com esse querer sem querer, é impossível que avances na vida interior" (Sulco, n.154).
Um Homem não pode permanecer a "bobear". A frivolidade não merece cultivo. O Homem, se quiser vencer esta enfermidade do caráter, precisa assumir-se como Homem, e em conseqüência assumir os compromissos para os quais é chamado: com Deus, com a Igreja, consigo mesmo, com sua santificação pessoal, com sua família, com seu trabalho e profissão, com seus estudos, etc.

Somente a vitória da frivolidade poderá abrir caminho à verdadeira virilidade.
"Enquanto não lutares contra a frivolidade, a tua cabeça será semelhante a uma loja de bricabraque: não conterá senão utopias, sonhos e... trastes velhos" (Sulco, n.535).
E nada de pretextos! Nada de justificar os defeitos dizendo: "Eu sou assim mesmo...", para não lutar contra a frivolidade própria.
"Não digas: 'Eu sou assim..., são coisas do meu caráter". São coisas da tua falta de caráter. Sê homem - esto vir" (Caminho, n.4)

"Obstinas-te em ser mundano, frívolo e estouvado porque és covarde. Que é, senão covardia, esse não quereres enfrentar-te a ti próprio?" (Caminho, n.18).
Fonte: Blog En Garde

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Fugir dos maus companheiros (São João Bosco)



Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai atenção e ficareis sabendo quais sejam.

Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deves fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa.

Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e
aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mal companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Eccl. XXI, 22).

Em suma, se andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso. Pelo contrário, freqüentando companheiros perversos, vos pervertereis também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma. Dirá alguém: São tantos os meus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.

E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?

Contudo pode-se também ter bons companheiros e serão os que freqüentemente os S.S. Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que freqüentam a igreja, os que com as palavras e como exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa de Deus.

A estes deveis freqüentar e tirareis muito proveito. Desde que Davi, quando jovem, começou a freqüentar um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava ao outro na prática da virtude.


Evitar as más conversas

Quantos jovens estão no inferno por ter dado ouvidos ás más conversas! Estas verdade já a inculcava São Paulo, quando dizia que as conversas inconvenientes nem sequer se devem nomear entre cristãos, porque são a ruína dos bons costumes: Corrúmputi mores collóquia mala. Fazei de conta que as conversas são como os alimentos: por muito bom que seja um prato é suficiente que sobre ele caia uma só gota de veneno para dar a morte aos que dele comerem. O mesmo acontece com a conversação obscena. Uma palavra, um gesto, um gracejo basta para ensinar a malícia a um ou também a muitos meninos, os quais tendo vivido até então como inocentes cordeirinhos, por causa daquelas conversas e maus exemplos perdem a graça de Deus e se tornam infelizes escravos do demônio.

Poderá alguém dizer: Conheço as funestas conseqüências das más conversas; mas como se há de fazer?Estou numa casa, numa escola, num serviço, em uma casa de negócio, em um lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus.

Se são pessoas inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a quem não convenha admoestar , fugi, se vos for possível; não podendo, ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.

E se, apesar destas precauções, vos achardes ainda em perigo de ofender a Deus, dar-vos-ei o conselho de Santo Agostinho, que diz: Apprechénde fugam, si vis reférre victóriam. Foge, abandona o lugar, a escola, a oficina, suporta todos os males deste mundo, ante que a morar em um lugar ou tratar com pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma.

Porque diz o Evangelho, melhor é sermos pobres, desprezados, sofrer que nos cortem os pés e as mãos e até que nos arranquem os olhos e ir assim ao Céu, antes que ter tudo o que desejamos no mundo e depois perder-nos eternamente.

Pode às vezes acontecer que algum companheiro vos escarneça e se ria de vós, mas não importa: tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se transmudará em pranto no inferno e o desprezo dos bons se converterá na mais consoladora alegria no céu: Tristítia vestra vertétur in gáudium.

Notai contudo que, permanecendo vós fiéis a Deus, acontecerá que os vossos mesmos detratores será obrigados a prezar a vossa virtude, já não se atreverão a molestar-vos com os seus perversos motejos.

Onde se achava São Luis Gonzaga, ninguém já se atrevia a proferir palavras menos honestas, e si ele chegava na ocasião em que outros as pronunciavam, diziam logo: Silêncio! Ai vem Luis.


