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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

5 coisas que um filho precisa ouvir do pai - Daniel Darling



Por graça de Deus, eu sou o pai de quatro filhos fantásticos: três meninas e um menino. Assim como é maravilhoso ser o pai de filhas, é maravilhoso ser pai de um filho.

Em minha casa, Daniel Jr (4 anos de idade) e eu estamos a perder 4-1 com as raparigas, e por isso fizemos uma espécie de aliança para garantir que nem tudo fica pintado de cor-de- rosa, que vemos futebol com alguma regularidade, e que se vêem tantos filmes de super-heróis como filmes da Barbie.

Falando a sério, o trabalho de criar um filho é uma tarefa nobre e importante. Infelizmente, é um trabalho que muitos homens desleixam, abrindo caminho ao que agora se vê como uma crise de grandes proporções no nosso país: a crise da paternidade.

Quando tiver vagar veja as estatísticas e ficar a saber que uma percentagem muito elevada dos jovens que estão na prisão tiveram pouca ou nenhuma experiência de envolvimento com o pai. Na minha função pastoral, eu vi os efeitos devastadores da ausência do pai ou da sua falta de liderança na vida do filho.

Homens, ser pai para os filhos é um trabalho sério. Por isso, gostaria de apontar 5 coisas que todo filho precisa ouvir do pai:

1. Gosto de ti

Qualquer rapaz precisa de ouvir e saber que o pai o ama. Sem essa afirmação, um homem carrega feridas profundas que afetam os seus relacionamentos mais importantes.

Encontrei homens de todas idades que sonham ouvir essas palavras mágicas que significam bem mais quando vêm do pai: gosto de ti.

Nesta altura o meu filho tem só 4 anos, por isso é mais fácil dizer essas coisas. Suspeito que, à medida que crescer, vai ser um pouco mais complicado. Mas continuo a pensar dizer.

Porque por detrás de uma aparência às vezes áspera de um rapaz jovem há um coração que deseja sentir o amor do pai. O que você pode não perceber é que a primeira imagem que o miúdo vai ter do seu Pai celestial é a imagem do pai terreno quando olha para ele.

Ou seja, toca a dizer ao seu rapaz que gosta dele.

2. Estou orgulhoso de ti

Nem sei dizer quantos homens conheço que ainda hoje vivem à espera de ter a aprovação do pai.

No fundo do coração perguntam, porto-me minimamente bem? Estou a fazer o que é certo? O meu pai estará contente comigo?

Ando a aprender que é importante para nós, pais, sermos firmes com os filhos de muitas maneiras (ver abaixo), mas nunca devemos negar a nossa aprovação. Eles precisam de saber, nos momentos certos das suas vidas, que não é preciso que façam mais para conquistar o nosso favor.

Claro, às vezes eles vão decepcionar e temos de lho fazer saber e sentir. E, no entanto, é importante não sermos como senhores que, ao tentar motivar os nossos filhos para a grandeza, omitimos o maior condimento que pode facilitar o êxito: a confiança.

Lembro-me da aprovação que Deus faz ao seu Filho quando estava a ser baptizado por João Baptista. "Este é o meu Filho amado, em ponho a minha complacência" (Mateus 3,17 e Marcos 19,35). Sim, há implicações teológicas importantes nesta frase para além da aprovação, mas não posso deixar de ver a aprovação de Deus a Jesus como um modelo para a relação que temos com os nossos filhos.

Se o seu filho não subir à 1ª divisão, se ele entrar numa universidade que não é Harvard, se ele se tornar camionista e não um gestor de empresas, nunca lhe dê a impressão de que gosta menos dele. Não magoe a sua alma dessa maneira.

3. Tu não és um choninhas, és um soldado

Hoje a cultura apresenta uma imagem confusa da masculinidade.

O que é um homem? A cultura dominante diz que ele é uma espécie de inútil e que o melhor que ele consegue é desperdiçar a adolescência satisfazendo os impulsos sexuais, brincando às guerras na playstation, e sem qualquer tipo de ambição nobre.

Mas Deus não fez o seu filho, ou o meu filho, para ser um indolente, mas para ser um soldado.

Por favor, não se ponham nervosos com a palavra "soldado". É bom para encorajar os filhos a serem masculinos. Isto não tem a ver com ser caçador de leões, condutor de camiões TIR. Muitos homens verdadeiros bebem leite, conduzem utilitários pequenos, e detestam camuflados (como eu).

Há uma visão de masculinidade na Bíblia, de nobreza e força, de coragem e sacrifício. Um homem de verdade luta por aquilo que ama. Um homem de verdade valoriza a mulher que Deus lhe dá. Não se serve dela.

Um verdadeiro homem procura seguir o chamamento que Deus estampou na sua alma, e que é descoberto através da intimidade com Deus, da identificação com os dons e talentos recebidos, e da satisfação das necessidades profundas do mundo (para parafrasear Buechner).

Ninguém consegue ajudar melhor os nossos filhos a orientar-se para a sua missão que nós, os pais. Não deixemos o futuro dos nossos filhos ao acaso. Vamos estar ao lado deles, modelando para eles um modo de viver que tenha sentido.

4. O trabalho duro é um dom, não uma maldição

Ócio, preguiça e indecisão são as melhores ferramentas do diabo para arruinar as vidas dos homens jovens. Pessoal, os nossos filhos precisam de nos trabalhar no duro e ser incentivados e preparados para trabalhar no duro.

Eles precisam de perceber que o trabalho é mais duro por causa da queda original, mas em última análise foi dado por Deus para saborear o seu beneplácito. Ficar com as mãos sujas no esforço, na luta, no cansaço – tudo isto é bom, não é mau.

Infelizmente muitos jovens nunca viram como é importante para um homem poder trabalhar. Vamos mostrar-lhes que o trabalho traz alegria. O trabalho honra a Deus. O trabalho bem feito dá glória ao Criador.

Seja feito com os dedos num teclado, cortando árvores à machadada, ou manobrando uma empilhadora. Seja feito num escritório com ar-condicionado, em pântanos lamacentos, ou debaixo de um carro. Mas não se enganem: o trabalho importa e o que fizermos com as nossas mãos, se for bem feito, é um sinal do Criador.

5. Tens talento, mas não és Deus

Vamos embeber os nossos filhos num sentimento de confiança, de aprovação, de dignidade. Mas vamos lembrar-lhes que, embora agraciados pelo Criador, eles não são Deus.

Temos de lhes ensinar que a masculinidade genuína não se envaidece. Inclina-se. Pega numa toalha e lava os pés dos outros.

Um homem de verdade sente-se confortável tanto quando reza como quando fala. Ele sabe que a sua força não está nas suas façanhas ou naquilo que ele acha que as pessoas pensam dele. A força vem de Deus.

Esta humildade alimenta a compaixão e vai permitir-lhes perdoar àqueles que os hão-de ferir duramente. Vamos ajudar os nossos filhos a saber que as suas vidas realmente começam, não quando eles tiverem 18 anos ou quando tiverem o primeiro trabalho ou quando se apaixonarem por uma mulher.

As suas vidas começaram numa colina poeirenta há 2000 anos, aos pés de uma cruz romana, onde a justiça e o perdão se reuniram no sacrifício sangrento do seu salvador.

Vamos ensiná-los que viver a vida sem Jesus é como dar um concerto no convés do Titanic. É bom enquanto dura, mas, por fim, acaba na tristeza.

Fonte: Senza Pagare

quarta-feira, 26 de junho de 2013

É possível deixar de ser homossexual (I) - Richard Cohen

Richard Cohen, psicoterapeuta americano, apresentou em Espanha o seu trabalho: Comprender y sanar la homosexualidad (compreender e curar a homossexualidade), no qual deixa aos homossexuais, que querem deixar de sê-lo, uma mensagem de esperança: “Nunca desista, a mudança é possível”. Baseia-se também na sua própria experiência, já que ele mesmo foi homossexual.