Evitar o escândalo

A palavra escândalo quer dizer tropeço e chama-se escândalo aquele que com palavras ou obras dá a outrem ocasião de ofender a Deus. O escândalo é um pecado enorme, porque rouba a Deus as almas que Ele criou para o Céu e que foram resgatadas com o sangue precioso de Jesus Cristo, e as rouba para entregá-las ao demônio, que as conduzirá ao inferno.

Dessa maneira, o escandaloso pode ser chamado um verdadeiro ministro de Satanás. Quando o demônio com os seus artifícios não consegue de outra forma apoderar-se de algum jovem, costuma servir-se dos escandalosos. De que enormes pecados sobrecarregam sua consciência aqueles jovens que na igreja, nas ruas, nas escolas ou em outros lugares dão escândalos!

Quanto mais numerosas são as pessoas que os vêem, tanto mais grave é a sua culpa aos olhos de Deus. E que deveremos dizer dos que chegam até a ensinar a malícia aos que são ainda inocentes? Ouçam esses infelizes o que lhes diz o Salvador.

Tendo tomado um dia uma criança pela mão, voltou-se para as turbas que o escutavam e disse: “Ai de quem der escândalo a um deste pequeninos que crêem em mim; infelizmente há escândalos no mundo, mas ai de quem der escândalo: melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o atirassem ao fundo do mar”.

Se fosse possível tirar os escândalos do mundo, quantas almas iriam ao Paraíso, as quais, pelo contrário perdem-se eternamente no inferno! Guardai-vos pois desta raça de criminosos: fugi deles como do mesmo demônio.

Uma menina de poucos anos, ao ouvir uma conversa escandalosa, disse a
quem falava:

“Foge daqui, ó demônio maldito”. Se vós, meus caros, quereis ser verdadeiros amigos de Jesus e de Maria, deveis não somente fugir dos escandalosos, mas empenhar-vos em reparar com o vosso bom exemplo o grande mal que eles causam ás almas. Por isso, as vossas conversas sejam boas e modestas; sede devotos na igreja, obedientes e respeitadores para com vossos superiores.

Oh! quantas almas então imitando-vos trilharão o caminho do Céu! E vós tereis a certeza de para lá ir em sua companhia, pois, como diz Santo Agostinho, o que alcança a salvação de uma alma pode fundadamente esperar que há de salvar a sua: Animam salvásti, animam praedestinásti.

São estas as principais coisas das quais vós, meus caros jovens, deveis fugir no mundo, se quiserdes seguir uma norma de vida virtuosa e cristã.




(Excertos do livro: O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos - Parte I - São João Bosco)

Fonte: Blog Católicos Tradicionais

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Você se veste com modéstia?


Ao publicar este texto, não quero afirmar que considero pecado o vestir-se uma vez ou outra com uma camisa rosa, ou utilizar pulseiras (sem exageros, é claro). Contudo, devemos tomar cuidado com um certo igualitarismo entre homem e mulher que vem se alastrando nas últimas décadas, e invadindo, quase imperceptivelmente, nosso guarda-roupa e nossa mentalidade. Há que se evitar, também e sobretudo, qualquer tipo de sensualidade na maneira de vestir, evitar roupas que marquem muito o corpo e que possam ser ocasião de pecado impuro para as outras pessoas.


                                                                            ***


Príncipe William (Duque de Cambridge)

Por Vladimir Lachance

Muito se tem discutido sobre a modéstia feminina, frisando, sobretudo, que tipo de traje seria adequado ou não para uma mulher católica. A resposta tem se tornado cada vez mais clara, pois surgem traduções importantes de declarações papais, textos relevantes de grandes santos e teólogos, que vão dando precisão aos argumentos em favor da moralização das vestes femininas.

Vê-se, com grande entusiasmo e esperança cristã, reerguer-se a dignidade da mulher católica. É nesse momento de robustecimento da fé católica, com essa bela reação contra as roupas imorais para as mulheres, que nos aparece nova questão: e para os homens, existe a virtude da modéstia no vestir? E quais seriam as regras a se seguir?

Para responder a estas perguntas é preciso ter claro o fato da diferença psicológica de homens e mulheres, e ter isto em mente significa perceber que existem maneiras específicas de olhar o mundo e o que nele existe que são muito próprias para cada sexo.

Disso decorre que a modéstia deve ser observada por ambos de maneira condizente à sua própria natureza. O homem, assim como a mulher, deve seguir as regras do pudor, da castidade e da higiene, e, além disso, deve ter sempre presente qual é o seu papel e missão na Criação.

O homem é uma das “duas expressões diversas da natureza humana”1; e se existem essas duas expressões, elas não podem ser iguais, pois se fosse assim não seriam duas, portanto devem diferenciar-se em pelo menos alguns aspectos, tendo características inerentes que as tornem únicas, mas ao mesmo tempo complementares – já que formam uma mesma natureza humana.

Para a mulher, podemos, olhando para o exemplo da mulher por excelência, a Virgem Santíssima, recolher traços particulares do seu modo de ser, que seria: humildade, meditação, silêncio, submissão, delicadeza; é, acima de tudo, a força espiritual – como retratou a historiadora Gertud Von Le Fort: a mulher representa a força invisível que move o mundo.

Já para o homem podemos tomar como exemplo o chefe da Sagrada Família, o glorioso São José, que na ladainha composta em sua homenagem é saudado como casto guarda da Virgem, sustentador do Filho de Deus, zeloso defensor de Jesus Cristo, fortíssimo, modelo dos operários, sustentáculo das famílias e protetor da Santa Igreja.

Notem que não se trata de dizer que essas virtudes são somente masculinas ou femininas, pois se poderia objetar que determinadas mulheres se sobressaíram na história exatamente pela firmeza, como foi o caso de Santa Joana D’arc, ou que alguns homens se santificaram exatamente pela submissão e certa docilidade. Quanto a isto não haja dúvida: não se trata de dizer que existem vias exclusivas de santificação para homens e mulheres, mas de fazer nota da existência de atitudes peculiares, enquanto homens e mulheres em geral.

Antes que sejamos capazes de refletir mais sobre as roupas mais adequadas para o homem vestir, temos que definir como se encontra a moda masculina como um todo. Quanto à moda feminina não temos dúvida do seu estado atual, Já para a moda masculina prevalece uma atual presença da cultura relativista na forma como os homens, em geral, se vestem.

Talvez não seja tão claro para um homem ter noção disto – se ele não prestar atenção no que foi sendo incorporado ao seu guarda-roupa: camisetas, regatas (comumente de número abaixo ao que ele deveria estar usando), cores femininas, estampas (anjos, dragões, mulheres, “tribais”, números aleatórios, frases sem sentido…), florais, colares, pulseiras, brincos, cintos estilizados (prateados, rebites, etc.), anéis, calças justas ou de estampas duvidosas, e por aí adiante – se o leitor ainda não se sentir capaz de visualizar o que estou tentando dizer, veja as fotos no fim do artigo e compare como os homossexuais se vestiam décadas atrás e como os homens costumam se vestir hoje. Como chegamos a este ponto?

Dentre os vários pontos relevantes, destacamos:

1 – De acordo com certa ideologia corrente nos nossos dias, “ninguém nasce homem ou mulher”, mas sua identidade é construída na vida em sociedade, e essa identidade seria supostamente arbitrária. Estas pessoas pretendem dizer que não existe diferença ontológica alguma entre homens e mulheres, mas que tudo é construção;

2 – Esta mesma ideologia, por ser desconstrucionista – e por isso mesmo destrutiva de toda ordem natural -, postula que estas mesmas identidades não podem ser classificadas apenas como identidades de mulher ou de homem: há uma multiplicidade de identidades de “gênero” – as quais definem como: gay, lésbica, transexual, travesti, etc.; completam a abominação dizendo que nenhuma destas identidades são fixas, mas que as pessoas transitam, durante a vida, por várias delas;

3 – É este tipo de ideologia que está sendo utilizado para eliminar as diferenças sexuais estabelecidas e queridas por Deus-4; todos os aspectos da psicologia humana e todos os âmbitos da sociedade são atingidos quando este tipo de pensamento se alastra. Quando isto acontece, tudo aquilo que é produzido nesta sociedade está contaminado por tal concepção, de modo que desde a propaganda de eletrodomésticos, passando pela moda, e principalmente pela forma que as pessoas se relacionam entre si, apresentam resultados do esforço ideológico destrutivo.