É verdade que a pessoa nasce homossexual?
- Richard Cohen: De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA), não se nasce necessariamente com a atracção pelo mesmo sexo: "Apesar de terem sido bastante investigadas as possíveis influências genéticas, hormonais, do crescimento, sociais e culturais sobre a orientação sexual, não há evidências que permitam os cientistas concluir que a orientação sexual esteja determinada por um ou por mais factores concretos. Muitos acreditam que tanto a natureza quanto a educação desempenham um papel complexo. A maioria das pessoas sentem que tiveram pouca capacidade de escolha na sua orientação sexual ", diz a Associação Americana de Psicologia.

Por que existem pessoas com atracção pelo mesmo sexo?
- Richard Cohen: Mais de oitenta anos de literatura científica têm encontrado muitas razões pelas quais as pessoas experimentam sentimentos homossexuais. Sei isso pela minha própria vida, pela vida de centenas de pessoas com as quais trabalhei como terapeuta, e de outras milhares através dos nossos workshops de cura e aulas através de videoconferência. Muitas pessoas não acham o modo de vida "gay" engraçado e gostariam de outro estilo de vida. Querem mudar os seus sentimentos homossexuais, ter família e filhos.

É possível a transição da homossexualidade para a heterossexualidade?
- Richard Cohen: Durante os últimos vinte e dois anos, como psicoterapeuta na International Healing Foundation, tive um sucesso notável ajudando homens e mulheres a resolverem sua atracção indesejada por pessoas do mesmo sexo e realizar os seus sonhos de heterossexualidade.

Como?
- Richard Cohen: Nosso plano consiste de quatro etapas para passar de gay para não gay, e funciona se alguém estiver realmente interessado na mudança. Através do nosso programa, explicado no meu livro, as pessoas mudam de dentro para fora. Não é apenas a mudança de comportamento. Quando alguém identifica e corrige as feridas do seu passado, e experimenta o amor numa relação saudável e não sexual com pessoas do mesmo sexo, surge naturalmente o desejo heterossexual.

Tem visto isso no seu consultório...
- Richard Cohen: Eu experimentei isso pessoalmente e tenho observado a mesma transformação na vida de milhares de homens e mulheres com quem trabalhei como conselheiro, em seminários de cura ou aulas por videoconferência. Os quatro ingredientes da mudança são: 1) motivação pessoal, 2) um tratamento eficaz, 3) o apoio dos demais, 4) o amor de Deus.

Por que é que o lobby gay não quer assumir que muitas pessoas homossexuais sofrem por causa dos seus sentimentos e querem ser livres para fazer a transição?
- Richard Cohen: Os activistas homossexuais trabalharam muito para evitar que os profissionais da saúde médica e psicológica  oferecessem a sua ajuda àqueles que experimentam atracção indesejada pelo mesmo sexo. A razão é que os homossexuais sofrem muitos preconceitos. Tudo o que eles querem é ser amados e aceites. Portanto, desenvolvem a teoria de que ser gay é algo inato e imutável e não pode ser alterado. Mas isso não é cientificamente correcto. in Zenit
Fonte: Senza Pagare

domingo, 21 de abril de 2013

Soberba - Origem e Traços Gerais



Como sabemos, o mal não existe enquanto substância. Já o provara Sto Agostinho mostrando que o mal é sempre ausência; ausência de que? De ser ou de ordem. Um buraco não existe por si mesmo; ao contrário, ele precisa se vincular a um ser determinado. Assim, falamos de buraco no chão, na parede, no papel, etc. Neste exemplo, observamos a falta de ser. Ninguém, porém, poderia pensar num buraco em si, sem qualquer ser no qual se anexasse. Da mesma forma, se nos nascessem orelhas nos braços, isto seria um mal por ser falta de ordem.