Todo este pensamento, no entanto, pode ser definido em uma palavra: igualitarismo. Tendência de tudo igualar, de abolir as diferenças – principalmente aquelas queridas por Deus: Quer abolir as diferenças entre os sexos, as idades, as culturas e transformar tudo numa massa uniforme, onde ninguém é mais ou menos que ninguém, todos valem o mesmo.

Na moda masculina, a tendência igualitária procurou o mesmo caminho descrito acima para alcançar o seu fim último, que neste caso vem a ser a abolição da diferença entre os sexos. Desde a sua primeira intervenção na moda, o igualitarismo já tinha em si o poder de confundir os sexos, de destruir toda a indumentária que deixasse marcada a diferença existente entre o homem e a mulher.

Quando a calça é introduzida no guarda-roupa feminino, isto também traz graves conseqüências para os homens, pois uma peça que era claramente masculina se tornou unissex – e esta palavra que também virou moda: a moda unissex; inconcebível há pouco tempo atrás.

Moda unissex não se trata somente de uma mesma peça que pode ser usada por homens e mulheres (uma camiseta branca que você compra e pode presentear tanto a João quanto a Maria), mas o fato de que quase toda espécie de vestimenta hoje é produzida para ambos os sexos. Exemplos: a camisa pólo masculina e feminina, a calça, a jaqueta, o colete, a camisa social, o terno, a bermuda, e por aí vai. E o que diferencia estas peças é algo muito tênue, é certa tendência para cores ou estampas (fato que tende a diminuir a cada ano), é uma mudança mínima no corte.

Se por um lado o fato de que as mulheres incorporaram o uniforme de trabalho (a camisa masculinizada e as calças) no seu guarda-roupa contribuiu para o igualitarismo, o caminho oposto – ou seja, o homem incorporar indumentárias femininas -, estava facilmente definido e fadado a acontecer. Este caminho se encontrava na maneira como os homossexuais se vestiam, pois eles já usavam roupas e acessórios afeminados. O caminho mais fácil não era ligar este homem à moda de sua esposa, mas estender a cultura relativista para todos os homens. E esta cultura, de fato, fez duras investidas contra as vestes masculinas

Este igualitarismo (5) é o primeiro mal do qual o homem católico deve fugir ao escolher que roupa irá usar. E para isso, é necessário que ele reconheça sua dignidade como filho de Deus, cuja missão é, antes que qualquer outra, refletir a paternidade divina.

Numa época cuja nobreza da vocação paterna e materna é colocada permanentemente em dúvida e ridicularizada(6), sendo utilizado para isto também a moda, significa que passou da hora de uma reforma moral. Esta reforma começa com o nosso “fiat” a Deus e tem uma repercussão direta no momento em que formos à nossa próxima compra de roupa.

Fonte: Moda e Modéstia

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1-Dietrich Von Hildebrand. O Amor Entre o Homem e a Mulher.

2 Cf. CIC 369-371

3- Cf. Carta aos bispos sobre a moda imodesta (1954) e discurso de Pio XII, às garotas da Ação Católica, 22 maio 1941: “Enquanto certos modos provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas quedas”.

4-Tal como a autora feminista Shulamith Firestone escreveu na “Diáletica do Sexo” (The Dialectic of Sex): “Assim como a meta da revolução socialista era… a eliminação da… distinção da classe econômica como tal, assim a meta da revolução feminista deve ser a eliminação da… distinção do sexo como tal [de forma que] a diferença genital entre seres humanos não teriam mais nenhuma importância culturalmente. Citado em: http://christopherwest.com/page.asp?ContentID=120

5- “Devemos acentuar a diferença, ao menos como tática de argumentação, porque um dos vícios de nosso tempo consiste precisamente em procurar a simplificação da uniformidade. A desordem de nosso tempo consiste em tender para o amálgama, para o informe, para a massa, para a sociedade sem classe, para um mundo sem limites, para uma vida sem regras, para uma humanidade sem discriminações. Ao contrário disto, a sociedade que desejamos construir é uma sociedade ricamente diferenciada, e nitidamente hierarquizada.(…) E, quanto mais infantil for a criança, e quanto mais mulheril a mulher, e quanto mais varonil o homem, tanto melhor realizaremos em cada situação concreta a ordem, cambiante mas verdadeira, que é o fundamento da felicidade dos povos. O bem, a perfeição da sociedade, está na infantilidade da infância, na feminilidade da mulher, na masculinidade do homem”. (Gustavo Corção, Vocação da Mulher) 


Fonte: Blog Modéstia Masculina http://modestiasaojose.blogspot.com.br/

terça-feira, 10 de julho de 2012

A Fuga das ocasiões de pecado: um dos mais graves deveres da vida espiritual.



 Santo Afonso Maria de Ligório
I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas
Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!
Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.
O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.
Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.
Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.
Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.
É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.
Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): “Com temor e tremor operai a vossa salvação”. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.
II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente
Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9, 8).
Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.
Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.
O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.
Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.
Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.
Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.
Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.
Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.
Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.
Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.
III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades
Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.
A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.
Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o caminho para o inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.
Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.
Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”
(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Da pornografia para a pureza: um testemunho, um caminho…



Mark Houck ao lado do Pe. Richard Gray, da Universidade Católica de Maryland
Mark Houck era jogador de futebol americano na Universidade Católica. Ele era também viciado em pornografia. “A primeira vez que vi pornografia tinha 10 anos de idade”, confessou Houck em sua palestra proferida no Centro Cultural João Paulo II, em Washington, Estados Unidos. “Meu problema com a pornografia se tornou sério quando entrei na universidade. Era um problema crônico para mim”. Mark não é o único a ter esse problema. O vício em pornografia, uma adicção psicológica caracterizada pela obsessão em ver, ler e pensar sobre pornografia em detrimento de outras áreas da vida, é o vício mais comum no mundo de hoje, ele garante.
Em 2006, as receitas gerais da indústria pornográfica chegaram a estimados 97 bilhões de dólares – um montante maior que o das maiores companhias de tecnologia juntas: Macintosh, Google, eBay, Yahoo, Netflix e Earthlink. Com ganhos anuais de 13,3 bilhões de dólares, os Estados Unidos são o país onde há mais ganhos com pornografia: 89% de todos os sites pornográficos são dos Estados Unidos. A faixa etária que mais consome pornografia online é formada por adolescentes de 12 a 17 anos. Um estudo descobriu que 5 de cada 10 homens fiéis de igreja (praticantes de religião) vêem pornografia na Internet.
Houck, apesar de ter tido 22 anos de educação em colégio católico, incluindo a faculdade, tornou-se viciado em pornografia. Ele diz: “Eu não sabia o que era pecado mortal, não conhecia minha fé católica”. Mas na idade de 26 anos, ele se lembra que algo aconteceu. “Comecei a me preocupar com esse problema, e assumi um compromisso diante de Deus de que pararia de olhar para a pornografia. Fiquei livre somente por causa da graça de Deus”. Houck tornou-se um palestrante, divulgando a castidade, na organização “Generation Life”. Em 2006 ele fundou “The King’s Men”, um apostolado masculino que ensina os homens a cumprirem seu papel diante de Deus, de líderes, protetores e responsáveis pela família.