Portanto, a existência do mal é absolutamente condicionada à pré-existência do bem. Isto significa que a ocorrência do mal denuncia forçosamente o predomínio do bem. Isto é interessantíssimo. Jamais se poderá dizer que o mal dominou o mundo absolutamente - podemos falar algo semelhante do mal moral -, pois, toda vez que ele acontece, dá testemunho do bem. Enquanto houver mal no mundo é porque há mundo, isto é, permanece o bem da existência do mundo.

Portanto, o mal não pode criar substâncias. Mesmo o demônio substancialmente é bom. Sua inteligência e vontade férrea são, naturalmente, bens. Porém, ele usa estes seus dotes para o mal; eis, aí, o mal moral. A contradição de Lúcifer é que, se alguém por acaso se admira da sua inteligência e da maestria dos seus planos para perder os homens, satisfazendo, portanto, ao seu orgulho, esta mesma pessoa rende, no mesmo ato, uma profunda admiração a Deus, o seu Criador. Eis o drama do demônio: detestar a Deus mas contemplar em si mesmo a perfeição que fala continuamente dAquele que o fez.

O demônio é chamado de Pai da Mentira. Naturalmente, se Deus é a Verdade, e o demônio se opõe a Deus, é lógico que só o poderia fazer aderindo à mentira. Daí que, desde o início dos tempos, o demônio trabalha com imprecisões, suposições falsas, versões torcidas, teorias falaciosas. Lembremos que os anjos - e Lúcifer é um anjo - não têm corpos. Como, então, se pode entender a célebre batalha que ocorreu no Céu e que resultou na queda de Lúcifer e sua expulsão do Paraíso? O combate, obviamente, não se podendo dar fisicamente, se empreendeu no campo das idéias, pois os anjos são substâncias espirituais simples, dotadas de inteligência e vontade. Dar uma estudada nas relações entre estas duas potências, pode ajudar a entender tudo isso um pouco melhor.

A oposição de Lúcifer, o que o levou a mentir e torcer a verdade, deu-se por causa de sua soberba (Superbia), pela qual se indignou contra a ordem das coisas. Veremos que é esta mesma soberba o que se insere na alma humana quando esta sofre a Queda. Reparemos esta relação entre soberba e mentira.

Naturalmente, Deus é o centro da criação, como um Sol ao redor do qual devem gravitar todos os demais seres. A ordem do todo depende disso. Quando, porém, se exclui o sol do centro, provoca-se uma revolução contra a harmonia, donde resulta, logicamente, a desarmonia, a desordem. Esta desordem perpetuada poderia muito bem ser chamada de inferno, isto é, uma eterna rebelião contra Deus.

O que Lúcifer faz é pretender igualar-se a Deus. Não o podendo - obviamente - ele sugere esta mesma vontade no homem. Este passa a querer ser igual a Deus sem Deus, o que o insere numa atitude de oposição à ordem e ao bem. Algumas consequências disso são o que aqui chamaremos neurose, que é uma facilidade em torcer o sentido das coisas, em fazer suposições erradas, em se proteger freneticamente de ameaças inexistentes.

Quando o homem se torna soberbo, isto o afasta do amor, pois amor e soberba são antagônicos. Quanto mais há amor numa alma, menos há soberba e, logo, há mais humildade. Quanto, porém, mais soberba há, menos amor e menos humildade se tem. A soberba é a mãe de todos os pecados humanos, todos eles consistindo numa revolta contra Deus, numa preferência das criaturas em detrimento da divindade, numa negação prática do amor. No entanto, todos os pecados, considerados em si, podem ser entendidos como uma fuga de Deus. Já a soberba, diferentemente, não foge, mas O enfrenta. Daí a Escritura dizer que Deus resiste ao soberbo e se revela ao humilde.

Se desgraçadamente este mal, a soberba, se inseriu na alma humana, já se vê que ela - a alma - passará a encontrar em si uma tendência ao erro, ao egoísmo, à mentira, à negação do bem, e isso tanto mais quanto maior for a sua soberba. Falaremos, em seguida, da dinâmica própria desta mãe dos vícios.