Segundo Houck, os homens não devem ficar na defensiva diante do monstro da pornografia. “A natureza do homem é a de um guerreiro. Você é chamado a estar na batalha, a liderar”. Como parte de sua posição agressiva contra a pornografia, a organização “The King’s Men” regularmente organiza manifestações em áreas próximas a lojas de material pornográfico. Mas Houck alerta que o vício em pornografia pede compaixão, e não condenação para suas vítimas.
O Dr. Mark Laaser, em seu livro, “Healing the Wounds of Sexual Addiction” (Curando as feridas da adicção sexual) aponta para o fato de que a pornografia é um sintoma de um problema bem maior. “O vício (adicção) é uma auto-medicação para tentar curar alguma ferida séria em sua vida”, explica Houck. “Se quisermos ajudar as pessoas, precisamos chegar até a ferida”. Dr. Mark acredita que sua própria ferida psicológica foi a morte de seu pai, quando ele tinha apenas 11 anos. “Para muitos homens, a ‘ferida do pai’ é um problem-chave. Provavelmente é pior para um rapaz cujo pai está fisicamente presente, mas espiritualmente ausente”.
Essas feridas levam a quatro crenças básicas: (1) Eu não sirvo pra nada, ninguém me ama. (2) Se as pessoas realmente me conhecessem, me rejeitariam. (3) Não posso ficar dependendo de ninguém para satisfazer minhas necessidades; portanto, minha melhor amiga é a pornografia em revistas, vídeos ou na Internet. (4) O sexo ou a pornografia é minha maior necessidade.
Se você quer curar-se do vício da pornografia, Houck avisa que é necessário primeiro se perguntar a seguinte questão: “Eu realmente quero ficar bem?” Nós ‘gostamos’ do nosso pecado; nos tornamos ligados a ele, segundo Houck. Santo Agostinho certa vez falou para Deus: “Dai-me continência e castidade, mas não agora”. Do que você tem mais sede, das coisas da terra, ou das coisas do céu? As coisas dessa terra nunca irão satisfazê-lo completamente. Pelo que você estaria disposto a morrer? Você preferiria morrer do que cometer um pecado mortal? Houck acredita que devemos, como Santa Maria Goretti, ter essa determinação. No livro “Pornografia, qual o problema?”, que escreveu para a Conferência Católica dos Bispos dos Estados Unidos, Houck oferece dez passos para superar o vício da pornografia:
1. Decida ficar bem e se determine a parar de ver qualquer forma de pornografia que seja.
2. Retire de sua casa tudo que possa ser ocasião de pecado. Houck teve que tirar a sua TV de casa. “O conteúdo da TV muitas vezes é só pornografia mesmo”, ele diz.
3. Tenha força de vontade para fazer sacrifícios, que podem envolver mudanças de hábitos e compromissos. Talvez você precise mudar o caminho ao ir para o trabalho para evitar lugares provocativos, ou mesmo desligar a Internet – ou ao menos instalar um filtro no browser.
4. Conheça os rituais ou processos através dos quais você costumava cair.
5. Encontre um rede de apoio, que pode ser um grupo de outros homens, ou um grupo de oração. “Se você quer superar os vícios sexuais, precisa de apoio”, diz Houck. Ele formou um grupo de homens há 5 anos atrás, que se encontra semanalmente para suporte mútuo.
6. Reze diariamente.
7. Procure se fortalecer nas virtudes, especialmente na justiça, na prudência, na temperança e ns fortaleza.
8. Pratique a paciência e a perseverança. Se você cair, não se deixe vencer – vá para a confissão o mais rápido possível.
9. Faça jejum: “Se você pode controlar seu apetite por comida, o apetite sexual será mais fácil de ser controlado”.
10. Vá para a confissão. Comungue diariamente, se possível.
Houck pede ao clero para que seja mais pró-ativo em confrontar o mal da pornografia. “Nunca ouvi uma homilia sobre pornografia ou sobre anticoncepcionais. Essas são as principais frentes de batalha na Igreja hoje em dia, e não vemos nenhum combate por parte de quem ocupa o púlpito”, ele diz.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Castidade!