Fonte: Amor e Pobreza

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Psicologia comparada do homem e da mulher




Por Pe. Jean Viollet*

Se quisermos ajudar a juventude a evitar as surpresas oriundas da ignorância, é preciso fazer-lhe conhecer a psicologia própria do homem e da mulher.

Não pretendemos afirmar que os sexos sejam essencialmente diferentes um do outro. O homem e a mulher assemelham-se estranhamente, nesse sentido que ambos são dotados de inteligência, vontade e liberdade, possuem um e outro uma consciência moral, e seria falsear sua natureza atribuir, por exemplo, a sensibilidade e a inteligência intuitiva unicamente ao sexo feminino e a força física e inteligência discursiva unicamente ao masculino. Existem mulheres fisicamente mais fortes que o homem e, por outro lado, há elementos masculinos cuja sensibilidade é mais aguçada que da mulher. Todavia, no conjunto, cada um dos sexos define-se por qualidades específicas e os dotes de um são complementares aos do outro.

O homem demonstra ordinariamente maior força muscular do que a mulher. Eis porque é mais facilmente empreendedor e audacioso: é por natureza combativo, estimulado pelos obstáculos. Assim sendo, é constituído para comandar, com risco de abusar do poder para dominar e impor sua vontade. Ressaltam-se, de pronto, os excessos decorrentes dessas disposições naturais. É o egoísmo brutal, o orgulho, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do próximo, principalmente dos da mulher.

O abuso é tanto mais fácil que a mulher amorosa curva-se docilmente às exigências daquele que ama. Isto não significa que a mulher seja o ser fraco, incapaz de se dirigir e defender, como comprazeram-se a pintá-la os antifeministas**. Diariamente dá provas de força de caráter, e se é muscularmente mais fraca do que o homem, mostra-se muitas vezes mais resistente e capaz de suportar a fadiga e o sofrimento da existência. Porem, porque vive mais pelo coração, recebe mais facilmente as influências e considera os acontecimentos através de sua repercussão sobre os sentimentos.

Quando um homem não tem a animá-lo um verdadeiro ideal e elevada generosidade, a mulher torna-se uma presa fácil para seu egoísmo. Sabemos como são freqüentes os abusos da autoridade masculina em certos meios. Sob pretexto de que é o mestre, impõe suas vontades sem preocupação das regras morais. O número de mulheres literalmente exploradas pelo egoísmo do marido é muito maior do que se pensa. À mulher cabem todos os trabalhos, as responsabilidades, e de um modo geral os piores encargos pesam sobre ela. Que não possa dispor durante todo o dia de um só momento para si não é pensamento que preocupe o marido, e quando a vê doente, esgotada, mostra-se surpreendido, sem contudo considerar-se responsável.

E todavia a força só foi dada ao homem para que seja protetor da mulher, para manter o moral da família e ajudar a cada um dos membros na prática do bem. Longe de alardear seu poder, o homem deve aprender a refrear as exigências de seu egoísmo a partilhar com a mulher das preocupações da vida familiar e, até mesmo, de certos serviços domésticos, quando necessário.

A mulher, sendo a guarda do lar, orienta, naturalmente, sua inteligência para as questões que interessam a vida familiar. Mas daí pode resultar uma tentação, a de se enclausurar no circulo dos serviços rotineiros, que a levariam a abandonar certos deveres inerentes à vida social da família e a de se deixar absorver pelas preocupações de cada dia ao ponto de descuidar dos interesses gerais. Por amor dos seus, ela se arrisca ou a mimar demais os filhos ou a aceitar passivamente as idéias do marido, quiçá contrárias à moral. Talvez porque sua inteligência seja mais intuitiva do que dedutiva, a mulher rege pelo silêncio aos argumentos do marido que ama. Muitas jovens, ansiosas por se formarem uma personalidade antes do casamento, uma vez casadas, ficam como que inibidas e, por assim dizer, fundidas na personalidade mesmo insignificante do marido.