 O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo” (Catecismo da Igreja Católica – CIC §2345).
O sexo tem um sentido muito profundo; é o instrumento da expressão do amor conjugal e da procriação. Toda vez que o sexo é usado antes ou fora do casamento, de qualquer forma que seja, peca-se contra a castidade.
A castidade é uma virtude moral. É também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual (cf. Gl 5,22-23). O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo (Catecismo da Igreja Católica – CIC §2345).
“E todo aquele que n’Ele tem esta esperança, se torna puro como Ele é puro” (1Jo 3,3). A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade do homem em seu ser corporal.
Para se viver uma vida casta é necessário a aprendizagem do domínio de si; ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz.
Santo Agostinho disse que: “A dignidade do homem exige que ele possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso interno cego ou debaixo de mera coação externa. O homem consegue esta dignidade quando, libertado de todo cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela escolha livre do bem e procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação” (Confissões, 10,29,40).
Para se viver segundo a castidade é preciso resistir às tentações por meio dos meios que a Igreja nos ensina: fugir das tentações, obedecer aos mandamentos, viver uma vida sacramental, especialmente freqüentando sempre a Confissão e a Comunhão, e viver uma vida de oração. Muito nos ajuda nisso a reza do santo Rosário de Nossa Senhora e a devoção e auxílio dos santos. (cf. CIC §2340)
Santo Agostinho disse que: “A castidade nos recompõe, reconduzindo-nos a esta unidade que tínhamos perdido quando nos dispersamos na multiplicidade” (Confissões, 10,29,40). A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que faz depender da razão as paixões e os apetites da sensibilidade humana (cf. CIC §2341). O homem que vive entregue às paixões da carne, na verdade vive de “cabeça para baixo”; sua escala de valores é invertida; torna-se fraco. Não é mais um homem; mas um caricatura de homem.
Infelizmente, a sociedade hoje ensina os jovens a darem vazão e satisfação a todos os baixos instintos; essa “educação” é uma forma de animalizar o ser humano, pois coloca os seus instintos acima de sua razão e de sua espiritualidade.
O domínio de si mesmo é fundamental para a pessoa ser capaz de doar-se aos outros. A castidade torna aquele que a pratica apto para amar o próximo e ser uma testemunha do amor de Deus. Quem não luta para ter o domínio de si mesmo é um egoísta; não é capaz de amar. Por isso, a castidade é escola de caridade. A Igreja ensina que: “Todo batizado é chamado à castidade. O cristão “se vestiu de Cristo” (Cf. Gl 3,27), modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo o estado específico de vida de cada um. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade” (CIC §2348).
O namoro é a fase do conhecimento da Alma do outro é hora de buscar a pureza juntos em oração e vivendo conforme a graça de Deus. Não é momento de conhecer o corpo isso se da no casamento. O namoro é um tempo lindo e deve ser vivido com dignidade e castidade diferentemente do que a mídia e a sociedade moderna tem ensinado.
Os noivos são chamados a viver em castidade. A vida sexual só deve ser vivida após o casamento, pois só então o casal se pertence mutuamente, e para sempre, com um compromisso de vida assumido um com o outro para sempre.
“Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, uma aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade” (CIC §2350).
Santo Ambrósio ensinava que: “As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros a praticam a castidade na continência; isto significa viver a vida sexual apenas com o seu cônjuge. Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica (Vid. 23)” (CIC §2349).
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Fonte: Rainha dos Apóstolos e Canção Nova