Daí resulta, para o homem, uma tentação de abuso à qual sucumbirá frequentemente. Se estiver cônscio de suas responsabilidades, longe de se aproveitar dessa disposição de espírito, protegerá a mulher, em vez de explorar em benefício próprio a fraqueza feminina, ajudará sua companheira e, sendo preciso, conduzi-la-á a manter e desenvolver uma personalidade moral.

No decorrer da vida cotidiana, a mulher geralmente demonstra menos atividade e iniciativa do que o homem, mas possui maior resistência e energia; é mais perseverante, fiel e paciente naquilo que empreende. Eis porque, quando esclarecida e dotada de vontade, triunfa mais do que o homem na educação dos filhos, auxiliado, como é, pela sua intuição das tendências e dos caracteres, pela paciência e tenacidade. Assim sendo, sua influência torna-se mais penetrante e, muitas vezes, mais duradoura que a do pai. O homem contenta-se frequentemente em governar o filho; a mãe conquista-lhe a confiança, influenciando mais profundamente sua alma. Portanto o homem deve vigiar e nunca diminuir a autoridade da mãe, como tantas vezes o faz por ciúme. Seu dever é apoiá-la na sua obra de educadora.

Se existe um fato surpreendente, é o homem não ter ainda compreendido que sua natureza, menos sensível do que a da mulher, obriga-o a um domínio especial sobre as tentações sexuais, cujo resultado seria conferir-lhe uma responsabilidade particular diante das regras da moral e da castidade conjugal. O homem deveria estar sempre apto a vencer, para nunca exigir uma união que só poderia ser satisfeita ao preço de uma falta ou desonestidade. Mais senhor de sua sensibilidade, compete-lhe ser bastante forte para resistir, ao mesmo tempo, às suas próprias tentações e às da mulher, mais confusas, porém talvez, por isto mesmo, mais perigosas. Se o homem se considera mais tentado do que a mulher, não é tanto por questão de natureza, como pela consagração de um abuso. Persuadiu-se de que sua força física explica e justifica todas as exigências sexuais, ao passo que esta lhe impõe um dever especial de domínio próprio e proteção à natureza feminina, mais propensa à confiança e ao abandono.

É fácil tirar conclusões dessas observações. A primeira revela-nos que o homem só compreenderá a natureza feminina na medida em que, sendo o senhor de seus instintos, tiver influência sobre o coração da esposa, lhe der prova de que é capaz de dominar seus sentidos e, finalmente, amá-la pelas suas qualidades e não unicamente pelos prazeres que ela lhe proporciona. A segunda, é que comete um abuso de autoridade toda vez que se serve de sua força para exigir da mulher a satisfação de desejos contrários à moral. Infelizmente, são freqüentes os casos em que o homem exerce sobre a companheira uma verdadeira tirania sexual. Muitos lares conheceriam menos desacordos íntimos, se a força masculina fosse colocada ao serviço de um maior domínio próprio.

A educação dos filhos só é possível pelo acordo dos pais. Eles têm igual autoridade, embora esta se exerça por meios diferentes. O homem, mais senhor de sua sensibilidade, talvez consiga, melhor do que a mulher, despertar no filho o sentimento de justiça. Porém o carinho feminino saberá suscitar mais profundamente os sentimentos do coração. Para essa obra difícil, que deve ser complementar e não contraditória, Deus dá a cada um qualidades específicas que se combinam, graças ao amor comum que ambos dedicam ao filho. A aplicação das sanções, mais particularmente da alçada do pai, exige um grande controle; a educação do coração supõe o exercício habitual do carinho materno.

Mais amorosa que o homem e naturalmente mais fiel, a mulher dispõe de graça e encanto destinados a salvaguardar o marido das tentações externas. Faltando-lhe estes atrativos, multiplicam-se as tentações para o homem, e muitas vezes, porque sua esposa não mais procura agradá-lo, o marido vem a desertar o lar conjugal.