Carta de Santa Catarina de Siena sobre o domínio da sexualidade





Não existe outra maneira de se desprezar o mundo e atingir a pureza perfeita, senão pela conservação da mente e do corpo na continência. Porque a alma que não se aproxima de Deus e não se une a ele pelo afeto do amor, logo se vê longe de Deus, atraída para as criaturas, envolvida em satisfações, prazeres e procura de altas posições no mundo. Ninguém consegue viver sem um amor. E ao amar, transforma-se no objeto amado. A pessoa sempre retira algo daquilo que ama.
O amor humano
Se a pessoa ama o mundo, nele somente encontra sofrimento, porque, pelo pecado, o faz germinar tribulações e males com grande amargura. Nossa carne somente produz mau cheiro, pecado, corrupção. Ao conforma-se com os desejos carnais e a paixão sensível, a alma se envenena e se intoxica mortalmente, pois perde a vida da graça pelo pecado mortal. Eis o que a pessoa recebe do deu amor terno: vive triste, torna-se insuportável a sim mesma. De fato, o próprio Deus permitiu que o afeto desordenado se tornasse insuportável a si mesmo.
O amor divino
Em sentido contrário, todo amor, praticado segundo a vontade divina em união com Deus, traz à pessoa o que existe no Criador, isto é, a máxima doçura. Os servidores de Deus sentem grande prazer, até nos acontecimentos dolorosos e difíceis, pois ao experimentarem a presença de Deus, sentem-se satisfeitos e felizes. Somente Deus pode nos saciar. Deus é mais que nossa alma, maior que todos os seres criados. Tudo o que Deus criou, foi criado para o homem. E o homem foi tirado do nada para amar a Deus de todo o coração, com todo seu afeto. Foi criado para servir a Deus. portanto, os bens terrenos não são capazes de saciar o homem. Mas colocando-os em Deus, a alma humana acha-se em paz e tranquilidade, com o coração aberto para amar a todos na caridade. Então a pessoa procura prestar serviços a todos. Ao auxiliar o próximo, revela o amor que tem por Deus.
E a incontinência sexual?
Sendo Deus a máxima e eterna pureza, a união com ele torna a alma e o corpo participante dessa pureza divina. Assim, alma e corpo conservam-se perfeitamente puros. A pessoa prefere morrer a contaminar-se e manchar a mente e os membros corporais pela impureza. Não que se consiga eliminar os pensamentos e os movimentos carnais. Eles não mancham a alma, a não ser que a vontade consinta. Não havendo consentimento voluntário, não há culpa. Há até merecimento em quem resiste e tira, dos espinheiros, a perfumada rosa da pureza perfeita. Dessa maneira, a pessoa adquire maior conhecimento de si, luta contra a própria fragilidade e amorosamente se refugia no Crucificado, com orações humildade e contínuas, convencida de que não existe outro modo de santificar-se, em tão grandes males. Já dissemos antes. Quanto mais a pessoa se aproxima de Deus, de maior pureza participará. Realmente, a pessoa colhe dessas batalhas uma flor puríssima. O remédio para o terrível mal da impureza na enfraquecida carne e em qualquer situação de pecado é este: aproximar-se de Deus com amor e assemelhar-se a ele.
Olhemos para Jesus Cristo.
Filho caríssimo, não fiquemos parados. O tempo é breve e não nos espera. Nem nós o devemos esperar. Coisa terrível é ficar alguém dormindo no sono de total cegueira, sem acordar. É bem verdade, porém, que para acordar e chegar àquela união com Deus, a alma precisa de uma luz! É a luz da fé, que nos faz conhecer nossa miséria e culpa, faz-nos contemplar com pensamento puro o inefável amor de Deus por nós. Deus manifestou seu amor em seu filho Jesus Cristo, o Verbo. E Jesus deu a conhecer seu amor mediante seu sangue derramado num grande incêndio de amor. Qual jovem enamorado pela humanidade, ele correu para a terrível morte na cruz. Como pode alguém opor resistência ao conhecer tão grande amor?
Filho caríssimo, não fujais dessa luz!
Afastai com esforço a nuvem do egoísmo. Olhai com fé viva para o Cordeiro morto e dilacerado, o qual com muito amor vos chama. Ao dar-lhe resposta, atingireis a perfeita união com Deus. E uma vez unido ao Criador, sentireis o perfume da perfeita pureza. Para combater o vício da impureza é importante refletir sobre a dignidade alcançada, por nossa alma e nosso corpo, quando a natureza humana e a divina se uniram em Jesus Cristo. Envergonhe-se nossa alma! Sirva-lhe de freio, para não cair na impureza, ver-se elevada acima dos coros angélicos. Eu não duvido! Quando vosso pensamento e vosso desejo se elevarem, toda impureza viciada desaparecerá.
Algumas mortificações necessárias
Mas devemos mortificar nosso corpo, dominando-o com vigílias de oração humilde e contínua. Ocorre abraçar-se com a cruz de Cristo e fugir quanto mais possível de encontros com pessoas que vivem lascivamente. Não duvideis! Deus vos concederá uma imensa graça. Mas devereis cortar – não somente desamarrar – os laços acenados. Procurai organizar decididamente vossa vida. Submetei-vos ao jugo da obediência. Assim destruireis vossa vontade pessoal e mortificareis vosso corpo. E experimentareis a garantia da vida eterna. Tenho certeza de que, pelo amor, morareis com Jesus. Vós o fareis. Se não, nada feito!
Conclusão
Eis porque afirmei no início que estava desejosa de vos ver em união de amor com nosso Salvador. Queria que atingísseis a verdadeira pureza e vos libertásseis da paixão (desregrada), que tanto vos faz sofrer. Tenho certeza de que, se agirdes assim, sereis libertado ou ao menos prefirais a morte ao pecado. Banhai-vos no sangue de Cristo crucificado e iniciai uma vida nova, com a esperança de que vossas culpas sejam consumidas na chama do amor. Quero assumir vosso pecados, destruí-los com lágrimas e preces na fornalha da caridade divina. Quero fazer penitência por vós. Uma única coisa vos peço e a ela vos obrigo! Afastai-vos imediatamente do mundo! Dai-lhe um belo chute. Se não o fizerdes, logo o mundo vos chutará. Não oponhais resistência ao Espírito que vos chama. Nada mais acrescento. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.
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