A graça feminina pode, por outro lado, aliás, tornar-se um perigo. Se a mulher pretende tirar daí motivo de vaidade, despertará olhares indiscretos e cairá facilmente na futilidade. Ainda que um marido mal orientado encontrasse nos sucessos da esposa motivo de amor-próprio, seria em detrimento da intimidade e união dos corações.

Embora a natureza do homem seja mais fria que a da mulher, é preciso não se concluir logo que ele seja necessariamente egoísta. Há manifestações femininas de carinho que nascem de um violento desejo de satisfação pessoal. Se o homem deve ser bastante psicólogo para dar à esposa as provas de carinho de que ela necessita, a mulher deve esforçar-se por penetrar no pensamento do marido a fim de compreendê-lo.

A inteligência do homem é mais positiva, calculadora, objetiva. A da mulher mais espontânea e intuitiva. Cabe a esses dois valores entenderem-se mutuamente para melhor se ajudarem. Se a inteligência feminina é mais intuitiva é porque inclina-se espontaneamente para o amor do qual é, por natureza, a guardiã. A mulher descobre, quase sem raciocínio, os sentimentos que podem favorecer o amor ou prejudicá-lo. Seu modo de compreender não é inferior ao do homem, é diferente. As funções e responsabilidades são outras. Alguns filósofos julgam que a inteligência intuitiva é superior à discursiva.

Dessas diferenças intelectuais podem, facilmente, surgir incompreensões. O homem é tentado a julgar-se superior à mulher, e esta inclinada a crer que o homem não sabe amar. Um pouco de boa vontade e esforços mútuos para se compreenderem fariam facilmente desaparecer essas pretensas oposições. Seria preciso, ainda, que a mulher se deixasse penetrar pela razão positiva do homem, e que este procurasse entender as intuições da natureza feminina. Estas, de ordem sentimental, impedirão, muitas vezes, o homem de cometer atos que muitas vezes fechariam seu coração às exigências da piedade e da bondade; a ponderada razão masculina ajudará a mulher a verificar a objetividade de seus sentimentos.

O espírito feminino é tentado a confundir o amor com as emoções da sensibilidade. A mulher julga que deixou de amar, quando não mais as sentir. É uma tentação perigosa contra a qual deverá precaver-se.

O homem, menos sensível, acredita, facilmente, que lhe basta cumprir seu dever de proteção e ser fiel à mulher para lhe testemunhar seu amor. Esquece muito depressa que a sensibilidade feminina é uma flor delicada que é preciso cultivar sempre.

A boa compreensão entre o homem e a mulher é um compromisso perpétuo. Se a esposa pretende acompanhar o marido sob pretexto de que tem necessidade de sua presença constante, logo o cansará. Por pouco que exerça sobre ele seu domínio, sua tirânica afeição privará o marido de toda iniciativa e atividade pessoal. Se o marido for dotado de uma personalidade vigorosa, abandonará facilmente a mulher e dela se desapegará. Se, por outro lado, se mostrar indiferente e distraído, não se dando ao trabalho de dedicar-lhe uma parte de seu tempo, se não souber entendê-la para compreendê-la, provocará insensivelmente na esposa um sentimento de solidão que pode, então, em tristeza e em tristes separações. Assim a diversidade das naturezas explica-se pela diversidade dos encargos. Seria vão e odioso procurar definir a superioridade do homem e da mulher. Com efeito, não é possível decidir qual das duas funções, a de proteger ou a de manter a união dos corações, é a mais sublime.


*em “A educação do pudor e do sentimento, Jean Viollet, pp.150-3”

** Como livro foi escrito em 1925 o termo "antifeminista" provavelmente não teria o mesmo emprego que usamos hoje, que é o da sadia luta contra o feminismo, movimento este que deturpa a verdadeira essência feminina, creio que o sentido do termo usado pelo autor nesta época se referia a ações que depreciavam as mulheres. Nota do administrador deste blog.

Fonte: Blog Mater Dei
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